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Arroz: Tendência de alta no curto prazo e baixa no longo prazo

Colheita de Arroz Os preços do arroz estão estabilizados, após um período de baixas sucessivas entre maio e junho, apesar da quebra da safra de arroz irrigado do Rio Grande do Sul. As baixas de preços decorreram do recuo de 25% dos preços mundiais do arroz entre janeiro e abril de 2010, recuo de 52% das exportações brasileiras no acumulado do ano-safra 2009/2010, predominância de exportações de quebrados de arroz (com redução das exportações de arroz branco e parboilizado), queda do dólar que melhora a competitividade das importações, redução dos volumes beneficiados no 1º semestre do ano e ausência de mecanismos de suporte do governo aos preços como leilões de PEP (Prêmio de Escoamento de Produto) e de Contratos de Opções. Os preços do arroz em casca estão mais estáveis, não recuaram mais desde o início da semana passada e até registram ligeiros ganhos nos últimos dias. Entre o início do mês de maio e o final do mês de junho, no Rio Grande do Sul, o preço médio ponderado do arroz em casca havia recuado 10,2% ou o equivalente a quase R$ 3,00 por saco de 50 Kg. O arroz em casca está cotado em média a R$ 26,43 por saco de 50 Kg, contra R$ 26,06 por saco de 50 Kg na semana anterior e R$ 29,01 na primeira semana de maio. Os preços do arroz em casca, no Estado, acumulam uma leve alta de 1,4% em uma semana, uma baixa de 0,9% nos últimos 30 dias e de 4,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Os preços do arroz em casca ao produtor do Rio Grande do Sul, para um produto com 58% a 60% de grãos inteiros, oscilam em uma faixa entre R$ 26,00 e R$ 27,00 por saco de 50 Kg, FOB produtor.

O governo alega que os preços não caíram abaixo do Preço Mínimo oficial, de R$ 25,80 por saca de 50 Kg e, por isso, não teria acionado leilões para o produto. Na segunda semana de julho, o governo limitou-se a liberar recursos para Aquisições do Governo Federal (AGF). A Conab deve comprar em julho 57,6 mil toneladas de arroz, nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Serão 50 mil toneladas de arroz do estado gaúcho e 7,6 mil toneladas do catarinense. A operação absorve uma parcela inexpressiva de oferta do mercado, equivalente a 0,5% da safra 2009/2010, de 11,356 milhões de toneladas.

Neste segundo semestre, entretanto, a tendência é de recuperação gradual dos preços do arroz em casca, com o ajustamento no quadro de oferta e demanda, melhoria dos volumes exportados, possibilidade de recuperação das cotações internacionais no curto prazo (com problemas climáticos na Ásia), melhor fluxo de vendas do produto beneficiado do atacado para o varejo e projeção de estoques finais equivalente a menos de um mês de consumo nacional. Em junho, as exportações brasileiras de arroz cresceram 81,3%, para 82,7 mil toneladas (base casca). Com isso, o potencial de exportações no ano-safra 2009/2010 sobe para, pelo menos 400 mil a 450 mil toneladas, contra a previsão inicial da Conab, de 300 mil toneladas, mas bem abaixo das 894,4 mil toneladas exportadas no ano-safra anterior (2008/2009). Entre março e junho deste ano, as importações de aproximam de 300 mil toneladas (base casca), o que deve resultar em um volume total internalizado neste ano-safra de 2009/2010 entre 850 mil e 950 mil toneladas (base casca).

Colheitadeira John Deere em campo de Arroz Para 2010/2011, a projeção é de preços médios mais baixos no mercado interno, com a projeção de recuperação da safra brasileira, principalmente, em função do favorecimento da produtividade média nas áreas irrigadas do Sul com o fenômeno La Niña, o que deve puxar a produção nacional para uma faixa entre 12,6 e 12,8 milhões de toneladas, acima do consumo interno, de 12,5 milhões de toneladas. Além disso, a expectativa é de um aumento da produção mundial e dos estoques mundiais em 2010/2011, maior folga no quadro de oferta e demanda interna e elevação dos estoques de passagem no Brasil.

A estimativa é de uma produção mundial de arroz (beneficiado) de 459,28 milhões de toneladas na safra 2010/2011, um aumento de 4,2% em relação à safra 2009/2010, de 440,58 milhões de toneladas. O consumo mundial está estimado em 452,11 milhões de toneladas no ciclo 2010/2011, contra 442,01 milhões de toneladas previstas para a safra atual 2009/2010. Com isso, os estoques finais mundiais de arroz em 2010/2011 devem crescer para 96,61 milhões de toneladas (beneficiadas), 8,0% acima dos estoques finais mundiais da safra passada (2009/2010), de 89,44 milhões de toneladas. A relação entre estoques finais mundiais de arroz e a demanda mundial em 2010/2011 deverá crescer para 21,4%, contra os 20,2%, verificados na safra atual (2009/2010), mas bem abaixo dos 38,1% no ciclo 2000/2001 (recorde histórico). Destaque para a safra de arroz 2010/2011 da Índia que deve crescer 13,1%, para 99,0 milhões de toneladas (beneficiadas), contra 87,5 milhões de toneladas (beneficiadas) em 2009/2010.

Entretanto, na Tailândia, o maior exportador mundial de arroz, 60% do país está há meses sem chuvas. A produção poderá recuar para o menor nível em oito anos devido à seca e aos estragos provocados por ataques de gafanhotos. A estimativa do governo de produção para arroz branco 100% B, uma referência na Ásia, foi rebaixada para 23 milhões de toneladas, uma queda de 0,9% em relação à estimativa anterior. Segundo a Agência para Agricultura e Alimentação da ONU (FAO), a produção tailandesa de arroz poderá ficar em 22 milhões de toneladas no ano fiscal que se iniciará em outubro. Se confirmada, será a pior safra desde 2002. A estiagem já atinge 44 províncias da Tailândia, quase 60% do território do país. Segundo a Associação de Processadoras de Arroz da Tailândia, a oferta menor no mercado internacional pode levar os preços do arroz 100% B para US$ 500,00 a tonelada até o fim deste ano.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Especial: Perspectivas para 2010/2011




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