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Cana, Açúcar e Álcool: Tendência de alta dos preços do açúcar

Colheita de Cana-de-Açúcar A área de cultivo de cana-de-açúcar deverá crescer mais 7 milhões de hectares até 2018/2019, segundo estudo da Assessoria de Gestão Estratégica, do Ministério da Agricultura. O Ministério da Agricultura também estima, ainda que existe potencial para crescimento da produção de açúcar (mais 14,5 milhões de toneladas) e etanol (mais 37 bilhões de litros). A renovação das lavouras de cana-de-açúcar no Centro-Sul deverá ficar abaixo da média de 16% no próximo ano (2009/2010). O plantio ocorre tradicionalmente entre os meses de janeiro a abril. Isto significa que ficará mais cana velha para ser moída nas próximas safras, resultando em rendimentos menores para as próximas safras. Na safra 2009/2010, a produção de cana no Brasil deverá atingir apenas 588 milhões de toneladas que serão efetivamente processadas, um crescimento de 42 milhões de toneladas em relação à safra atual. Deste total, o Centro-Sul irá moer 520 milhões de toneladas, expansão de 40 milhões de toneladas. Já pode se notar que a expansão do volume de cana a ser moída está caindo. O crescimento foi de 52 milhões de toneladas entre as safras 2007/2008 e 2008/2009 e será de 40 milhões de toneladas entre 2008/2009 e 2009/2010. Os fundamentos mais positivos para o açúcar no mercado internacional farão com que, pela primeira vez, em duas safras, o Brasil volte a elevar seu excedente de açúcar exportável. A produção brasileira de açúcar deverá ficar em 32,90 milhões de toneladas em 2009/2010, contra 30,350 milhões de toneladas em 2008/2009. No Centro-Sul, a produção de açúcar deve atingir 27,8 milhões de toneladas em 2009/2010, ante 25,5 milhões de toneladas em 2008/2009. O excedente exportável deve ser de 18,6 milhões de toneladas em 2009/2010, 2,6 milhões de toneladas a mais que os 16 milhões de toneladas registrados em 2008/2009 no Centro-Sul. Em todo o Brasil, o excedente exportável deve atingir 21,3 milhões de toneladas em 2009/2010 ante 18,83 milhões de toneladas da atual safra. Este crescimento na oferta de açúcar irá atender a maior demanda internacional, cujo balanço de oferta será negativo no próximo ano em até 3,63 milhões de toneladas, de acordo com dados da Organização Internacional do Açúcar. Isso fará com que o mix de produção volte a mostrar uma maior destinação de cana para o açúcar, embora na totalidade mais cana ainda seja direcionada para a produção de álcool. De um mix atual para o Centro-Sul de 60,5% de cana para o etanol, a safra 2009/2010 terá um mix de 59,9% para a produção do combustível renovável. A renda dos produtores cai R$ 2 bilhões em 2008 em São Paulo. Os plantadores de cana-de-açúcar do Estado de São Paulo perderam este ano R$ 2 bilhões da renda em relação ao resultado de 2006. O cálculo leva em conta a estimativa preliminar do valor da produção agropecuária paulista, feita pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria da Agricultura do Estado. A produção de cana representa 34% do valor total alcançado pelos agricultores e pecuaristas paulistas durante este ano, o que corresponde a R$ 12,8 bilhões. Em 2006, quando o setor sucroalcooleiro era considerado o melhor negócio entre as atividades do campo no País por causa da demanda mundial por biocombustíveis e os preços elevados do petróleo, a produção de cana do Estado valeu R$ 14,8 bilhões.

