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Soja: Tendência de estabilidade no curto prazo e alta no longo prazo

Colheita de Soja A oferta e demanda mundial de soja estará equilibrada no próximo ciclo 2008/2009. Segundo o mais recente relatório de oferta e demanda mundial, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a grande alteração foi o aumento na estimativa de importações de soja da China no ano comercial 2007/2008, que passou de 36,5 milhões de toneladas, para 37,81 milhões de toneladas. Ainda na temporada 2007/2008, o USDA reduziu a projeção da safra da Argentina, de 46,5 milhões de toneladas, para 46,2 milhões de toneladas. Para o Brasil, o USDA manteve os mesmos 61,0 milhões de toneladas de outubro. Na China, a produção foi elevada de 13,5 milhões de toneladas, para 14,0 milhões de toneladas. No quadro para 2008/2009, o USDA já percebeu que a dificuldade de crédito no Brasil vai levar a uma safra menor. De acordo com o USDA, os produtores brasileiros deverão colher 60,0 milhões de toneladas de soja. No mês anterior, a estimativa era de 62,5 milhões de toneladas. Na China, por outro lado, a produção cresceu de 16,5 milhões de toneladas, para 16,8 milhões de toneladas. A safra da Argentina permaneceu em 50,5 milhões de toneladas. As importações chinesas também seguiram nos mesmos 36,0 milhões de toneladas de outubro. A demanda mundial, agora estimada em 233,9 milhões de toneladas, está próxima da produção mundial 2008/2009, revisada para 235,7 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais, no entanto, recuaram levemente de 54,34 milhões de toneladas, para 54,06 milhões de toneladas neste mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Poucas alterações foram efetuadas no quadro de oferta e demanda dos EUA. A produtividade da safra 2008/2009 foi reduzida. O rendimento caiu de 44,27 sacas por hectare, para 44,05 sacas por hectare, número que ficou um pouco acima das projeções do mercado (43,94 sacas por hectare). Como a área colhida ficou nos mesmos 30,11 milhões de hectares projetados no final de outubro, a produção de soja nos EUA nesta safra 2008/2009 está estimada em 79,50 milhões de toneladas, um volume que ficou abaixo dos 79,96 milhões de toneladas de outubro. Cm relação ao consumo, o USDA ignorou o bom ritmo das exportações norte-americanas e manteve a estimativa de vendas externas do país em 27,76 milhões de toneladas. Já o esmagamento, foi reduzido de 47,9 milhões de toneladas, para 47,49 milhões de toneladas. Como a redução no consumo total foi compensada pela redução na safra 2008/2009, os estoques finais ficaram inalterados em 5,58 milhões de toneladas, um volume superior às estimativas do mercado, de 5,14 milhões de toneladas. Com isso, a relação estoques finais/consumo subiu levemente, de 6,9%, para 7,0%.

Além disso, para 2008/2009, 50% da safra mundial não foram colhidos e estão sob ameaça climática. O mercado passará a depender de uma maior produção na América do Sul. Na América do Sul, a área de soja crescerá mais na Argentina e no Paraguai, e menos no Brasil, o maior produtor. Os mercados começam a especular sobre o futuro dos grandes exportadores, entre os quais estão a América Latina. O teto dos preços da soja e dos outros grãos já passou, mas com esse cenário de preços baixos e redução de plantio está se construindo a de 2009, mas sem a participação dos fundos. Sem o estímulo do preço bastante elevado para 2009, a área de produção não cresce e aí teremos mais um cenário de alta em 2009. Os produtores que compraram os insumos antecipadamente e travaram os preços, ou seja, já acertaram os valores de vendas de seus produtos, vão ter lucro. Os que compraram os insumos, mas não travaram os preços, vão apenas empatar.

