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CANA/AÇÚCAR/ÁLCOOL: PREÇOS DO AÇÚCAR EM ALTA E ETANOL EM ESCALADA

Colheita de Cana-de-Açúcar Cana-de-açúcar
Os preços do açúcar e do etanol devem manter sua tendência altista nos próximos meses em função da nova quebra de safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul brasileiro prevista pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Embora um número entre 530 e 540 milhões de toneladas já fosse esperado, a produção estimada de 533,5 milhões de toneladas ficou mais próxima do piso das expectativas. Considerando a previsão inicial de uma safra 2011/2012 de 568,5 milhões de toneladas, a perda é de 35 milhões de toneladas. Já em relação aos 557 milhões de toneladas verificadas na safra passada, a queda esperada é de 24 milhões de toneladas. Se confirmada a estimativa, será a primeira vez em mais de dez anos que a produção de cana-de-açúcar do Centro-Sul registrará recuo em relação ao ano anterior. Este número pode ficar ainda menor em decorrência dos efeitos das geadas em algumas regiões, não totalmente quantificados.

As regiões atingidas podem ter uma queda entre 20% e 30%. Na atual previsão foram consideradas perdas de 2 milhões de toneladas provocadas pelas geadas. As perdas totais devem superar este volume um pouco. Ainda é cedo para quantificar os prejuízos causados nas regiões produtoras de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Além da perda da cana, a produtividade agrícola também caiu. A produtividade deve registrar perda de 5%. A partir de agora as perdas de rendimento serão reduzidas. Não deve haver melhora da produtividade, mas nem piora. Existe um enorme potencial de recuperação do canavial, que pode superar 70 milhões de toneladas apenas se a produtividade agrícola voltar aos níveis registrados antes da crise financeira. Para isso, há necessidade de novos investimentos no setor. Diante da ausência de capital novo neste setor, é improvável que a oferta e demanda se equilibre nesta ou na próxima safra.

Açúcar
No mercado internacinal, os preços deverão voltar a subir à medida que a oferta de açúcar do Brasil no decorrer da safra 2011/2012 for menor, já que a nova estimativa aponta para uma queda nas exportações de açúcar do Brasil de 1,5 milhão de toneladas nesta safra, contra o volume registrado na safra 2010/2011. Na atual safra mundial, a expectativa é de que haverá superávit de oferta, mas um superávit pequeno, que não será suficiente para recomposição de estoques dos países consumidores, ainda mais agora com esta nova quebra no Centro-Sul do Brasil. Além da oferta enxuta, o impulso nos últimos dias veio também da demanda internacional. A China deve fazer novas aquisições ainda na atual temporada – que vai até o final de setembro – e já há expectativa de aumento das importações de açúcar desse país também no próximo ano comercial. O volume ficará entre 2 e 3 milhões de toneladas, representando, no mínimo, aumento de 20% no volume de importações chinesas.

Os preços do açúcar estão 54,8% maiores que em julho de 2011 sobre o mesmo mês do ano passado. Os preços no mercado interno voltaram a subir e atingiram uma média de R$ 65,00 por saca de 50 quilos. A expectativa agora é de que o produto alcance, sem qualquer dificuldade, novos valores recordes acima de R$ 76,00 por saca de 50 quilos. Após uma produção menor de açúcar no ano passado, os preços que seguiam em patamares máximos de R$ 50,00 por saca de 50 quilos até agosto de 2010, ganharam fôlego no final do ano e alcançaram a marca de R$ 75,00 por saca de 50 quilos. Em janeiro deste ano, em pleno pico da entressafra, foi registrado o maior valor médio mensal da história do açúcar, com R$ 76,00 por saca de 50 quilos. De fevereiro até maio, a situação se inverteu e as cotações do produto acumularam queda de 30%, dado principalmente à expectativa de colheita da nova safra brasileira. Já durante o mês de maio a expectativa do mercado mundial ainda estava focada na produção indiana, que tinha projeções de recuperação, o que traria alivio às cotações, bastante elevadas naquele momento.