Açúcar: tendência de alta dos preços futuros

A tendência é de alta dos preços futuros no ciclo 2009/2010. A redução da produção, conseqüência da escassez de crédito, deverá provocar elevação nos preços do açúcar no ano que vem. A produção já está abaixo da demanda. As usinas brasileiras, que estão com pouco caixa, depois de dois anos gastos expressivos para expandir a capacidade, não vão conseguir atender a demanda, o que contribuirá para ampliar o déficit mundial do produto. A produção mais baixa que o esperado do Brasil, o maior produtor e exportador mundial de açúcar, se somará aos cortes registrados na Índia e na União Européia. A produção mundial de açúcar vai cair pela primeira vez desde o ano-safra 2004/2005, causando um déficit, depois de dois anos de excedentes, segundo a Organização internacional do Açúcar (OIA). A produção de açúcar na Índia em 2008/2009 deve atingir uma faixa entre 20,0 milhões de toneladas a 22,5 milhões de toneladas, uma queda de 14% a 24% em relação à safra anterior. Em 2007/2008, a produção foi de 26,3 milhões de toneladas. Embora menor este ano, a produção será mais adequada para atender à demanda local, segundo o governo da Índia. As projeções anteriores da indústria apontando a produção abaixo de 20 milhões de toneladas são muito pessimistas, segundo o governo indiano. O consumo mundial vai crescer 2,4%, para 165,9 milhões de toneladas, nos 12 meses até 30 de setembro de 2009, enquanto a produção vai cair 3,8%, para 162,3 milhões de toneladas, no mesmo período, segundo a OIA. A desaceleração da economia mundial não reduzirá a demanda porque, ao contrário de alimentos mais caros, as pessoas não reduzem o consumo do açúcar durante as recessões. Existe uma crise de produção, mas não existe uma crise de consumo. A tendência, portanto, é de alta dos preços futuros do açúcar. Por outro lado, no Brasil, a desvalorização do Real pode evitar a alta do açúcar no ano que vem, porque encoraja os produtores a aumentar as exportações. As usinas receberão mais retornos das exportações denominadas em dólar, depois da desvalorização cambial.

Apesar da volatilidade dos futuros de açúcar em função da crise internacional, o mercado físico de açúcar segue sustentado por fortes fundamentos. O déficit de oferta mundial deve alcançar 3,6 milhões de toneladas de açúcar na atual safra 2008/2009 e se elevar para até 5,0 milhões de toneladas na próxima safra 2009/2010. O sentimento é de que o Brasil vai aproveitar este déficit para exportar mais açúcar já que ele será um dos poucos países que terá condições de atender a demanda. Em todo o Brasil, o excedente exportável de açúcar deve atingir 21,3 milhões de toneladas em 2009/2010, contra 18,83 milhões de toneladas da atual safra. A queda dos fretes marítimos está voltando a aproximar o açúcar brasileiro do mundo. O preço diário do frete de uma embarcação Panamax caiu de US$ 250 mil antes da crise para apenas US$ 5 mil. Isto fez com que o produto brasileiro voltasse a ser competitivo no mercado internacional, e deve recuperar o espaço ocupado pelo produto da Índia e da Tailândia, que aumentaram suas vendas externas quando o frete estava caro. Essa queda do frete marítimo fez com que o custo do frete de açúcar para embarque em Santos com destino ao Mar Negro caísse de US$ 110 por tonelada para US$ 30 por tonelada. Com o frete mais barato, o Brasil irá exportar mais porque a demanda por açúcar é inelástica e mesmo com a crise os países importadores continuarão suas compras. Em função desta maior demanda por açúcar em 2009/2010, os preços internacionais do açúcar deverão andar em linha com o preço do etanol hidratado do mercado interno brasileiro. Como a produção do etanol e a de açúcar está interligada, quanto mais hidratado se consumir internamente, menos cana irá sobrar para produção de açúcar, então os preços dos dois deverão caminhar juntos. Se o etanol subir, o açúcar internacional também subirá. Grandes produtores devem reduzir a oferta a partir do próximo ano, o que deve levar a um aumento das exportações brasileiras. Apenas o Brasil e a Tailândia devem registrar aumento de produção na safra 2008/2009. Os demais grandes produtores irão reduzir sua oferta. Apenas na Ásia, a expectativa é de uma redução de mais de 6,6 milhões de toneladas, o que deverá levar a um uso maior de estoques por parte da Índia, abrindo caminho para que os indianos virem importadores a partir da safra 2009/2010. O Brasil irá voltar a aumentar sua produção de açúcar na safra 2009/2010, que começa em abril do próximo ano, em função dos preços mais remuneradores de açúcar no mercado internacional. Este maior volume de açúcar brasileiro irá suprir os espaços deixados tanto pela Índia como pela União Européia, que também passará a ser importador líquido de açúcar na próxima safra.

