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Cana, Açúcar e Álcool: Tendência de alta dos preços do açúcar

Colheita de Cana-de-Açúcar No segmento da cana-de-açúcar, segundo dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a colheita da safra 2008/2009 de cana na região Centro-Sul do Brasil chegou a 73,04 milhões de toneladas em julho e recuperou o atraso ocasionado pelo mau tempo. O volume é recorde para um mês. O total acumulado é de 214,31 milhões de toneladas, 11,57% a mais que no mesmo período na safra passada. De acordo com a Unica, as condições do mês de julho foram favoráveis para a maturação da cana. A quantidade de açúcares recuperada por tonelada processada chegou a 147,1 quilos, 1,61% a mais que na segunda quinzena de julho de 2007. A entidade considerou significativo o avanço da colheita mecanizada no Centro-Sul, que foi 30% superior à da safra passada no mesmo período. Para agosto, a entidade que representa a indústria da cana não mantém o otimismo. Segundo a Unica, as condições climáticas adversas à colheita verificada no início deste mês são desfavoráveis. As chuvas, no Paraná, em São Paulo e Mato Grosso do Sul farão com que as usinas processem 10 milhões de toneladas a menos em relação ao potencial para o período. Nos demais Estados, o andamento da safra é normal. A Unica informou também que a safra 2008/2009 manteve a tendência de ser mais alcooleira que açucareira. A produção de açúcar foi 2,51% menor enquanto a de etanol subiu 15,61%. A produtividade foi superior na segunda quinzena de julho, em comparação com o período no ano passado, pro causa de um canavial mais novo e do bom regime de chuvas no período de verão. As saídas de etanol no mês de julho das unidades produtoras da região Centro-Sul superaram 1,8 bilhão de litros para o mercado interno, 10% acima do registrado em junho. O incremento das vendas resulta da competitividade do etanol frente à gasolina em grande parte do mercado nacional. Já os embarques para o exterior atingiram 650 milhões de litros. De abril a julho, foram vendidos 1,7 bilhão de litros para o mercado externo, sendo 70% para os EUA e 20% para a UE. No mesmo período do ano passado o volume foi de 1,19 bilhão de litros, um incremento de 43%. Até o final de julho, as exportações estavam divididas igualmente – 50% de etanol anidro e 50% de hidratado.

A safra 2008/2009 de cana-de-açúcar no Centro-Sul deverá registrar moagem de 480 milhões de toneladas. O resultado representa uma redução de cerca de 3% em relação à previsão anterior que era de 495 milhões de toneladas. A produção total de cana no País deve ficar em 542 milhões de toneladas. A estimativa é de uma produção de açúcar no Centro-Sul de 25,5 milhões de toneladas, enquanto em todo o Brasil o volume deve alcançar 30,0 milhões de toneladas. A produção de álcool está projetada em 24,5 bilhões de litros no Centro-Sul e de 27,7 bilhões de litros no Brasil. A exportação brasileira de etanol foi revista para 5,0 bilhões de litros. A exportação de açúcar está estimada em 18,8 milhões de toneladas. Com o atraso no processamento no Centro-Sul, um volume de cana equivalente à meia safra do Nordeste ficará em pé, ou cerca de 30 milhões de toneladas. Das 35 usinas projetadas para entrar em operação na atual safra, apenas 13 estão operando. Quatro não entram mais em funcionamento este ano. Dessas quatro, duas estão instaladas em Goiás e outras duas em Mato Grosso do Sul.

