|
|
|
|
|
|  |
| Trigo: Tendência de baixa no curto prazo e no longo prazo |
 |
 |
 |
 |
 |
 |

A tendência é de baixa dos preços internos do trigo no curto prazo e no longo prazo. Como qualquer outra commodity, o trigo está sujeito às regras de mercado e pode voltar a subir de preço no longo prazo. No curto prazo, porém, a tendência é de queda no mercado internacional, com produção superior à demanda, e especialmente no mercado interno, com oferta equivalente a 50% das necessidades internas de moagem no ano. Preocupados com a falta de demanda, produtores e cooperativas têm comercializado a safra para o governo, que forma estoques para ofertar ao mercado no período de entressafra. O último leilão de contratos de opção futura de venda registrou forte disputa. Pelo direito de receber R$ 537 a tonelada em 30 de abril de 2009, produtores do Paraná pagaram ágio de 508% sobre o prêmio. O valor de abertura era de R$ 72,50 pelo contrato de 27 toneladas e fechou a R$ 441,00. No Rio Grande do Sul, o prêmio fechou a R$ 127,00, 75% acima do valor de abertura. Nesta semana, os preços de mercado são de R$ 460 a tonelada no Paraná e de R$ 400 a tonelada no Rio Grande do Sul. Também houve disputa no leilão de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP), por meio do qual o governo subsidia o frete para a transferência do trigo do Sul para o Nordeste. E novamente o interesse foi maior pelo trigo do Paraná. O subsídio de frete concedido pelo governo para que o trigo seja transferido para o Nordeste era de R$ 178 a tonelada, mas encerrou o leilão a R$ 168 a tonelada. O governo ofereceu subvenção para 30 mil toneladas de trigo do Paraná e 70 mil toneladas do Rio Grande do Sul. Foi arrematado prêmio equivalente ao volume total ofertado no Paraná e a 50 mil das 70 mil toneladas oferecidas no Rio Grande do Sul. A alta do dólar nos últimos dias estimulou a negociação. Indústrias do Nordeste teriam arrematado o prêmio pelo trigo do Paraná e tradings teriam negociado o trigo gaúcho que deve ser exportado. Um novo leilão de PEP está marcado para a próxima quinta-feira (11/12), com oferta de 120 mil toneladas, sendo 50 mil toneladas de trigo do Paraná e 70 mil toneladas de trigo do Rio Grande do Sul.
A valorização da moeda americana - quase 17% em um mês - seria um ponto a favor da comercialização do produto nacional não fosse a fraca demanda. Os moinhos oferecem no Paraná R$ 480 a tonelada para trigo colocado em Curitiba (R$ 450 a tonelada FOB) e prazo de pagamento para 20 de fevereiro. Esse valor é 15% mais baixo que o fixado pelo governo para os contratos de opção que vencem em 31 de março. Como fator adicional de pressão sobre os preços, o trigo do Paraguai chega à indústria do Rio Grande do Sul a US$ 185 a tonelada CIF, ou R$ 456 a tonelada ao câmbio atual. Na Argentina, preços ao redor de US$ 170 a tonelada FOB, sem demanda significativa. A esse preço, o trigo argentino é competitivo para países do norte de África, com negócios já realizados, mas em pequenos volumes, informa o mercado. A safra da Argentina 2008/2009 foi reduzida para 9,7 milhões de toneladas, com um saldo exportável de apenas 4,0 milhões de toneladas, sem considerar o estoque de passagem, avaliado em cerca de 1 milhão de toneladas. Os impostos sobre a exportação do cereal argentino foram reduzidos ontem em 5 pontos percentuais, passando de 28% para 23%. A mudança não deve se refletir nos preços pagos pelo País. A Argentina segue o mercado mundial de trigo e seus preços já trazem o diferencial pela distância dos grandes centros consumidores da Europa e Ásia, e da perda de confiança após os recentes episódios de interrupção do comércio do grão.
