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Trigo: Tendência de baixa no curto prazo e no longo prazo

Colheita de trigo Os preços do trigo estão sob pressão baixista no mercado interno, com tendência de baixa no curto e no longo prazo, incluindo a farinha de trigo e os demais derivados. Mesmo em início da colheita da safra brasileira 2008/2009, as cotações do trigo já estão abaixo do Preço Mínimo de garantia estabelecido pelo governo, de R$ 28,80 por saca de 60 Kg (R$ 480 a tonelada), em algumas regiões produtoras do Paraná. No Estado, os preços estão mais pressionados em Guarapuava e Pato Branco, onde ainda há oferta de trigo da safra velha (2007/2008). Na média do Paraná, os valores estão acima do mínimo, a R$ 29,79 por saca de 60 Kg, mas é uma questão de tempo e de oferta, para que as cotações caiam em todo o país. A pressão sobre os preços do trigo e dos derivados (farinha de trigo, pão francês, massas, etc.) vem da perspectiva da colheita de uma safra de 5,426 milhões de toneladas. A nova safra 2008/2009, que já está sendo colhida em diversos Estados, deve crescer 42% em relação à anterior. A produção brasileira que somou apenas 3,8 milhões de toneladas na safra passada (2007/2008), deve crescer para 5,4 milhões de toneladas em 2008/2009, o suficiente para a suprir mais de 50% do consumo interno. Além disso, há a oferta de trigo da Argentina, que retomou a comercialização do produto. No mercado interno, os preços do trigo acumulam queda de 27,1% desde maio. Só em agosto a desvalorização chega a 8,6%. A tendência é de os preços seguirem pressionados, à medida que avança a colheita da safra 2008/2009. Logo após a oferta da produção paranaense, entra no mercado a safra gaúcha, quase simultaneamente com a produção da Argentina.

Por conta disso, o setor produtivo já preparou um pedido de apoio à comercialização da safra, a ser encaminhado ao Ministério da Agricultura. Será pleiteado ao governo que inicie a operacionalização de leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP), para transportar o trigo da região produtora para a consumidora. Como 90% da produção nacional de trigo está concentrada na Região Sul, os leilões de PEP permitiriam o escoamento de parte da safra para os moinhos do Nordeste, que hoje praticamente só se abastecem de trigo importado por conta do alto custo do frete de cabotagem. Além disso, os produtores querem recursos para operações de Empréstimos do Governo Federal (EGF), com vencimento a partir de abril de 2009, o que permitiria financiar a estocagem da produção até a entressafra, quando os preços são mais remuneradores. E, por fim, o setor pede que parte da oferta seja retirada do mercado por meio de operações de Aquisição do Governo Federal (AGF). Com AGF o governo pode formar estoques de trigo, que hoje não existem, e garantir o Preço Mínimo ao produtor. As reivindicações do setor produtivo foram discutidas em um encontro entre indústria e setor produtivo na sede da Ocepar, em Curitiba (PR). A Ocepar enfatizou ao presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Sergio Amaral, a necessidade de apoio à produção interna para reduzir a dependência de trigo importado. Até o ano passado, o Brasil importava 70% das suas necessidades de trigo em grão. A Abitrigo disse ser preciso dar segurança e previsibilidade ao produtor, criando referências para os preços em situações de forte oscilação, tanto para cima como para baixo. No mercado de lotes, os preços oscilam entre R$ 500 e R$ 520 a tonelada FOB. Mesmo com preços em baixa, a indústria pede a prorrogação do prazo para importação de trigo de fora do Mercosul com isenção da Tarifa Externa Comum (TEC). A taxa de 10% foi provisoriamente suspensa pelo governo federal em fevereiro. Em maio, o prazo que venceria em junho foi ampliado para 31 de agosto. Agora, os moinhos querem uma nova prorrogação, para 30 de setembro. A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) enviou um documento ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) pleiteando o novo prazo.

