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Trigo: Tendência de baixa no curto prazo e no longo prazo

Colheita de trigo A tendência é de baixa dos preços internos do trigo no curto prazo e no longo prazo. Com a boa safra 2010/2011 esperada no Brasil (em decorrência da melhoria de produtividade favorecida pelo fenômeno La Niña, forte aumento da safra 2010/2011 na Argentina, maior volume de excedentes de exportação na Argentina, redução dos Preços Mínimos do trigo no Brasil e elevados estoques mundiais, a pressão de baixa sobre os preços do trigo deve se acentuar a partir da colheita da nova safra, entre outubro e novembro deste ano.

No mercado interno de trigo, os preços devem ceder ainda mais nos próximos meses, registrando cotações cada vez menores a cada semana que passa. Por mais que se tenha uma grande expectativa em torno da nova safra 2010/2011, não há como deixar para trás um estoque estimado pela Conab em seu último levantamento de 1,9 milhão de toneladas, para as quais há pouca perspectiva de escoamento, inclusive no longo prazo. As exportações de grão para alimentação animal que vinha num ritmo acelerado desde o começo do ano paralisou em junho, sem a exportação de uma tonelada sequer. O que propiciava as exportações até então eram os leilões de PEP, cujos prazos para escoamento já venceram. Para agravar ainda mais a situação já não há mais tempo hábil para que o governo garanta a comercialização do produto da safra 2009/2010 já que o ano comercial já está encerrado, além disso, o que ainda sobra nos armazéns do estado é o grão que só pode ser utilizado para a alimentação animal. O trigo que se presta à produção de farinhas vai sendo absorvido pela indústria, ainda que a passos lentos.

Colheitadeira John Deere em ação em campo de trigo No Rio Grande do Sul, o preço médio é de R$ 21,17 por saca de 60 Kg (R$ 353 a tonelada), enquanto que na semana anterior a média era de R$ 21,39 por saca de 60 Kg. No Paraná, o preço médio do estado recuou mais 0,4%, para R$ 22,67 por saca de 60 Kg (R$ 378 a tonelada). A safra nacional de trigo 2010/2011, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento em 5,2 milhões de toneladas, se desenvolve bem nos dois principais Estados produtores. O Paraná tem 95% da área semeada, 91% dela em boas condições de desenvolvimento. O Rio Grande do Sul semeou 90% da área e espera concluir os trabalhos nas próximas semanas. As condições meteorológicas proporcionaram às lavouras semeadas boa germinação e formação de bom estande no Rio Grande do Sul. Na Argentina, os exportadores em Necochea indicam US$ 238 a US$ 240 a tonelada. Nos portos da região de Up River, o valor é um pouco mais baixo, de US$ 225 a tonelada. No Uruguai, a cotação é de US$ 223 a tonelada. No Brasil, no entanto, sem demanda expressiva, os preços são estáveis entre R$ 350 e R$ 400 a tonelada a depender do tipo do grão. Dentro de aproximadamente 50 dias trigo nacional da safra nova começa a ser ofertado. Os produtores do Paraná iniciam a colheita em agosto e os do Rio Grande do Sul, no início de outubro. Argentina e Uruguai começam a colher em novembro. Os preços sinalizados para a nova safra de trigo argentino são de US$ 205 a tonelada para embarque em dezembro/janeiro. O trigo americano panificador está cotado a US$ 216 a tonelada FOB para o mesmo período.

A Argentina deve recuperar sua produção de trigo, que vinha em queda nos últimos anos. A estimativa é de um aumento de 26,1% na área plantada, para 4,2 milhões de hectares, o que pode resultar numa produção de 14 a 15 milhões de toneladas, contra 7,5 milhões de toneladas colhidas no ano passado (safra 2009/2010). As exportações do cereal podem subir para até 8,5 milhões de toneladas em 2010/2011, acima da estimativa de 2,5 milhões de toneladas para este ano. A Argentina está entre os maiores produtores de trigo do mundo. A Argentina tem um consumo interno de 6,5 milhões de toneladas e, em geral, atende a grande parte da demanda brasileira, de cerca de 5,0 milhões de toneladas de trigo importado/ano. Mas desde 2008 tem cada vez menos trigo para exportar. Os moinhos brasileiros dão preferência ao cereal da Argentina pela proximidade e porque as propriedades industriais do cereal já são conhecidas, mas outros mercados têm abastecido o País nos últimos anos por conta da restrição da oferta no Mercosul.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Especial: Perspectivas para 2010/2011



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