No segmento do açúcar, a tendência é de preços futuros em alta no longo prazo. No mercado internacional, as cotações do contrato Sugar nº 11, na ICE Futures (Bolsa de Nova York), continuam em recuperação. Quando comparada ao mesmo período de 2007, o valor atual acumula ganhos da ordem de 39,7%. Fundamentalmente, o mercado segue indicando menos açúcar disponível no mercado internacional na próxima safra 2008/2009, decorrente de menor produção no Brasil e também na Índia. Tecnicamente, se o contrato outubro se mantiver acima dos 13,00 cents por libra-peso, ele poderá buscar a resistência de 13,50 cents por libra-peso. Acima de 13,60 cents por libra-peso, o contrato outubro poderá voltar para o nível de 14,00 cents por libra-peso no curto prazo. A tendência é de alta dos preços mundiais no ciclo m 2008/2009. O mundo dispõe de um enorme estoque de açúcar, mas a oferta global da commodity deve ficar mais apertada no próximo ano (2008/2009), devido a problemas causados pela chuva na safra do Brasil e pela queda na produção da Índia, o que indica preços maiores. A Organização Internacional do Açúcar (OIA) estima que os estoques mundiais devem ficar em cerca de 70 milhões de toneladas ao final de setembro, cerca de 8 milhões de toneladas a 9 milhões de toneladas acima do mesmo período de 2007. A entidade prevê que os estoques cairão em apenas 2 milhões de toneladas a 3 milhões de toneladas em setembro de 2009. Mas, apesar dos altos estoques, os preços do açúcar aumentarão no médio prazo. Segundo essas projeções, a oferta dos importantes produtores (Brasil e Índia) diminuirá, enquanto o consumo sofrerá uma firme elevação. A qualidade da cana no Brasil, maior produtor mundial, está abaixo da do ano passado, por conta de pesadas chuvas que caíram no início da safra. E as usinas estão utilizando mais cana para fazer etanol no lugar do açúcar. A Índia, segundo maior produtor de açúcar e maior consumidor mundial, deve passar a ser um importador líquido, em vez de exportador, com a queda de sua safra. O primeiro contrato futuro de açúcar, indicador dos preços físicos, já subiu 28% neste ano. O mercado de açúcar caminha em direção a um déficit no ano que vem, forçando uma aguda elevação nos preços. Na Bolsa de Nova York, o primeiro vencimento tem potencial para subir para até 15 cents por libra-peso ao final de 2008. Esse aumento refletiria expectativas de aumento da demanda por etanol feito a partir da cana-de-açúcar, uma redução na produção, um aperto nos estoques e o incremento na demanda pelo produto, sobretudo em países emergentes com forte crescimento econômico. Um forte apetite de fundos de investimento pelos futuros das soft commodities neste ano também contribuiu para elevações nos preços. A produção de açúcar no ano que vem vai cair, segundo a OIA. Uma questão chave será a Índia, se os estoques excedentes estarão disponíveis para o mercado mundial ou não. Depois de uma produção recorde de 28,4 milhões de toneladas no ano passado, a produção indiana deve cair em 2008/2009 por uma queda no plantio e o tempo chuvoso. A produção deve cair para uma faixa entre 22,0 milhões de toneladas e 22,5 milhões de toneladas em 2008/2009. Há ainda no mercado um debate sobre a extensão dos danos provocados pelas chuvas na produção brasileira. A produção de açúcar nesta safra será a mesma da anterior, com base no rendimento visto nessa época do ano, quando a produção atinge seu pico nas usinas, segundo dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

As exportações brasileiras de açúcar recuaram 6,1% de janeiro a julho. As exportações de açúcar já renderam neste ano US$ 2,64 bilhões. O montante é 6,38% inferior ao valor das exportações do mesmo período de 2007. A quantidade exportada de janeiro a julho alcançou 9,62 milhões de toneladas. Este volume é 6,05% inferior ao exportado nos primeiros sete meses de 2007. A variação é negativa devido ao baixo volume enviado ao mercado externo no início do ano, porém com o início da safra em abril/maio, houve um aquecimento das exportações que estão superiores aos volumes verificados nos primeiros meses da safra anterior. O açúcar bruto responde por 66,91% das exportações enquanto que o açúcar refinado contribui com o restante. O açúcar refinado foi exportado em julho com preço médio de US$ 301,04 por tonelada, com desvalorização de 2,62% em relação ao mês anterior e valorização de 12,31% quando comparado a julho de 2007. O açúcar bruto foi vendido ao exterior com preço médio de US$ 264,92, acumulando deságio de apenas 0,6% em relação ao mês anterior. Já em relação ao mesmo mês de 2007, o valor atual está 10,90% superior. O principal importador do açúcar brasileiro continua sendo a Rússia seguida pela Nigéria.

Colhedora de Cana John Deere em ação No mercado interno, o açúcar cristal, em sacas de 50 Kg, contabiliza ganhos de 6,11% em um mês e 11,74% em um ano. Mesmo com a intensificação da moagem de cana-de-açúcar da safra 2008/2009, os preços do açúcar cristal negociados no mercado paulista seguiram em alta nos últimos dias. Apesar do pleno andamento da colheita, são poucas as unidades produtoras que estão ofertando açúcar cristal no mercado spot paulista. Parte delas, inclusive, segue totalmente (100%) voltada aos contratos. Algumas usinas, quando entram no mercado, ofertam a preços bem superiores aos da média, dificultando o fechamento de negócios. Com isso, aquelas que estão diariamente no mercado – oferta um pouco mais elevada – conseguem sustentar os preços pedidos. Além disso, a safra do Centro-Sul brasileiro está sinalizando desempenho ruim. O mês de agosto deve ser chuvoso, e tudo indica que não será moída a cana necessária. Essa migração faz sentido do ponto de vista da seleção de ativos, porque o açúcar está apresentando bons fundamentos. Do lado do açúcar, os preços estão apertados em relação aos custos de produção. O preço abaixo de 13,00 cents por libra-peso era baixo, comparado a um custo de produção oscilando entre 12,50 e 13,50 cents por libra-peso. Segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA), a safra 2008/2009 será marcada pelo fim dos excedentes de produção e o equilíbrio entre oferta e demanda.

