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Soja: Tendência de alta no curto e no longo prazo

Colheita de Soja No mercado interno de soja, na média das principais regiões produtoras do País, na média das principais regiões produtoras do País, o preço no disponível de lotes registrou uma recuperação de 6,4% na primeira quinzena de agosto. Na Bolsa de Chicago, as cotações no contrato setembro de 2008 subiram 7,5% em uma semana e recuaram 12,3% nos últimos 30 dias. A tendência é de preços futuros da soja sustentados em fundamentos a partir de agora, depois da expressiva volatilidade dos últimos dias. Nas últimas semanas, os preços futuros na Bolsa de Chicago foram pressionados por liquidações de fundos e especuladores. Agora, os fundamentos dão suporte às cotações da soja. Mas a soja ainda continua vulnerável a movimentos especulativos e indicadores econômicos mais amplos. A expectativa é que os preços futuros da soja encontrem suporte nas mínimas recentes, de US$ 11,74 por bushel para a soja. Os preços futuros da soja já teriam atingido as mínimas de curto prazo, após as quedas recentes, e estariam propensos a uma recuperação. A soja tem possibilidade de recuperação de preços no curto prazo no Brasil. Isso porque o saldo da safra 2007/2008 está pequeno e deve haver correção para cima para estimular o plantio.

Os fundos estão liquidando commodities devido a dois fatores principais: a valorização do dólar em relação às principais moedas internacionais e a perspectiva de redução na demanda mundial por matérias-primas, reflexo de sinais de desaquecimento econômico das grandes potências e dos países emergentes. O dólar atingiu o maior preço em seis meses em relação ao euro, também influenciado por uma pesquisa que mostrou aumento da confiança do consumidor americano. O fortalecimento da moeda americana pressiona o preço das matérias-primas, que precisam se ajustar ao poder de compra internacional. Diante disso, os fundos liquidam contratos de commodities e abrem posições nos mercados de dólar e ações. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) divulgou relatório em que prevê um aumento dos estoques mundiais como conseqüência do menor crescimento econômico. A queda do petróleo tem impactos diretos de curto e longo prazo sobre os mercados agrícolas. Em primeiro lugar, obriga os fundos a liquidar contratos de todas as commodities, a fim a respeitar a proporcionalidade de suas carteiras. Em segundo lugar, o petróleo mais barato tende a reduzir os custos de produção bem como a procura por combustíveis alternativos, como o etanol de cana-de-açúcar ou o biodiesel de soja. Portanto, se o petróleo continuar a cair, os grãos têm grande chance de acompanhar - pelo menos, até um certo limite. Isso porque o atual balanço de oferta e demanda mundial de soja segue de modo geral altista. A posição atual dos fundos de investimentos é de 46,5 milhões de toneladas de soja, abaixo do recorde de 57,0 milhões de toneladas de junho.

Colheitadeira John Deere em campo de Soja Segundo o relatório de Oferta e Demanda mundial de agosto, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), no quadro mundial, a principal alteração foi a redução da estimativa da safra brasileira 2008/2009, que passou de 64,0 milhões de toneladas no relatório de julho, para 62,5 milhões de toneladas no relatório de agosto. Segundo o relatório do USDA, os produtores brasileiros devem diminuir o plantio de soja em função do recuo das cotações na Bolsa de Chicago. O que o Brasil perdeu em produção foi acrescentado na estimativa de safra da Argentina, de 48,0 milhões de toneladas, para 49,5 milhões de toneladas. Outro destaque do quadro de Oferta e Demanda mundial foi na China. No relatório de agosto, o USDA aumentou a estimativa de importação para o país. De acordo com o USDA, no ciclo 2008/2009, a China devem importar 36,0 milhões de toneladas de soja. Em julho, a projeção era de 35,5 milhões de toneladas. O USDA também aumentou a estimativa das importações da China na safra 2007/2008, que passou de 34,4 milhões de toneladas, para 35,4 milhões de toneladas. Já a safra da Argentina foi reduzida de 47,0 milhões de toneladas, para 46,5 milhões de toneladas. A produção do Brasil permaneceu em 61,0 milhões de toneladas. A produção mundial de soja está estimada em 237,36 milhões de toneladas, para um consumo projetado em 237,88 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais cresceram apenas 0,8%, de 48,87 milhões de toneladas, para 49,28 milhões de toneladas.

