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Arroz: Tendência de estabilidade no curto prazo e alta no longo prazo

Colheita de Arroz A tendência é de estabilidade do preço do arroz no curto prazo e de recuperação moderada no médio e longo prazo. No Rio Grande do Sul, a cotação atual do arroz em casca, ao produtor é, em média, de R$ 33,46 por saco de 50 Kg, contra R$ 32,18 por saco de 50 Kg na primeira semana de agosto e R$ 35,32 por saco de 50 Kg na segunda quinzena de maio (a maior média deste ano-safra 2007/2008). No Estado, a cotação do arroz em casca, ao produtor, em média, acumula uma alta de 44,8% nos últimos 12 meses, um recuo de 2,6% nos últimos 30 dias e uma alta de 56,1% no ano-safra 2007/2008 (03/03/2008 a 19/08/2008). Os preços oscilam em uma faixa entre R$ 32,50 a R$ 34,50 por saco de 50 Kg, FOB produtor, no Rio Grande do Sul. A estabilidade do mercado, desde maio passado, decorre da oferta restrita, tanto de arroz livre, como do produto armazenado nas indústrias, somada ao maior interesse de beneficiadoras em comprar arroz em casca, especialmente as da região Sudeste. Parte das indústrias gaúchas continua resistente em negociar a preços maiores, apontando dificuldade de repasse do arroz beneficiado. Com previsão de menor produção nacional de arroz na atual safra, o Rio Grande do Sul, onde a colheita foi recorde, cresce como opção de abastecimento para outros Estados. A estimativa de encolhimento da oferta de grão para industrialização, que já fez o preço da saca de 60 quilos subir para até R$ 43,00 em outras regiões do país, tem incentivado indústrias de Goiás, Mato Grosso e São Paulo a ampliar a compra do produto gaúcho.

Um dos motivos da estabilidade prolongada dos preços é a oferta sistemática de estoques da Conab, através de leilões mensais. Neste mês de agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) oferta 90 mil toneladas de arroz. 30 mil toneladas de arroz foram leiloadas no dia 13 de agosto. O produto ofertado teve problemas relacionados a desvios e decisões judiciais e é conhecido como estoque de risco. O governo federal deu garantias de que, se o preço do cereal tiver queda, diminuirá a oferta do próximo pregão, programado para o dia 27 de agosto. O leilão do final do mês colocará a venda 60 mil toneladas, sendo 50 mil toneladas depositadas no Rio Grande do Sul e 10 mil toneladas em Santa Catarina. A Conab afirma que está acompanhando esse processo mensalmente, junto com a cadeia produtiva. A próxima reunião da Conab com o setor arrozeiro vai ocorrer na Expointer, no início de setembro, quando será feita avaliação dos preços e do mercado para decidir se haverá aumento ou diminuição do ritmo dos leilões e da quantidade ofertada. Desde maio, a Conab tem ofertado arroz dos estoques públicos para estabilizar os preços no mercado. A Conab tem nos armazéns cerca de 1 milhão de toneladas do cereal.

O preço médio do arroz beneficiado branco, no atacado, em São Paulo, para o fardo de 30 Kg tipo 1, é de R$ 55,80, oscilando numa larga faixa, entre R$ 48,60 e R$ 63,00, conforme o posicionamento das marcas. O preço médio do arroz beneficiado branco, no atacado, em São Paulo, para o fardo de 30 Kg tipo 2, é de R$ 42,70, oscilando numa larga faixa, entre R$ 38,40 e R$ 47,00, também conforme o posicionamento das marcas. O preço médio do arroz beneficiado parboilizado, no atacado, em São Paulo, para o fardo de 30 Kg tipo 1, é de R$ 54,40, oscilando numa larga faixa, entre R$ 48,30 e R$ 60,50, conforme o posicionamento das marcas. O preço médio do arroz beneficiado parboilizado, no atacado, em São Paulo, para o fardo de 30 Kg tipo 2, é de R$ 39,85, oscilando numa larga faixa, entre R$ 35,50 e R$ 44,20, também conforme o posicionamento das marcas. Em comparação ao mesmo período do ano passado, os preços estão 38,9% e 57,4% respectivamente superiores para os tipos branco, 1 e 2.