No segmento do álcool, o preço do litro do álcool hidratado interrompeu um ciclo de três semanas em baixa e voltou a subir nas usinas paulistas. Já o litro do álcool anidro segue estagnado. O álcool hidratado foi negociado, em média, a R$ 0,7111 o litro na semana, contra R$ 0,6941 na semana anterior. Já o álcool anidro saiu de R$ 0,8585 o litro, para R$ 0,8494 em média. A alta no álcool hidratado ocorreu pela forte demanda no mercado interno pelo combustível utilizado nos veículos a álcool ou nos flex fuel, mesmo com uma oferta também grande por parte das usinas. Já a oferta do álcool anidro foi maior que a demanda, o que provoca a queda no preço. O preço do litro do álcool hidratado vendido em vários postos de combustíveis de São Paulo caiu para abaixo de R$ 1,00. O movimento de baixa teve início em 21 de julho, quando o combustível R$ 1,29 o litro, e, após sucessivos recuos, acumula baixa de 23,8% em quase um mês em cidades paulistas. A queda foi atribuída à concorrência entre as distribuidoras. Com metade da safra 2008/2009 na região maior produtora de álcool de cana do mundo, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) garante que não haverá problemas de abastecimento do combustível no mercado interno de álcool na entressafra, do fim de dezembro a março de 2009.

O consumo de álcool no Brasil cresceu 52,94% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2007, igualando a demanda nacional por gasolina, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo a ANP, o preço do etanol no período caiu cerca de 12%, forçando uma queda no preço da gasolina de 5%, de acordo com a ANP. O consumo de álcool hidratado no país subiu de 3,9 bilhões de litros na primeira metade de 2007, para 6,0 bilhões de litros no primeiro semestre deste ano, com alta de 52,94%. E a demanda de álcool anidro aumentou de 2,74 bilhões de litros, para 3,0 bilhões de litros no período, uma alta de 9,82%. O consumo de gasolina A (pura), caiu de 9,1 bilhões de litros, para 9,0 bilhões de litros, ou 1,59%. Já o de gasolina C (com adição de álcool) no período subiu de 11,9 bilhões de litros, para 12,0 bilhões de litros, um aumento de 1,03%.

Segundo a ANP, a tendência é de que até o final do ano o consumo total de álcool no Brasil supere o volume de gasolina comercializada no país. Alguns fatores explicam esse aumento do consumo de álcool no Brasil. O principal deles é o fator preço. Contribuem também a ampliação da frota brasileira bicombustível e o aumento da fiscalização para tirar alguns volumes de álcool da ilegalidade. Apesar do aumento do consumo, o preço do álcool ao consumidor brasileiro ficou 12,1% mais barato em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço do álcool no mercado brasileiro, com preços mais competitivos, está forçando uma freada no preço da gasolina ao consumidor. Nos primeiros seis meses do ano, o preço da gasolina ficou em média 5,7% mais barato no Brasil. Sem dúvida, isso é um reflexo do preço mais barato do álcool ao consumidor. A despeito do aumento da gasolina autorizado pelo governo neste ano, o combustível ainda assim ficou mais barato ao consumidor por efeitos concorrenciais. Existem estatísticas informais que mostram que está havendo um aumento da conversão de veículos a gasolina para veículos a álcool. E tem gente até assumindo o risco de colocar álcool no motor a gasolina. Mais de 33 mil postos de combustível espalhados pelo Brasil terão até o fim do ano para mudar o nome do combustível nas bombas de álcool para etanol. Do total de veículos leves licenciados no primeiro semestre de 2008, 87,6% foram do tipo bicombustíveis (movidos a etanol ou gasolina), contra 7,9% dos modelos à gasolina. No mesmo período do ano passado, foram 85,6% e 10,5%, respectivamente.

A produção brasileira de álcool está projetada em 65,3 bilhões de litros em 2020, quase o triplo dos 22,8 bilhões de litros atuais. Esse crescimento de 186% no período será conseqüência da colheita de volume superior a 1 bilhão de toneladas de cana, mais que o dobro das atuais 490 milhões de toneladas, segundo projeções da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). A adoção do etanol como combustível renovável não tem volta. O álcool não será o substituto definitivo do petróleo, mas terá espaço garantido e considerável no mercado brasileiro. O grande desafio que permanece é conquistar mercado internacional e garantir ao etanol tratamento de commodity, como a soja, uma matéria-prima com liquidez global e mercado dinâmico.

As exportações brasileiras de álcool cresceram 31,3% entre janeiro e julho. O volume de etanol exportado pelo Brasil no acumulado entre janeiro e julho de 2008 é 31,3% superior ao registrado em igual período de 2007. Nos primeiros sete meses de 2008, foram exportadas 2,054 bilhões de litros de álcool, contra 1,56 bilhão de litros em 2007. Em julho foi exportado 480,5 milhões de litros, recorde para um único mês. A receita com as exportações brasileiras de álcool foram de US$ 1,171 bilhão, no acumulado de 2008, superior em 36,3% ao acumulado em 2007 que foi de US$ 859 milhões. Em julho, a receita atingiu US$ 280,8 milhões, também recorde e 74% superior aos US$ 161,5 milhões registrados em julho de 2007.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Setembro/2008




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