Os estoques mundiais em queda devem elevar os preços futuros do açúcar. Segundo relatório de Oferta e Demanda Mundial de Açúcar, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), somente o Brasil e a Tailândia deverão registrar aumento na produção de açúcar na safra 2008/2009, A previsão é de que a produção de açúcar do Brasil aumente de 32,1 milhões de toneladas, para 32,45 milhões de toneladas, uma alta de 350 mil toneladas. Deste total, 27,5 milhões de toneladas virá da região Centro-Sul e 4,95 milhões de toneladas do Norte/Nordeste. A exportação de açúcar do Brasil deve crescer 500 mil toneladas, para 20,3 milhões de toneladas em relação à safra anterior. O USDA estima que a produção de etanol do Brasil deve ficar em 26,85 bilhões de litros, alta de 4,46 bilhões de litros em relação à safra anterior. Deste total, 18,5 bilhões serão de hidratado e 8,35 bilhões de litros de anidro. A demanda interna por etanol deve bater em 22,45 bilhões de litros, alta de 3,48 bilhões de litros, impulsionada pelas vendas de carros flex fuel. Na Tailândia, a expectativa é de que a produção total de açúcar fique em 7,9 milhões de toneladas, alta de 80 mil toneladas. Nos demais países asiáticos, a produção deve cair, totalizando uma queda regional de 6,6 milhões de toneladas, para 62,5 milhões de toneladas. A estimativa é de que a Índia reduza sua produção em 5,7 milhões de toneladas, para 22,9 milhões de toneladas. A China deve reduzir sua produção em 113 mil toneladas para 15,8 milhões de toneladas. A União Européia irá reduzir sua produção em 814 mil toneladas e se transformar em um importador de açúcar. O volume estimado de importação do bloco em 2008/2009 é de 2,3 milhões de toneladas. Diante deste cenário, o USDA está estimando uma queda de 7,9 milhões de toneladas na produção mundial para 158,8 milhões de toneladas. O consumo mundial de açúcar deve ficar em 162,1 milhões de toneladas, uma alta de 5,0 milhões de toneladas em relação à safra anterior. As exportações mundiais devem totalizar 48,2 milhões de toneladas, uma queda de 2,8 milhões de toneladas. Os estoques mundiais devem cair 4,1 milhões de toneladas, para 38,6 milhões de toneladas. Com o aumento de consumo e a queda na produção e nos estoques, a relação entre estoque final sobre oferta total caiu de forma expressiva a nível global, de 17,01% em 2007/2008, para 15,51% em 2008/2009.

Colhedora de Cana John Deere em ação Álcool: demanda interna firme e em forte expansão em 2009

A demanda interna de etanol deve crescer 11% ao ano. O Plano Decenal do setor energético, que será entregue ao governo neste mês de dezembro, irá prever expansão de 11% ao ano na demanda por etanol até 2017, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). As turbulências externas não afetaram o projeto - que inclui os segmentos de energia elétrica, gás, petróleo e biocombustíveis - exceto no que diz respeito ao ano de 2009 -, porque o entendimento é que os problemas atuais são transitórios e não afetam as projeções para 10 anos contidas no Plano. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) previsto no Plano, por exemplo, é uma taxa média anual de 5%. Para o ano que vem a perspectiva é de uma expansão da economia de 4%, mas isso não afeta a média anual prevista para todo o período. As perspectivas para o etanol no País até 2017 estão detalhadas no Plano que chegará ao governo no próximo mês. A estimativa é que, de 2008 a 2017, sejam acrescidos, numa projeção conservadora, 3 milhões de veículos ao ano na frota nacional. Em 2008, serão 2,6 milhões de novos veículos. A EPE projeta também que a participação dos veículos do tipo flex fuel na frota instalada vai aumentar da atual fatia de 29,6% do total em 2008 para 73,6% em 2017. Mesmo alguns adiamentos possíveis em projetos de etanol no curto prazo, por causa da crise, não vão comprometer as estimativas. A situação atual do projeto de álcool como alternativa de combustível para veículos no Brasil é muito diferente da década de 80, quando a falta do produto levou a um fracasso da iniciativa. O sucesso da tecnologia de flex fuel no Brasil, neste momento, vai garantir o sucesso dos projetos de etanol, mesmo com eventuais problemas que venham ocorrer em conseqüência da crise internacional.