Colheitadeira John Deere em ação em campo de trigo No mercado de farinha de trigo, está cada vez mais acirrada a disputa entre os moinhos brasileiros e argentinos. Cada vez mais achatados pelo aumento da concorrência com a farinha de trigo argentina e pela cobrança por melhores preços por parte dos produtores, os moinhos brasileiros devem deixar de lado a diplomacia adotada pelo governo de ambos os países e acionar judicialmente a indústria daquele país. Desde o ano passado os moinhos argentinos aumentaram sua participação no mercado brasileiro de 3,5% para cerca de 10,0%. Além de receberem incentivos do governo argentino para a exportação do produto, a indústria vizinha atualmente adquire a matéria-prima por até US$ 140 a menos por tonelada. Segundo os moinhos, o governo já foi consultado a respeito de uma ação antidumping, mas a decisão dependerá de interesses em um sentido mais amplo, que deverá considerar outros acordos comerciais. Os moinhos brasileiros já estão analisando outras ações como uma medida compensatória que é um processo mais complicado e que ainda está sendo estudado. A indústria afirma que está sendo pressionada pelos produtores por maiores preços para o trigo. Segundo os moinhos, o mesmo governo que estimula a produção não faz nada para barrar a concorrência do vizinho que é subsidiado. A Argentina irá liberar neste semestre a exportação de mais 500 mil toneladas de trigo, além das 902 mil toneladas já liberadas. O volume, no entanto, poderá ser adquirido por importadores de outros países. Em relação à redução da alíquota para exportação de farinha de trigo, que atualmente é de 18% enquanto o trigo é taxado em 28%, o governo argentino se mostrou irredutível e os moinhos argentinos já comemoram a manutenção da taxa e o respaldo de seu governo.

A safra mundial de trigo em 2008/2009 deve ser recorde. Segundo o relatório de Oferta e Demanda mundial de agosto, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a produção mundial de trigo está estimada em um recorde de 670,8 milhões de toneladas, uma alta de 6,5 milhões de toneladas na comparação com a estimativa do mês passado. Em relação à safra 2007/2008, o mundo deverá produzir 60,2 milhões de toneladas a mais. O aumento deve elevar os estoques globais para o seu maior nível em três anos. Uma safra maior representará um salto nos estoques finais mundiais, para 136,2 milhões de toneladas, um crescimento de 3,1 milhões de toneladas, em relação ao mês passado, o patamar mais alto desde 2005/2006. Os preços recordes incitaram os agricultores a expandirem seu plantio. Um salto na produção dos 27 países integrantes da União Européia, na Índia, Rússia, Ucrânia e nos Estados Unidos mais do que compensou reduções na Argentina e no Afeganistão. A Argentina, entre os principais exportadores globais, tem sido atingida por seca e por incertezas relacionadas às políticas de exportação do governo, que impediram os produtores de semearem mais. O Afeganistão tem sofrido uma severa seca e deverá ter a necessidade de elevar as importações de trigo, segundo o USDA. Enquanto isso, os Estados Unidos, tradicionalmente os maiores exportadores, respondendo por 22% do mercado mundial, devem exportar menos que os 12 países integrantes da ex-União Soviética em 2008/2009. O USDA prevê exportações dos EUA em 2008/2009 em 27,2 milhões de toneladas, contra 28,3 milhões de toneladas dos países integrantes da ex-União Soviética. Outros países da região do Mar Negro, a Rússia e a Ucrânia, devem ampliar suas exportações em 2008/2009. O governo dos EUA elevou as estimativas para cada país em 1 milhão de toneladas em relação à previsão do mês passado: a Rússia deverá exportar 13,5 milhões de toneladas e a Ucrânia, 8,5 milhões de toneladas. Os fornecedores do Mar Negro estão ganhando mercado de exportadores tradicionais como Estados Unidos, Canadá, União Européia, Austrália e Argentina, que respondem geralmente por cerca de 70% do mercado global, considerando a vantagem de frete mais barato para embarcar o produto para países do Norte da África e Oriente Médio. Na Argentina, a área de trigo deve recuar 21,6% na safra 2008/2009. A área ocupada com trigo na Argentina na safra 2008/2009 deve somar 4,55 milhões de hectares, contra 4,55 milhões de hectares na safra passada, um recuo de 21,6%, segundo nova estimativa divulgada pela Secretaria de Agricultura. Trata-se de uma queda em relação à projeção inicial de 4,80 milhões de hectares. Segundo a Secretaria, a quase completa ausência de chuvas nos campos do centro e do norte do cinturão do trigo prejudicou os trabalhos, principalmente nas províncias de Córdoba e Santa Fé e no norte de Buenos Aires e Entre Rios. Por outro lado, as condições de plantio são boas em regiões importantes do sul e oeste da província de Buenos Aires, que se beneficiam de chuvas e elevada umidade de solo.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Setembro/2008




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