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Soja: tendência de alta no curto prazo e no longo prazo

Colheita de Soja A tendência é de alta gradual dos preços da soja no mercado interno durante este segundo semestre. No mercado interno de soja, na média das principais regiões produtoras do País, os preços acumulam uma alta de 4,1% em uma semana e de 8,1% nos últimos 30 dias. Os preços devem seguir em recuperação no curto e no médio prazo, com oferta enxuta, demanda interna firme para farelo, óleo e biodiesel, saldo de 28% da safra 2009/2010 a ser comercializado e preços futuros mostrando firmeza. Para o ciclo 2010/2011, a projeção é de um aumento de área de soja no Brasil, entre 2% e 3%, parte ocupando o que será deixado de cultivar na 1ª safra de milho (verão). A provável queda da produtividade decorrente dos efeitos negativos do fenômeno La Niña, deve reduzir o volume de produção e colaborar para elevar os preços da soja no mercado externo e no mercado interno em 2011. O fenômeno La Niña também deverá afetar as áreas de soja na Argentina e no Paraguai, os dois mais importantes países produtores da região, depois do Brasil.

O resfriamento das águas do Oceano Pacífico equatorial deve aumentar gradualmente no decorrer deste inverno, com o La Niña totalmente configurado durante a Primavera e permanecendo durante o verão 2011. A previsão é de um episódio de intensidade moderada a forte e deve durar pelo menos até o outono de 2011. Lembrando ainda que o último La Niña ocorreu no Verão 2007/2008. Porém, dadas as características como intensidade, rapidez na formação e provavelmente duração, o episódio deste ano está muito semelhante com o observado no segundo semestre de 1998 e verão 1999. Para a lavoura de soja do Brasil o Fenômeno La Niña tem dois impactos bem caracterizados: Primeiro atrasa o retorno das chuvas no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Enquanto para as lavouras do Sul do Brasil e também de Mato Grosso do Sul reduz a incidência de chuva e aumenta o risco de estiagens regionalizadas no verão. Para a safra 2010/2011, portanto, muda o cenário climático, principalmente quando comparado com o observado na safra passada. O retorno das chuvas este ano deve ocorrer somente no final de outubro e no decorrer de novembro, mesmo assim de forma muito irregular, o que deve implicar no atraso do plantio para as lavouras de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins. Durante o verão as chuvas nesses estados devem apresentar um comportamento médio, com o risco das chuvas se prolongarem até abril e meados de maio. Já as lavouras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e também de Mato Grosso do Sul não devem enfrentar grandes problemas na fase de plantio entre outubro e novembro, porém devem considerar o risco de estiagem durante os meses de verão. Inclusive, a continuidade do La Niña remete para um outono também com chuvas abaixo da média.

Colheitadeira John Deere em campo de Soja Na Bolsa de Chicago, as cotações da soja no contrato novembro de 2010 subiram 5,7% em uma semana e 4,6% nos últimos 30 dias. O clima sobre a safra de soja 2010/2011 nos EUA; a demanda externa; e os indicadores técnicos são os fatores que devem centralizar a atenção do mercado futuro de soja no curto prazo. Segundo o último relatório de acompanhamento de safra que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou, até o dia 11 de julho, 65% das lavouras de soja da safra 2010/2011 dos EUA estavam em condições boas e excelentes. É a quinta semana consecutiva que as condições das plantações da oleaginosa norte-americanas pioraram. O cenário de estoque ajustado nos Estados Unidos mantém os preços dos vencimentos mais curtos da soja em alta na Bolsa de Chicago (CBOT). O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu em 5,4% sua estimativa para os estoques finais de soja na safra 2009/2010 nos EUA. O relatório de julho, divulgado na sexta-feira passada, aponta para uma disponibilidade de 4,75 milhões de toneladas contra pouco mais de 5 milhões de toneladas previstas em junho. A redução era esperada pelo mercado e contribuiu para dar sustentação aos preços futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago. O mercado não descarta o possível impacto do clima no período mais crítico de desenvolvimento das lavouras dos EUA, em agosto. A incerteza do clima e seu impacto no nível de produtividade mantêm os vendedores cautelosos. Agosto é um período crítico para as plantas, que atingem a fase de formação e enchimento de grãos, determinante para a produtividade das lavouras.

No curto prazo, a expectativa é saber se a China importará mais soja e se a compra será da safra velha (2009/2010) ou da nova (2010/2011), dos EUA. O último relatório de oferta e demanda mundial, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, teve impacto limitado nos preços futuros da soja. Os fatores que sustentam o movimento de alta continuam os mesmos, fatores técnicos, clima e ganhos no petróleo. Para a safra 2010/2011, a estimativa da produção mundial de soja é de 251,29 milhões de toneladas (contra 249,93 milhões de toneladas no relatório de Junho), uma queda de 3,2% em relação as 259,70 milhões de toneladas produzidas na safra 2009/2010. O consumo mundial em 2010/2011 está estimado em 247,57 milhões de toneladas, um aumento de 5,1% em relação as 235,58 milhões de toneladas projetadas para a demanda neste ciclo 2009/2010. Ainda assim, os estoques finais mundiais de soja em 2010/2011 crescerão para 67,76 milhões de toneladas (contra 66,99 milhões de toneladas projetados em Junho), 3,7% acima dos estoques finais mundiais da safra atual (2009/2010), de 65,35 milhões de toneladas.

A relação entre estoques finais mundiais de soja e a demanda mundial recuará para 27,4% em 2010/2011, contra 27,7% registrados na safra atual (2009/2010). O USDA elevou as estimativas de importação de soja pela China de 47,0 milhões de toneladas, para 48,0 milhões de toneladas em 2009/2010 e de 49,0 milhões de toneladas, para 50,0 milhões de toneladas em 2010/2011. O volume a ser importado pela China em 2010/2011 representa um aumento de 4,2% em relação às importações da safra 2009/2010 e de 21,6% em relação às 41,1 milhões de toneladas importadas em 2008/2009. As importações de soja da China devem ter alcançado 6,45 milhões de toneladas em junho, segundo projeções do Centro Nacional de Informação de Grãos e Óleos da China (CNGOIC). Se concretizado, o volume adquirido estabelecerá um novo recorde para a oleaginosa. A China deve importar 5,0 milhões de toneladas neste mês de julho, 4,5 milhões de toneladas em agosto e 4,0 milhões de toneladas em setembro, segundo projeções da CNGOIC.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Especial: Perspectivas para 2010/2011




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