O passo adiante na agricultura brasileira

Notícia   21 de Junho de 2018

Paulo Herrmann*

No campo da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, o Brasil tem liderado diversas iniciativas no sentido de aumentar a eficiência produtiva da agricultura tropical e posicionar o País como um dos responsáveis por prover proteínas e fibras para a crescente população mundial.

 

A principal via é pela adoção de uma atividade agrícola mais intensiva e eficiente, integrando diferentes sistemas de produção na mesma unidade produtiva - chamada de Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF). Na explicação mais simples, fazer ILPF é ter agricultura, criação de animais e árvores plantadas em um local único, independentemente da região, clima e tamanho da propriedade. Mais importante: a ILPF protege biomas, trabalhando para recuperar áreas degradadas e resguardando florestas nativas. Inclusive é a melhor forma de contribuir diretamente com o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) e, em consequência, com as metas do governo brasileiro ratificadas no Acordo de Paris (COP21).

 

É, de fato, uma revolução no campo. E uma revolução na imagem do agronegócio.

 

Ao diferenciar-se da antiga agricultura extrativista, a integração é um passo adiante no conhecimento e desenvolvimento do processo agrícola. Na década de 1970, houve o plantio direto; vinte anos depois, avançou-se para duas safras. Agora tem início a era da otimização de ativos, com uma produção agrícola realizada de forma equilibrada do ponto de vista ambiental.

 

É a forma mais inteligente de resolver o paradigma que coloca a necessidade crescente por alimentos em todo o mundo e, ao mesmo tempo, a impossibilidade legal e ética de abrir novas áreas naturais para responder tal demanda.

 

A tecnologia ILPF nasceu há 30 anos e, desde então, foi refinada cientificamente pela Embrapa. A prática se deu gradualmente. Em 2012, com a criação da Associação Rede ILPF, da qual a John Deere é ativa apoiadora, ampliou-se a difusão por meio de dias de campo, pesquisas e assistência técnica aos produtores. O esforço deu certo: hoje são 11,5 milhões de hectares com a integração ecossistêmica – três vezes mais do que o anteriormente estimado. Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul despontam na liderança.

 

Do ponto de vista do agricultor, a ILPF é a melhor opção para tirar vantagem da localização geográfica do país, mitigar riscos climáticos e econômicos - com mais produção e responsabilidade com o meio ambiente. O resultado é valor agregado na produção e rentabilidade.

 

A revolução produtiva sob a ótica ambiental cruza a conservação ambiental com a integração de sistemas outrora danosos à flora e fauna, com a possibilidade de incrementar a biodiversidade de uma área produtiva.

 

Para tanto, é preciso uma gestão diferente, outro controle do fluxo de caixa, além de um sistema de gestão que possa manejar cultura por cultura para saber onde estão as oportunidades de melhoria.

 

Em suma: produzir e preservar estão, hoje, na mesma frase.

 

Logo os mercados vão começar a ficar mais preocupados com a qualidade da alimentação, sendo que a questão da sanidade animal e vegetal e o equilíbrio ambiental serão determinantes nas condições para dizer quais mercados irão vencer as concorrências na competição internacional para suprir em proteína e fibra. Ou seja, o Brasil tem diante de si uma oportunidade de aumentar ainda mais a sua importância agropecuária e sua responsabilidade ambiental para a redução de danos ambientais.

 

A integração é um passo à frente na qualificação do nosso sistema produtivo, é um passo à frente na agregação de valor ambiental ao seu negócio e um passo à frente na consolidação do Brasil como grande país exportador de alimentos. Passada a curva de adoção, é momento de ir adiante e mostrar ao mundo a potência do agronegócio sustentável brasileiro.

 

 

*Presidente da John Deere Brasil e Vice-presidente de Marketing e Vendas para a América Latina
*publicado na revista Agroanalysis nº 06 – junho 2018