A demanda interna de etanol no Brasil está estimada em 52,5 bilhões de litros em 2017, o que significa uma expansão de 11% ao ano em 10 anos. A expectativa é que, no mesmo período, as exportações do produto saltem dos atuais 4,2 bilhões de litros, para 8,3 bilhões de litros. O Plano Decenal projeta o preço do barril do petróleo entre US$ 70 e US$ 75 em 2017, mas, mesmo com o barril cotado a US$ 40, o etanol prossegue competitivo em relação à gasolina. A Petrobras Biocombustíveis manterá a decisão de investir, como sócia minoritária, em 20 usinas de álcool no país. Segundo a subsidiária da Petrobras, Alan Kardec Pinto, a exportação de etanol continua sendo uma grande oportunidade de negócio para o país. De acordo com o modelo de negócio idealizado pela Petrobras Biocombustíveis, as 20 usinas terão três sócios: um produtor nacional como majoritário e dois investidores minoritários. Ou seja, a Petrobras e um parceiro estrangeiro que se comprometam com a compra da produção. A primeira dessas usinas, com capacidade de produção de 200 milhões de litros por ano e investimento de US$ 227 milhões, será construída em Itarumã, em Goiás. O parceiro estrangeiro é o grupo japonês Mitsui, que assumiu o compromisso de compra da produção por 20 anos. Segundo a subsidiária de biocombustíveis, a empresa vai fechar a maior parte dos contratos em 2009. A meta do Brasil é exportar, em 2012, 4,75 bilhões de litros de etanol. A crise financeira internacional ou a queda do preço do dólar não fez diminuir o interesse por parte dos parceiros estrangeiros. A empresa alega contratos de confidencialidade para não revelar os nomes dos investidores envolvidos nas negociações para construção de novas usinas, mas garantiu que o projeto continua caminhando em ritmo acelerado. O etanol continuará competitivo mesmo que a cotação do barril de petróleo desça a US$ 40. Mas o interesse dos grupos estrangeiros pelo álcool brasileiro não é uma questão econômica e sim ambiental.

Países signatários do Protocolo de Kyoto têm prazos definidos para a adição de biocombustíveis à matriz energética. O fato motivador não é o preço do barril de petróleo, é uma questão ambiental, segundo ele. A Petrobras Biocombustíveis ainda não revelou quanto está disposta a investir para a construção das 20 usinas. O valor será redefinido em dezembro, quando a Petrobras vai reanalisar seu plano estratégico para 2009. Um dos pleitos da subsidiária é poder comprar participação em usinas e não apenas investir na construção de usinas novas. Essa é uma possibilidade que será analisada. A Petrobras Biocombustíveis também afirma que serão mantidos os investimentos na construção do alcooduto, a partir de Goiás em direção a São Paulo, cortando o Triângulo Mineiro, com conexões a dois portos da Petrobras, um no Estado de São Paulo e outro no Rio de Janeiro. O duto é estratégico já que o objetivo dos investimentos em novas usinas é a exportação. O valor do investimento no alcooduto também será reavaliado em dezembro, durante a revisão do plano estratégico da Petrobras. A expectativa é de que o primeiro trecho, ligando o Triângulo Mineiro a São Paulo, esteja construído até 2011. A meta é concluir todo o projeto até 2012.

