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TRIGO: TENDÊNCIA DE PREÇOS ESTÁVEIS NO CURTO E NO MÉDIO PRAZO

Colheita de trigo A tendência é de preços internos firmes para o trigo até o ingresso da nova safra brasileira 2011/2012 no mercado, a partir de setembro. Sem negócios em volume expressivo, vendedores pedem no Paraná R$ 510 a tonelada pelo trigo pão, enquanto compradores oferecem R$ 490 a tonelada. A referência de preço, no entanto, é apenas nominal já que, a depender da necessidade do consumidor e da localização do produto, os valores podem variar. São reportados negócios com trigo soft a R$ 485 a tonelada no norte do Paraná. Ao produtor, os preços também refletem o período de entressafra. A cotação média é de R$ 26,44 por saca de 60 Kg, contra R$ 26,41 na média de junho. Os valores superam os de mesmo período do ano passado: R$ 22,78 na média de junho de 2010 e R$ 22,23 de julho passado. No mercado internacional, as cotações têm oscilado bastante. Estimativas de produção e estoques mais confortáveis neste ciclo foram fatores de pressão, principalmente com a volta da Rússia e outros países europeus ao mercado, após um ano de retração por conta da seca que quebrou a safra de trigo.

Mas os preços do cereal encontram suporte no milho, que não tem números tão positivos em relação aos estoques e ainda enfrenta nos Estados Unidos clima seco e quente que pode comprometer a produção. Desde o início de julho é positivo o desempenho dos contratos de trigo hard (pão) na bolsa de Kansas e de soft (brando) em Chicago, com alta de 8% e 13%, respectivamente (vencimento setembro). Traders e compradores da indústria acompanham essa movimentação de preços sem muita pressa em fechar negócios. Os moinhos estão abastecidos e buscam agora fechar negócios para agosto/setembro. A Argentina deve liberar nos próximos dias licenças para exportação para mais 200 mil toneladas de trigo, além das 400 mil toneladas autorizadas no mês passado. Os preços indicados na região de Up River vão de US$ 315 a US$ 320 a tonelada, mesmo patamar do produto americano, cotado hoje a US$ 320 a tonelada FOB Golfo. Mas, colocado no porto de Santos, considerados frete, taxas e imposto de importação, o trigo argentino ainda custa cerca de US$ 60 a tonelada menos.

Em junho, o Brasil importou 311,3 mil toneladas de trigo, ante 663,9 mil toneladas desembarcadas no mesmo mês de 2010. No acumulado do ano, o volume também ficou abaixo do ano passado, quando a indústria moageira precisou concentrar as compras logo após a colheita da safra argentina, para tentar assegurar suprimento, já que naquele ciclo a safra foi menor. De janeiro a junho, 2,868 milhões de toneladas do cereal foram desembarcadas nos portos brasileiros, ante 3,426 milhões de toneladas. As despesas, porém, são maiores, resultado da valorização da commodity no último ano. Em 2011, o Brasil já gastou US$ 933,9 milhões com a importação do cereal, contra US$ 783,0 milhões nos seis meses de 2010.

Inicialmente projetada como uma safra recorde, a produção de trigo no Mercosul pode não ser tão volumosa por causa das geadas no ciclo 2011/2012. A condição, que se agrava com quebra na produção do Paraná, pode aumentar a necessidade do Brasil de buscar mais trigo fora da América do Sul. O plantio no Mercosul está sendo concluído, mas o tamanho da safra não é consenso. A produção do Mercosul tem potencial para um recorde de 24,6 milhões de toneladas, 5,3% maior que a anterior, com grande produção na Argentina e no Uruguai. Mas esse volume pode não passar de 22,0 milhões de toneladas, considerando que os produtores argentinos migraram para o cultivo de sorgo e malte, e o Paraguai deve registrar quebra de safra da ordem de 25% por causa de geadas. A produção paraguaia será 350 mil toneladas menor. Assim, em vez dos 1,10 milhão de toneladas projetados inicialmente. A colheita paraguaia pode se resumir a 750 mil toneladas. O plantio do cereal na região está se sendo finalizado, e as lavouras ainda têm um longo percurso até serem colhidas.

Colheitadeira John Deere em ação em campo de trigo De qualquer forma, há fortes indicativos de que o Mercosul terá excedente mais do que suficiente para atender à demanda dos países-membros. Quaisquer necessidades de importação de fora do bloco estarão mais ligadas às demandas específicas da indústria por tipos específicos de trigo. Pode ser também que com uma safra menor, Argentina, Paraguai e Uruguai vendam seus volumes excedentes antes de o Brasil precisar comprar, o que geralmente ocorre entre fevereiro e março de cada ano. O Brasil é um dos principais importadores de trigo do mundo, pois consome em torno de 10,2 milhões de toneladas e produz apenas entre 5 milhões de toneladas e 6 milhões de toneladas. Os quatro países (Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil) devem exportar juntos 12,2 milhões de toneladas, 2,4% menos. O Brasil, que no ciclo passado embarcou 2,4 milhões de toneladas ao exterior, a maior parte com apoio do governo, deve exportar neste ciclo apenas 1 milhão de toneladas. Com a Rússia voltando a exportar, haverá menos espaço ao Brasil. No país, deve haver quebra de 7,5%, com produção de 5,5 milhões de toneladas.

Os preços internos devem recuar, logo que a colheita começar, em agosto. Atualmente, em pico da entressafra, os preços no Paraná estão entre R$ 480 e R$ 500 por tonelada, já muito próximos do preço mínimo (R$ 477). A tendência é de que o segmento precise novamente de ajuda do governo para comercialização em 2011/2012. Os preços mundiais do trigo estão firmes, com a previsão de um consumo mundial maior do que a oferta e recuo dos estoques em 2011/2012. Como vem fazendo desde 2000, o governo voltará a apoiar a comercialização da safra nacional, que costuma ser colhida num momento em que a indústria está consumindo estoques à espera da safra argentina, ofertada no final do ano. No ano passado, essa ajuda veio na forma de leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP), por meio dos quais o País exportou boa parte do excedente de trigo, sobretudo do Rio Grande do Sul, que produz um tipo de cereal de demanda restrita. Neste ano, a demanda externa pelo trigo nacional é incerta. A Conab reduziu a estimativa para a exportação de 1,4 milhão de toneladas para 900 mil toneladas. Tradicionais países exportadores de trigo, entre eles a Rússia, que estiveram fora do mercado na última safra por conta de perdas com clima, estão voltando. O trigo brasileiro ocupou o espaço deixado por eles no ano passado. O Brasil precisará ser competitivo e com o câmbio valorizado fica difícil. Ainda é cedo para avaliar a necessidade ou não do apoio do governo à comercialização já que o plantio ainda está em andamento, a produção está indefinida, e os preços internacionais, ainda que pressionados, podem ter sustentação na demanda no médio e longo prazo.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Especial: Perspectivas para 2011/2012




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