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Suíno: Tendência de alta no médio e no longo prazo

Suínos O preço interno do suíno está sendo sustentado pelas exportações e pela alta das outras carnes. Os preços do suíno vivo em Santa Catarina atingiram um novo patamar recorde. Na região de Chapecó, o quilo do suíno vivo atingiu o valor de R$ 2,79, em média, para o produtor integrado à agroindústria (R$ 2,90 para o suinocultor independente). A situação atual é um reflexo das mudanças ocorridas a partir de 2006, depois do embargo russo ao produto brasileiro. Nos últimos anos, houve recuo na integração por parte das grandes empresas e alguns produtores também saíram da atividade. A alta da carne bovina também puxa os preços do suíno e da carne suína e cresce a demanda pelo produto nos mercados internos e externos. Há outros fatores a favor da atividade: melhora da renda das famílias brasileiras, incremento da demanda mundial por alimentos e abertura de novos mercados, como Chile, China e EUA.

A produção brasileira de carne suína deve crescer 1,9% em 2008. O alojamento de matrizes suínas de 2007, no Brasil, foi menor do que o do ano anterior, mas o de 2008 deverá ser o maior desde 2003. Isto explica a previsão de uma produção de carne, em 2008, próxima da de 2007 (1,9% a mais) e crescendo em 2009 (mais 1,4% de matrizes), segundo dados da Abipecs. Santa Catarina vem sendo e continuará a ser em 2008 o maior produtor nacional seguido do Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Em 2007 a produção catarinense na suinocultura industrial correspondeu a 28,5% da nacional e em 2008 deverá ser de 27,7%. A participação dos estados mais tradicionais da suinocultura, da Região Sul e do Sudeste, tem diminuído devido ao crescimento mais destacado dos estados do Centro-Oeste, principalmente de Mato Grosso e Goiás. Isto se deve a estratégia das grandes empresas de se instalarem mais próximos da produção de grãos. O Mato Grosso se tornou o segundo maior produtor de milho e o maior produtor de soja. Esses estados, ao contrário do Sul, têm fronteira agrícola em expansão e propriedades de maior extensão, em contraste com os estados do Sul e, notadamente, em relação à Santa Catarina, onde prevalece a pequena propriedade. O destino da produção brasileira de carne suína deverá retomar neste ano o seu ciclo natural que foi quebrado em 2006, por causa da suspensão das importações da Rússia. No ano passado recuperou parte das exportações, mas só neste ano deverá superar 2005. A exportação prevista pela Abipecs para 2008 será 4% maior que a de 2005 e 7,3% maior que a de 2007. A disponibilidade interna de carne suína no Brasil, neste ano de 2008, deverá ser comparável a de 2006 e 2007, o mesmo acontecendo com o consumo per cápita. A carne suína enfrenta a concorrência da carne bovina (preferida dos brasileiros) e da carne de frango (a mais barata). A evolução das exportações de carne suína brasileira foi crescente de 2002 a 2005, caiu em 2006, e em 2007 se recuperou em valor, mas não totalmente em volume. Pela previsão da Abipecs, neste ano o volume também se recuperará. Os preços internacionais da carne suína dobraram de 2002 para 2007, aumentando de US$ 1,01/Kg, para US$ 2,02/Kg, mas com a desvalorização do dólar os resultados em reais foram bem diferentes. Os preços em reais aumentam de 2002 a 2005 e depois caíram e em 2007 ficaram 33% acima de 2002.