Usinas: cancelamentos e adiamentos com endividamento elevado

Das 43 novas usinas que deveriam entrar em operação na safra 2009/2010, apenas 25 deverão efetivamente começar a moer. Esse atraso se deve a falta de liquidez que está sendo registrada no setor sucroalcooleiro decorrente principalmente da crise financeira. Muitas usinas ainda não sabem se terão capital de giro para começar a moer na próxima safra. Isto resultará em cerca de 40 milhões de toneladas de cana em pé no final da safra 2009/2010, um volume semelhante ao que será deixado nos campos na safra atual 2008/2009. Também resultará em safras de rendimento ainda menor em 2010/2011 e 2011/2012 porque o canavial estará mais velho e com menor aplicação de insumos. Na safra 2008/2009, das 35 novas usinas que entrariam em operação, apenas 28 ligaram suas caldeiras, sendo que 5 apenas em novembro, no final da safra. Na safra atual, estas 28 novas usinas moeram um volume muito pequeno de cana, de apenas 9,5 milhões de toneladas. Novos projetos de usinas de etanol no Brasil estão sendo adiados devido ao crédito mais escasso. Estão ocorrendo atrasos em vários projetos. Neste ano, 35 novas unidades iriam entrar em produção e apenas 23 estão funcionando. No Brasil, no próximo ano de 2009, a expectativa era de 43 novas instalações e esse número foi reduzido agora para a faixa de 22 a 25 projetos. Uma eventual menor demanda por etanol, devido à crise, poderia ajudar a aliviar a apertada oferta no mercado brasileiro do biocombustível. Os estoques estavam muito apertados no final de abril no Brasil. Se ocorrer uma redução na demanda por conta de queda na renda, isso ajudará a balancear a oferta e demanda de etanol no país. Como os preços do petróleo baixaram, a taxa cambial entre o real e o dólar mudou quase igualmente. Então, ocorrem pouquíssimas mudanças no preço da gasolina. A maior fabricante de equipamentos para usinas no Brasil, a Dedini, confirmou que a crise atrasou 20% dos projetos novos ou em expansão, e 35% das usinas que deveriam entrar em operação em 2011/2012 também foram suspensas. Entretanto, integrantes do governo avaliam que, se a crise inviabiliza alguns projetos de etanol por ora, o biocombustível veio para ficar e é viável mesmo com o barril de petróleo a US$ 40. Segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a escassez de crédito no mercado pode engavetar algumas novas usinas, mas o movimento é pontual. No longo prazo, não há ameaça para o etanol, uma vez que o combustível surge como a alternativa para os derivados de petróleo. Segundo a EPE, como em todos os setores econômicos, pode haver algum abalo no curto prazo nesse setor em razão do crédito. Mas o setor energético tem crédito do BNDES, ao contrário de outros setores que dependem do crédito bancário. A EPE alertou que a discussão internacional sobre a redução de emissões de gases do efeito estufa joga a favor do combustível brasileiro. A alternativa para combustível de veículo é o etanol. Os países colocam metas para o etanol. É um processo irreversível. Hoje ele já é competitivo e amanhã será mais ainda com a possibilidade do aproveitamento energético a partir do etanol. É uma solução estrutural, segundo a EPE.