Após a confirmação de uma grande safra indiana, o país resolveu destinar mais de 93% de sua produção de açúcar para o mercado interno e a formação de estoques. Após esse período, os preços voltaram a subir até chegarem a esse patamar de R$ 65,00 por saca de 50 quilos em julho. O preço começou a cair em maio por conta da entrada de safra, que gera uma pressão normal nas cotações. Quando o mercado externo assimilou que a oferta da Índia não seria suficiente os preços tornaram a subir, aliado a isso veio a confirmação de quebra de safra brasileira de cana 2011/2012. Essa quebra de safra e a atual demanda por açúcar no mercado interno e externo irão pressionar os preços desde já, e os elevarão a marca recorde antes mesmo do pico da entressafra em janeiro. O maior valor que o preços atingiu foi de R$ 76,00 por saca de 50 quilos no Brasil. Os preços do açúcar não precisarão chegar até a entressafra para romper o recorde histórico. Isso deve acontecer antes de dezembro, e o período de maior escassez de safra é de dezembro a fevereiro. Não existe nenhuma sinalização no mercado interno ou externo para baixas consideráveis nas cotações do produto. As crises financeiras da Europa e dos Estados Unidos não têm afetado os preços do açúcar.

O mercado não tem nenhuma razão para sinalizar quedas no açúcar, pelo contrário, há colheita menor esse ano. Os usineiros brasileiros estão aproveitando esse momento para ofertar menos açúcar, na expectativa de comercializá-las em períodos mais estratégicos, ou seja, com preços mais altos, para ampliar a lucratividade. Existe um movimento estratégico das usinas para aumentar a oferta, mesmo porque estamos em pleno período de safra e os preços voltaram a subir e isso não é normal. As usinas estão vendo esse movimento e sabem que no período de entressafra os preços estarão ainda mais aquecidos, então ela limitam a oferta para potencializar a receita no futuro. As exportações de açúcar no primeiro semestre cresceram 12% em receita se comparado ao mesmo período do ano anterior, passando de US$ 4,9 bilhões em 2010 para US$ 5,5 bilhões. Já os volumes recuaram 10%, fechando em 9,4 milhões de toneladas esse ano. Essa redução na exportação é um reflexo de um ajuste para que o mercado interno seja abastecido completamente, pois a demanda aqui ainda segue bastante aquecida.

Colhedora de Cana John Deere em ação Etanol
O mercado nacional de veículos vive uma situação tão positiva que está colocando o Brasil na desconfortável posição de ser um grande produtor global de etanol sem conseguir ter o bastante para atender a própria demanda. Enquanto as vendas de veículos bicombustíveis cresceram 21,7% entre 2008 e 2010, a produção de etanol no Brasil entre a safra 2008/2009 e a atual (2011/2012) deverá cair mais de 12%, com a recente revisão da safra no Centro-Sul brasileiro, devido a problemas climáticos e baixos investimentos na renovação dos canaviais. A estimativa de produção de etanol do Centro-Sul nesta safra é de 22,5 bilhões de litros. A região representa 90% da safra de cana do Brasil. O impacto do gargalo criado por uma frota de veículos bicombustível que crescerá em perto de 3 milhões de unidades apenas este ano também deve colocar mais pressão no governo para conter a inflação, que está próxima do teto definido pelo Banco Central. O descompasso entre oferta e demanda de etanol deve persistir até pelo menos 2015. Para a próxima safra, praticamente não tem nada de usina nova entrando. E quando a usina começa a produzir, ela não entra com capacidade total no primeiro ano. Mesmo se as vendas de carros não crescessem, ainda assim ficaria apertado.

A situação de oferta apertada gerou forte oscilação de preços este ano. Os valores do etanol anidro (usado na mistura de 25% com gasolina) dispararam 127,5% em abril ante o nível de dezembro de 2010, enquanto os do etanol hidratado (usado em substituição à gasolina) saltaram 55%. A projeção é que a demanda de gasolina no Brasil crescerá 12% em 2011, após ter subido 17,5% em 2010, enquanto a por etanol hidratado deve cair 11%, em meio à alta de preços do álcool que faz consumidores recorrerem mais à gasolina para abastecer a frota bicombustível. A Petrobras aumentou este mês sua produção de gasolina em 12,5% para tentar evitar nova importação do combustível diante do alto consumo interno. A principal medida neste momento é que as distribuidoras estão contratando os volumes que conseguem contratar de etanol para assegurar a oferta de longo prazo do produto. A frota de veículos bicombustíveis do país é de 12 milhões. Com isso, o consumo potencial total de etanol por esses carros seria de 21 bilhões de litros anuais, considerando a média de consumo por veículo entre 2005 a 2010, de 1.756 litros.