Segundo o 3º levantamento da safra de grãos 2008/2009, divulgado em dezembro, pela Conab, a produção de trigo, na safra 2008/2009, está estimada em 5,687 milhões de toneladas, ou seja, superior à colhida na safra passada em 53,4% (2,0 milhões de toneladas). A expansão da área plantada em 31,6% e da produtividade média nacional em 16,7% são fatores responsáveis por esse incremento. As altas cotações internacionais, os preços aos produtores superiores aos custos de produção e a elevação do preço mínimo de garantia pelo governo foram os fatores que motivaram os produtores a investir na cultura. No Estado do Paraná, notadamente nas regiões sul e na sudeste, ocorreram secas, geadas e excesso de chuvas durante todo o ciclo da planta, todavia, tal fato não afetou a produtividade média, definida em 2.722 kg/ha. A produção, por sua vez, totalizou 3,1 milhões de toneladas. Naquele Estado, a colheita está praticamente encerrada e a comercialização está seguindo normal. No caso do Rio Grande do Sul, boa parte da produção já foi colhida. As chuvas ocorridas durante a colheita provocaram diminuição no peso hectolitro (PH), o que comprometem a qualidade do grão, todavia, esses fatores não afetaram a produtividade média estadual, situando-se na casa das 2.100 kg/ha, superior em 12,3% à obtida na safra anterior.
O quadro de suprimento é um importante instrumento para avaliação do abastecimento de trigo no país. Pelo lado da oferta, se agregam os volumes de estoques remanescentes da safra anterior, a produção e a importação de grãos e de farinha (equivalente em grãos). O somatório desses itens totaliza a oferta nacional de trigo que soma em 2008/2009, 12,669 milhões de toneladas. Pelo lado da demanda são mensuradas: as exportações de grãos, de farinha (equivalente em grão) e o consumo interno. O somatório está avaliado em 10,751 milhões de toneladas. Quanto ao consumo, estima-se o que é efetivamente destinado para consumo humano - 9,65 milhões de toneladas, e para uso como ração animal e sementes para o plantio. Considera-se, ainda, um percentual estimado em 5% de perdas que pode ocorrer entre a propriedade e o consumidor final, no caso, a indústria moageira. A relação entre a oferta e a demanda resulta nos estoques de passagem para o fechamento do ano safra, de 1,46 milhão de toneladas, o que equivale a menos de dois meses de consumo. A Conab, como parceira do IBGE -, órgão institucional de estatística do Governo Federal, utilizou para a elaboração do quadro de suprimento, as estatísticas de estoque de trigo divulgadas pela entidade em junho e ajustadas para o mês de julho de cada ano. Essas informações de estoques são imprescindíveis para a quantificação da parcela da produção que é efetivamente destinada ao consumo humano. Com a produção estimada de 5,867 milhões de toneladas, prevê-se a redução das necessidades de importação de grãos da ordem de 23% e de farinha de 12%. A Argentina terá disponível para exportação, no máximo, 4 milhões de toneladas, em função da quebra de safra ocorrida e, função de problemas climáticos, o que exigirá importações de terceiros países, fora do Mercosul, em um ambiente de crise de crédito.
Os preços futuros do trigo estão sob pressão baixista no mercado internacional. Os grãos negociados na Bolsa de Chicago continuam pressionados pela deterioração dos indicadores econômicos mundiais. A commodity vai continuar sob influência de outros mercados no curto prazo e pode ter alguma recuperação a partir do segundo trimestre de 2009, especialmente as variedades de qualidade e conteúdo protéicos elevados. As exportações de trigo dos Estados Unidos devem se fortalecer depois que os mercados se voltarem para o maior aperto do balanço entre oferta e demanda a partir da safra 2009/2010. A projeção é de um preço médio do trigo negociado na Bolsa de Chicago (CBOT) de US$ 5,80 por bushel, durante o segundo trimestre de 2009, e de US$ 5,90 por bushel, no terceiro trimestre de 2009.
A queda dos preços do trigo deve reduzir a produção do cereal nos Estados Unidos em 2009/2010, segundo relatório do U. S. Wheat Associates, entidade que reúne os produtores norte-americanos. Segundo a entidade, os triticultores precisam comprar combustíveis, sementes, fertilizantes e herbicidas de forma antecipada para garantir a produção. Se o custo desses produtos não abaixar, ou o preço do trigo não aumentar, eles reduzirão o plantio no ciclo 2009/2010. Segundo os produtores norte-americanos, os custos de produção em 2009/2010 serão muito mais altos que em 2008/2009. Eles disseram, ainda, que podem substituir o trigo por outra lavoura mais barata, como a soja e a canola. Nem todo produtor tem essa opção, mas vários deles terão que tomar a mesma decisão de plantar, ou não, trigo. Os Estados Unidos são o maior exportador de trigo do mundo.
Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica
Dezembro/2008
|
 |
|
 |
|
|