A produção nas usinas do setor sucroalcooleiro goiano ficará abaixo da previsão inicial feita pelo Sindicato das Indústrias de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás (Sifaeg) e pelo Sindicato de Fabricação de Áçúcar (Sifaçúcar). A redução foi provocada por um conjunto de fatores, como o atraso no início da colheita da safra de cana-de-açúcar, por causa de problemas climáticos, e o adiamento do início das operações de uma nova usina, que começaria a moer ainda este ano. Além disso, de acordo com o presidente do Sifaeg/Sifaçúcar, André Luiz Rocha, algumas usinas investiram em grandes reformas, que acabaram prejudicando o desempenho da produção. Segundo ele, muitas unidades nem conseguirão moer toda a cana que foi plantada. Muita cana ainda ficará de pé. Mesmo assim, esta safra será 40% maior que a de 2007/2008. Goiás fechará este ano com 29 usinas em operação. A expectativa inicial era de que 11 novas indústrias começassem a operar em 2008, mas o número caiu para dez. Das sete previstas inicialmente para 2009, pelo menos uma pode não começar a moer. Das 22 estimadas para 2010, somente 12 já estão confirmadas. Um número menor de usinas sucroalcooleiras receberá financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para seus novos projetos. O ritmo de aprovação dos desembolsos está mais criterioso. O cuidado ocorre não somente por causa da crise global, mas, sobretudo, pela situação financeira delicada dessas empresas no mercado. Nos últimos anos, o segmento viveu um período de crédito farto, não só do BNDES, mas também de bancos comerciais. Em 2004, as usinas respondiam por 1% dos desembolsos totais do BNDES. Neste ano, representarão 7% dos recursos totais liberados. Uma análise sobre os valores desembolsados pelo até novembro não dá ainda a exata dimensão dos reflexos da crise. No acumulado deste ano até o dia 26 de novembro, o BNDES liberou R$ 5,773 bilhões para as usinas. Esse valor supera em 61% todo recurso liberado ao setor nos doze meses de 2007, de R$ 3,6 bilhões. Para 2008, a perspectiva é de que os desembolsos atinjam cerca de R$ 6 bilhões. Em 2009, a previsão é de que os recursos fiquem nesta faixa ou menos. O tíquete médio dos valores aumentou nos últimos dois anos para os novos projetos. O medidor da crise é que um número menor de usinas receberá daqui para frente financiamento do BNDES. Muitas empresas já submetem projetos para aprovação. A aprovação de crédito do banco está mais criteriosa - e isso vale para todos os vários setores da economia. No caso das usinas, a agravante é que o risco de classificação de muitas delas - inclusive as de grandes grupos - aumentou, o que é levado em consideração. Outro fator que deverá ser levado em conta para a liberação ou não dos recursos é o resultado dos balanços dessas empresas durante a safra 2008/2009.

Com uma carteira que inclui 80 usinas, o BNDES liberou de 2004 até o dia 26 de novembro cerca de R$ 13 bilhões em projetos para o setor sucroalcooleiro, que incluem construção de novas usinas, ampliação das unidades em operação, co-geração de energia e inovação tecnológica. O grande volume liberado este ano - somente entre julho e 26 novembro foram R$ 3 bilhões, ante R$ 2,7 bilhões entre janeiro e julho, reflete os muitos projetos represados no primeiro semestre. Os projetos em análise, principalmente a partir de setembro, quando a crise global se agravou, consideram o desempenho de resultados das empresas durante a temporada 2007/2008, marcada por baixos preços do açúcar no mercado internacional. Nos últimos meses, muitas usinas se alavancaram para tocar seus projetos. A estratégia para conseguir recursos no mercado é considerada tanto ortodoxa pelo mercado, ou como melhor define o BNDES, “uma gestão financeira inadequada”. Muitas usinas se endividaram com financiamento de curto prazo, com ACC (Adiantamento de Crédito de Câmbio), contando que os recursos financiados pelo BNDES liquidariam essa essas dívidas. Operações mais complexas, que incluem empresas ou fundos estrangeiros, têm um grau maior de maturação para aprovação. Os projetos estruturados por vários bancos também, uma vez que inclui discussões jurídicas de várias instituições financeiras. Outros grupos, que apostaram na abertura de capital, mas tiveram seus planos foram frustrados, também têm dificuldades para conseguir recursos no mercado. O BNDES tem sido taxado como muito burocrático na liberação de recursos. Segundo o BNDES, burocracia para a liberação de recursos sempre ocorre. No entanto, a peneira está mais fina. Nenhuma usina quebra por conta de um ou dois anos de preços baixos. Mas por estratégias de gestão financeiras equivocadas, segundo o banco. Entre 2005 e 2006, o cenário para essas usinas era positivo. Agora tudo mudou. O volume de garantia aumentou e muitas empresas não podem mais bancá-lo porque não tem mais as mesmas garantias de antes para oferecer. Embora o cenário de preços esteja positivo para o açúcar no ano que vem, o fato é que o resultado disso nos balanços das usinas só será percebido nos próximos meses. Até lá, o setor terá certa dificuldade para conseguir crédito no mercado.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Dezembro/2008



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