Para os EUA, a safra de soja 2008/2009 foi reduzida para 80,91 milhões de toneladas, 0,9% menos que o estimado no relatório de julho. A redução é resultado do corte de 2,6% na projeção de produtividade, que caiu de 46,63 sacas por hectare, para 45,39 sacas por hectare. A redução no rendimento foi grande o suficiente para compensar o incremento nas estimativas de área plantada e colhida. Ambas ficaram acima da expectativa média do mercado, que esperava 30,11 milhões de hectares e 29,46 milhões de hectares, respectivamente, contra os 30,27 milhões de hectares e 29,66 milhões de hectares do USDA. As projeções de produção e de rendimento do USDA ficaram abaixo das estimativas do mercado. Em função do bom desenvolvimento das lavouras de soja no Meio-Oeste dos EUA, o mercado estimava que o USDA repetisse o rendimento de julho (46,63 sacas por hectare). Para a produção, o volume esperado era de 81,73 milhões de toneladas. Com a produção menor, o USDA reduziu em 0,5% o consumo total que caiu de 81,54 milhões de toneladas, para 81,10 milhões de toneladas. Boa parte dessa diminuição se deve à redução da estimativa de esmagamento, que passou de 49,81 milhões de toneladas no relatório de julho, para 49,4 milhões de toneladas neste relatório de agosto. Mesmo com a queda no consumo, os estoques finais da safra 2008/2009 nos EUA sofreram nova redução e passaram de 3,81 milhões de toneladas, para 3,67 milhões de toneladas, um volume abaixo da expectativa média do mercado, de 3,86 milhões de toneladas. Com isso, a relação estoques/consumo recuou apenas 0,2 ponto percentual e ficou em 4,5%. Para a safra passada (2007/2008) dos EUA, a única mudança esperada pelo mercado dizia respeito aos estoques finais. A expectativa era de um aumento para cerca de 3,54 milhões de toneladas. O USDA reduziu o esmagamento, que caiu de 50,08 milhões de toneladas, para 49,91 milhões de toneladas, e os estoques foram estimados em 3,67 milhões de toneladas. Apesar disso, a relação estoques/consumo subiu de 4,1%, para 4,4%.

Para 2008/2009, 50% da safra mundial sequer começou a ser plantada. O mercado passará a depender de uma maior produção na América do Sul. Na América do Sul, a área de soja crescerá mais na Argentina e no Paraguai, e menos no Brasil, o maior produtor. Os mercados começam a especular sobre o futuro dos grandes exportadores, entre os quais estão a América Latina. Apesar da perspectiva positiva para o Brasil, no campo, o impacto da correção das commodities será maior que na Argentina e no Paraguai, por exemplo. A principal justificativa está no câmbio. O dólar nesses países vale mais de 3 vezes o valor da moeda local. Enquanto que, no Brasil, a relação é de 1,6 vezes. Assim, a estimativa é que, por exemplo, a safra de soja cresça mais nesses países que no Brasil. A projeção é de que área cultivada na Argentina e no Paraguai cresça 5%, mais que o dobro dos 2% a 3% esperados para o Brasil. O preço em US$ 12,00 por bushel está muito abaixo do recorde de US$ 16,00 por bushel, mas oferece uma rentabilidade mínima, em torno de 5%. Mas o produtor terá que garantir produtividade para não fechar no vermelho. Nas condições atuais, o plantio será mais afetado na Região Centro-Oeste, principalmente em Goiás e em Mato Grosso. Além de uma perspectiva de ganhos menores, e em muitos casos até prejuízo, o produtor não tem acesso ao crédito colocado à disposição pelo governo devido às dívidas anteriores. Se confirmado um prejuízo de até R$ 100 por hectare para o produtor de soja do Mato Grosso, haverá um grande desestímulo e a área prevista de plantio poderá até recuar. O teto dos preços da soja e dos outros grãos já passou, mas com esse cenário de preços baixos e redução de plantio está se construindo a de 2009, mas sem a participação dos fundos. Sem o estímulo do preço bastante elevado para 2009, a área de produção não cresce e aí teremos mais um cenário de alta em 2009. Os produtores que compraram os insumos antecipadamente e travaram os preços, ou seja, já acertaram os valores de vendas de seus produtos, vão ter lucro. Os que compraram os insumos, mas não travaram os preços, vão apenas empatar. Já os que ainda não fizeram nenhuma dessas opções, provavelmente não vão nem plantar porque o prejuízo seria certo.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Setembro/2008




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