A exportação de carne suína cresceu apenas 0,1% no acumulado de 2008. No entanto, por outro lado, a receita com exportações de carne suína brasileira cresceram 90,48% em julho, para US$ 168,86 milhões na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em volume, houve acréscimo de 23,34% para 56.120 toneladas, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). As exportações continuam firmes, mantendo a previsão inicial. Os volumes se sustentam e os preços sobem, segundo a Abipecs. As vendas externas do setor nos sete primeiros meses do ano somaram 326.790 toneladas, alta de 0,1% em relação ao mesmo período de 2007. Na comparação com o período janeiro a julho de 2007, a receita teve acréscimo de 37,54% para US$ 876,72 milhões. A Rússia foi o principal mercado para a carne suína brasileira no acumulado de janeiro a julho, com participação de 43,46% no mercado. As exportações para a Rússia totalizaram 26.190 toneladas em julho, uma expansão de 12,15% em relação a julho de 2007. De janeiro a julho deste ano, entretanto, as exportações para o mercado russo caíram 11,38% em volume para 142.000 toneladas, embora tenham aumentado 26,28% em valor para US$ 459 mil. O segundo mercado mais importante no mês foi Hong Kong, com 20,74% de participação, somando 67,78 mil toneladas. Na seqüência estão Ucrânia (com 20,40 mil toneladas), Argentina (com 16,96 mil toneladas) e Cingapura (com 13,31 mil toneladas).

Produção de Suínos O consumo per capita de carne suína cresceu 63,8% em 15 anos. A carne suína está cada vez mais presente na mesa do brasileiro. Nos últimos 15 anos, o consumo passou de 8,0 quilos por habitante/ano, para 13,1 quilos por habitante/ano, um crescimento de 63,8%, segundo dados da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). A entidade afirma que o mercado consumidor interno está aquém do que poderia ser. Segundo a ABCS, quase 50% da população brasileira prefere o sabor da carne suína. No entanto, 36% consome carne bovina. A timidez ante aos suínos está aliada a fatores como preconceito, preço, conveniência, formato e associação com a obesidade. A falta de informação sobre o poder nutricional da carne suína e como é o processo produtivo dentro das granjas, ajudaram a criar uma visão errônea do produto. Mas a ABCS encontrou um modo de reverter o quadro. Para criar um volume maior de apreciadores, a entidade lançou a Campanha em sete cidades. O objetivo é reestruturar a forma como o produto é comercializado no Brasil e acabar com certos mitos. O plano foi elaborado a partir de uma pesquisa com consumidores que apontou os hábitos e uma mudança de atitude do cliente em relação ao produto. Entre os resultados um dado que fez a cadeia produtiva repensar: o consumidor quer cortes diferenciados. Um dos entraves, é a apresentação tradicional em peças grandes, como os pernis de oito quilos focados em Páscoa e festas de fim de ano. A campanha trouxe para mais perto do brasileiro, cortes já conhecidos e aprovados como a picanha, strogonoff, medalhão, alcatra, coxão mole, carne moída premium sem resíduos de gordura, entre outros. O brasileiro quer consumir uma carne bem cortada, preparada com capricho e em porções menores. A ABCS está trabalhando com frigoríficos nesta linha e com o consumidor no combate à idéia que a carne faz mal à saúde, segundo o diretor do marketing da entidade, Fernando Barros. Ele diz que a campanha privilegiou a formatação de dados que contribuíssem para entender melhor os desejos de compra do brasileiro. A revisão dos cortes nasceu de uma leitura de informações da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras). Segundo análise da Abras, a partir de dados do IBGE, a família brasileira diminuiu de tamanho, passando de 2,4 filhos por família em 1980, para 1,4 filho, em média, hoje. Ao lado disso, a mulher conquistou um novo papel na sociedade - trabalha fora, tanto quanto o marido e não tem tempo de se dedicar à cozinha como antes. Outro fato importante baliza o comportamento do consumidor: a empregada doméstica deixou a condição de trabalhadora permanente para transformar-se em diarista semanal, voltada apenas para o serviço pesado. Assim, os alimentos da família são comprados semi-prontos ou prontos.