Incluindo mais 2,76 milhões de automóveis que serão adicionados à frota este ano, de acordo com previsão da Fenabrave, o total pularia para 25,8 bilhões de litros. A demanda de etanol para veículos em 2011 será de 23 bilhões de litros, considerando 14 bilhões de litros de hidratado e 9 bilhões de litros de anidro, queda de 11,5%, se mantida a proporção de 25% de mistura na gasolina. O governo, porém, avalia reduzir a mistura para 18%. Até no máximo outubro o governo decidirá se vale a pena diminuir a mistura de etanol anidro na gasolina. O problema da oferta apertada de etanol não tem saída no curto prazo, diante da necessidade de investimentos para se duplicar a produção de cana do país de modo a atender uma venda anual de 6 milhões de veículos estimada para 2020. Em 2020 será preciso ter dobrado a produção, para 1,2 bilhão de toneladas de cana. Para isso, tem que ter investimento em mais 130 a 140 novas unidades produtoras. São necessários R$ 170 bilhões em investimentos para abastecer 60% do consumo de combustível do veículo leve, numa repetição do ciclo de investimentos de 2005-2009.

Os preços do etanol hidratado na bomba devem subir cerca de R$ 0,15 a R$ 0,20 por litro no curto prazo e depois se estabilizar até o período de entressafra. A alta nas cotações não deve impactar na inflação. Os preços vão encontrar um limite no próprio consumo. Quando o hidratado perder a competitividade, o consumidor migrará para a gasolina. O movimento de migração, que já está acontecendo, tem sido mais rápido do que o registrado em 2010. A contenção na demanda do hidratado já está em curso, o que deve garantir mais estoques para a entressafra. Considerando a média de preços do etanol calculada pela Agência Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustível (ANP) na semana terminada em 8 de julho em São Paulo, de R$ 1,80 por litro, a cotação deve atingir, no máximo, R$ 2,00 por litro. A contenção esperada pelo maior preço pode tornar desnecessária a redução da mistura de anidro na gasolina de 25% para 18%. Assim como o Brasil importou 400 milhões de litros de etanol dos Estados Unidos no início de 2011 para abastecer o mercado, um novo movimento importador pode ser realizado para equilibrar o abastecimento. O volume estimado que deixaria o mercado doméstico com um estoque confortável seria de 1 bilhão de litros.

Em 2011, ao contrário de outros anos, a deflação nos preços foi muito menor na pósentressafra e o álcool já voltou a subir. O preço médio de junho ficou em R$ 1,937, o maior para este mês em dez anos na série da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Além disso, na semana que inclui os primeiros dias de julho, o preço médio no país voltou a subir e fechou em R$ 1,975, valor que representou 71,5% do preço da gasolina na mesma série da ANP. O menor recuo no preço do combustível em relação à entressafra e a volta antecipada dos aumentos pode ser atenuada, mas não revertida pela decisão do governo de reduzir para 18% a participação do álcool anidro na gasolina. O preço do álcool não deve voltar a cair este ano, e a medida do governo de reduzir a mistura do etanol anidro na gasolina é necessária. Normalmente, o período da queda do preço é logo no início da safra, ou seja, abril e maio. Ainda caía um pouco em junho e julho quando havia expansão da produção de cana. Neste ano, porém, o preço subiu no fim de junho. Apesar das deflações de 12,04% e 10,38% nos meses de maio e junho, o etanol hidratado ainda acumula elevação de 3,27% desde o primeiro mês do ano. Em 2010, o combustível, no mesmo período, acumulava retração de 19,1%.

A produção de etanol não está acompanhando o aumento da demanda com a popularização do carro flex fuel, que funciona com etanol ou gasolina e representa 49% da frota de comerciais leves, o que mantém o preço do combustível pressionado. Segundo relatório da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), do início da safra até a primeira quinzena de junho, a produção de etanol atingiu 5,34 bilhões de litros, sendo 3,4 bilhões de litros de hidratado e 1,94 bilhão de litros de anidro, usado na mistura da gasolina - 25,4% menor que o produzido na mesma época da safra anterior. O principal fator que está afetando o preço do combustível neste ano, mais do que a demanda firme por carros flex, é a oferta. A previsão é que a produção de etanol atinja 26,9 bilhões de litros, contra 27,5 bilhões de litros produzidos na safra passada. A safra produziu até agora 3,398 bilhões de litros de etanol, queda de 36,8%. Já a produção de etanol anidro (misturado à gasolina) aumentou 9%, atingindo 1,938 bilhão de litros. Segundo a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), 46,9% da cana será destinada a açúcar, contra 44,9% na safra passada. Isso deve levar a uma redução de 11,2% na produção de etanol, o que impactará exclusivamente o hidratado, que deve registrar queda de 22,1%, para 14 bilhões de litros. A produção de anidro deve crescer 15,3% para 8,5 bilhões de litros, o que indica que o setor já prevê que a gasolina ficará mais competitiva que o etanol na maior parte do País.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Especial: Perspectivas para 2011/2012




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