Colheitadeira John Deere em campo de Arroz O outro fator de destaque para a estabilidade dos preços do arroz é o cenário internacional. No cenário internacional, os preços seguem perdendo força. As novas safras da Ásia vão ingressando continuamente no mercado. O arroz beneficiado Tai 100%B recuou para US$ 690 a tonelada FOB, contra o recorde histórico de US$ 1.080 a tonelada FOB, registrada no mês de maio passado. No Vietnã, os preços também estão em queda. Com o fim da proibição às exportações no início de julho, o mercado começou a antecipar o aumento da oferta exportável e o relançamento de novos contratos. No Vietnã, o arroz beneficiado Viet 5% está cotado a US$ 600 por tonelada FOB, após ter atingido o recorde de US$ 1.088 a tonelada FOB registrado no mês de maio de 2008. Nos EUA, os preços de exportação seguem recuando e o arroz beneficiado longo 2/4 recuou do recorde de US$ 988 a tonelada FOB em maio, para US$ 815 a tonelada FOB. O arroz em casca recuou do pico de US$ 530 a tonelada FOB em 2008, para os atuais US$ 410 a tonelada FOB. As novas estimativas da FAO indicam um incremento da produção mundial em 2007 para 657,2 milhões de toneladas de arroz em casca (equivalente a 438,1 milhões de toneladas de arroz branco). As projeções para 2008 indicam uma nova alta de 1,4% para 666,4 milhões de toneladas (444,3 milhões de toneladas na base arroz branco). Com a inflação dos preços mundiais, o comércio mundial em 2008 deve se situar em 29,7 milhões de toneladas, contra 31,3 milhões de toneladas em 2007. Quanto a um possível aumento das áreas arrozeiras, estimuladas por preços mais altos, estas poderiam ser factíveis somente a partir da próxima safra 2008/2009. Os estoques finais mundiais em 2007 foram estimados em 105,6 milhões de toneladas, contra 105,1 milhões de toneladas em 2006. Em 2008, os estoques devem subir ligeiramente para 106,0 milhões de toneladas.

As exportações brasileiras de arroz atingiram 95.500 toneladas em julho. Esse é mais um recorde para as exportações brasileiras de arroz. No acumulado do ano, as exportações brasileiras de arroz atingiram 338.000 toneladas, um aumento de 121% ante o mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras de arroz estão estimadas em 700.000 toneladas em 2008. Caso a média das exportações brasileiras de arroz permaneça em 48.285 toneladas mensais, o Brasil exportaria 579.428 toneladas em 2008. A considerável alta dos preços do arroz no mercado internacional, desencadeou um movimento de exportação no primeiro semestre deste ano. As importações brasileiras de arroz (363.100 toneladas) estão próximas das exportações brasileiras (338.100 toneladas) no acumulado entre janeiro e julho de 2008. No segundo semestre, o volume mensal não deve repetir o ritmo de julho, já que chegam ao mercado as grandes safras do sudeste asiático. Mesmo assim, como conseguiu diversificar seus destinos e mudar o perfil do produto exportado, o arroz brasileiro tende a consolidar seu espaço. O Brasil fornece para mais de 35 países. Mantido o atual ritmo de importações brasileiras de arroz nos últimos meses de 2008, com média mensal de 51.871 toneladas, o Brasil importaria um total de 622.457 toneladas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima importações de 600.000 toneladas de arroz. As principais origens das importações brasileiras seguem as mesmas: Uruguai, Argentina e Paraguai, que respondem por cerca de 99% das compras do Brasil.

Segundo o mais recente levantamento da safra de grãos 2007/2008, a redução na área de plantio de arroz foi de 3,0%. No Estado do Rio Grande do Sul, onde a cultura é irrigada, observa-se um crescimento de 11,8%, retornando ao mesmo patamar da área cultivada na safra 2005/2006. Os Estados de Rondônia, Tocantins, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia, apresentam pequeno acréscimo. Todos os Estados da região Centro-Sul, exceção do Rio Grande do Sul, tiveram a área de arroz reduzida, sendo substituída pelas culturas de milho e de soja. A produção aumentou 7% sobre o ciclo passado e deve atingir 12,111 milhões de toneladas. No relatório anterior, a produção estava estimada em 12,284 milhões de toneladas.

Para 2009, o preço do arroz deve se manter em patamar elevado, bastante acima da média histórica. Os estoques ajustados no Brasil e no exterior explicam a tendência de sustentação, que este ano teve o incentivo extra das restrições à exportação adotadas por grandes produtores asiáticos como Vietnã e Tailândia. O mercado mundial de arroz é concentrado e relativamente pequeno, ante os demais grãos. O mundo negocia apenas 7% da produção mundial e cujo preço chegou a ultrapassar US$ 1 mil por tonelada beneficiada em abril/maio de 2008, contra US$ 470 a tonelada beneficiada em 2007. Os preços recuaram para uma faixa de US$ 600 a US$ 750 a tonelada beneficiada FOB exportadores asiáticos. As exportações brasileiras devem atingir 700 mil toneladas no ano-safra 2007/2008, superando as importações estimadas em apenas 600 toneladas, contra uma média histórica de 1,1 milhão de toneladas. A projeção é de um estoque de passagem muito baixo para o próximo ciclo 2008/2009, de apenas 1,034 milhão de toneladas, o menor das últimas dez safras. Esse estoque final é suficiente para apenas 1 mês de consumo doméstico.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Setembro/2008




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