Um estudo da professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (Campinas/SP), Neura Bragagnolo, mostra que carne suína faz bem à saúde humana e que pode ser incluída em dietas, cardápios de restaurantes, escolas e até hospitais. Ela afirma que o nível de colesterol da carne suína é praticamente igual ao da carne de frango e da carne bovina e, em alguns cortes, sem gordura, o teor é ainda menor. Por exemplo, o pernil suíno possui 50 mg de colesterol para cada 100 gramas de carne, enquanto a carne escura do frango possui 80 mg e o coxão duro de bovino 56 mg. Já o toucinho é o menos perigoso com 56 mg de colesterol contra 104 mg da pele de frango. Com estes dados se desmistifica que o suíno é um grande vilão da saúde, segundo a pesquisadora. Além disso, as proteínas da carne suína são mais digestíveis (94%) que o feijão (78%) ou que o trigo integral (86%). Com relação às vitaminas, uma porção de 100 gramas de carne suína fornece 63% das necessidades diárias de vitamina B1 em homens e 86% em mulheres, fornecendo também boa parte das vitaminas B2 e B3, importantes no crescimento em crianças e no metabolismo, além de redução do risco de doenças coronárias, entre outros benefícios.

De acordo com dados da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), dos 13,1 quilos de carne por habitante consumidos no Brasil, apenas 3,0 quilos equivalem à carne fresca. O restante é de embutidos, como presuntos, lingüiças e salsichas. Além disso, o consumo total do País é considerado baixo se comparado com outras regiões. Cerca de 40% dos humanos consomem este tipo de proteína, segundo a FAO (organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). Na Áustria, o consumo é de 73,1 quilos por habitante; na Espanha, 66 quilos; e no Paraguai, 26 quilos por habitante/ano. A Europa acaba de restringir drasticamente a utilização de antibióticos no processo de criação, ao mesmo tempo em que crescem as considerações sobre conforto animal. A carne suína brasileira alcança 76 países - por si só um demonstrativo de que o setor está conseguindo acompanhar os rigorosos padrões estabelecidos pelo mercado internacional, segundo o presidente da ABCS, Rubens Valentini. A falta de diversidade de cortes foi apontada na pesquisa de opinião com consumidores, como um dos pontos que impactavam a compra. Diante de um recado tão claro do mercado, a Associação Brasileira de Criadores de Suínos tratou de resolver o problema e colocou em cena o mestre-açougueiro Daniel Furtado. Ele é dono do único açougue especializado em carne suína do Brasil, na cidade mineira de Três Pontas. Em 18 anos de atividade, o profissional já desenvolveu 98 tipos de cortes, e 20 deles foram selecionados para a campanha “Um novo olhar sobre a carne suína” e podem ser encontrados nos supermercados parceiros. Picanha, bifes de alcatra e medalhões são os mais requisitados. Furtado corre o País ensinando açougueiros os truques para conseguir extrair os cortes de maneira perfeita. As carcaças de 120 quilos - pesadas com mínimo de toucinho (banha) -, produzidas por meio de boa genética, alimentação balanceada, sanidade e manejo corretos, são as prediletas. Açougues e supermercados já se preocupam em oferecer cortes para refeições menores. O resultado desta nova conscientização já se traduziu em lucro. Nos locais por onde a campanha já passou - Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba -, e que açougueiros já conheceram os novos cortes, as vendas elevaram entre 50% a 267%. A ABCS sempre escolhe um supermercado parceiro local para a divulgação e degustação. A carne suína é mais barata que as outras proteínas de origem animal. A picanha suína chega custar a metade da picanha bovina. O brasileiro gosta do sabor e o preço é bom. Agora, basta encontrar com mais facilidade os cortes para o cotidiano. A campanha informativa tira da cabeça que porco é um animal de pocilga, o que não é verdade, segundo Furtado. Para conseguir a qualidade que deseja, Furtado tem fornecedores selecionados. Em seu estabelecimento, comercializa cerca de 4 toneladas ao mês e já fidelizou o público, inclusive de fora da cidade. Freqüentemente, ele envia encomendas para o Sudeste. Norte e Nordeste geram alguns pedidos. O produto chega à casa bem cortado, embalado adequadamente e já temperado.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Setembro/2008




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