Colheitadeira John Deere em campo de Soja Segundo o 3º levantamento da safra de grãos 2008/2009, divulgado em dezembro, pela Conab, a cultura da soja, na maioria das regiões produtoras, já está em fase final de plantio, com exceção do Estado do Rio Grande do Sul, encontrando-se acima de 50% haja vista o excesso de chuvas no mês de outubro, o que dificultou o preparo do solo e a escassez no mês de novembro, gerando falta de umidade no solo, prejudicando a germinação do grão, o que desacelerou o ritmo de plantio por parte do produtor, que visa com isso, evitar futuras perdas ou o replantio. Na região Centro-Oeste, responsável por 47,1% da produção nacional, poderá ocorrer uma redução de área em torno de 1,9%, em relação à safra 2007/2008, que em números absolutos são 182 mil hectares. As causas desta redução são, a diminuição do crédito por parte das tradings que, tradicionalmente financiam boa parte dos produtores, e dos bancos, devido ao aumento de exigências de garantias e ambientais; os custos dos insumos, sobretudo fertilizantes; e o clima de incertezas gerado pela crise internacional. Entretanto, na Região Sul, segunda em importância de produção, principalmente os Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, deverá ocorrer um incremento na área plantada, devido ao preço da soja mais atrativo do que outras culturas como o milho, por exemplo. Mesmo assim, estima-se uma pequena retração de área plantada no país, ficando em torno de 0,3% menor do que a safra anterior. No que tange à produtividade média nacional, esta, também, poderá ter uma redução em relação à safra passada, devido ao decréscimo em quase todas as regiões do país, com exceção da Região Sul, causado pelo menor investimento em tecnologia de produção. Este conjunto de fatores gera uma estimativa de redução de 1,2 milhão de toneladas de grãos (2,0%), em relação à safra 2007/2008. A variável do preço recebido pelo produtor, em que pese sua importância na decisão de plantio, não se constituiu no fator preponderante, pois, embora as cotações internacionais tenham apresentado forte oscilação e tendência de queda, a oferta restrita e a valorização do dólar frente ao real têm sustentado os preços domésticos em níveis remuneradores para a soja. O balanço de oferta e demanda para a safra 2008/2009 mostra-se ajustado.

O Paraná foi o único Estado que conseguiu, no mínimo, manter o mesmo ritmo de comercialização antecipada de soja do ciclo passado. A região Centro-Oeste fixou até agora entre 25% e 30% da safra de soja que, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) será de cerca de 59 milhões de toneladas. Esse percentual costuma ficar no patamar de 50%. Já no Paraná, os negócios envolvem de 30% a 40% da colheita esperada - de cerca de 12 milhões de toneladas, conforme dados da Conab. Deste total, de 5 a 10 pontos percentuais se referem a operações de troca de soja futura por insumos junto aos fornecedores do produto e, de 25 a 35 pontos percentuais de pré-fixação de preço, principalmente, com cooperativas. As tradings de soja, que tradicionalmente fazem essa operação no Centro-Oeste, dependem de capital externo, diferentemente do que ocorre com as cooperativas, que atuam no Sul do País. Em algumas localidades do Paraná, o percentual é ainda maior. Em Londrina, por exemplo, essa proporção está próxima de 50%, sendo 10 pontos percentuais de operações de troca e de 30 a 40 pontos percentuais de pré-fixação. Nessa região, os valores negociados entre o final de setembro e outubro estão, na média, entre R$ 42,00 e R$ 44,00 por saca de 60 Kg, um valor que, no mesmo período do ano passado, estava sendo fechado nos patamares de R$ 37,00 e R$ 38,00 por saca de 60 Kg - a alta forte das cotações da soja ocorreram a partir de janeiro de 2008. Os produtores do Paraná não estão com dificuldades de fazer pré-fixação, como ocorre no Centro-Oeste. Entretanto, a parcela de pré-fixação feita com pré-pagamento (adiantamento de recursos ao produtor) está bem inferior ao realizado no ano passado. A redução dessa modalidade de pré-fixação no País foi de 60% a 70% em relação ao mesmo período do ano passado. Na média nacional, o percentual de comercialização antecipada de soja é de 21%, contra os 33% registrados ao final de novembro do ano passado. Esse índice de 21% indica mais um comprometimento com entrega e menos fixação de preço. Há pouca fixação efetiva de preço para a próxima colheita, como ocorreu no ano passado.

A tendência é altista para os preços da soja ao longo de 2009, embora o risco de destruição da demanda devido à desaceleração econômica mundial continue representando um risco do ponto de vista fundamental. No entanto, já há indicações de que o consumo doméstico dos Estados Unidos ficará abaixo das estimativas originais. Mesmo assim, o equilíbrio entre oferta e demanda deve se manter apertado, e com a produção caindo, os preços devem apresentar um viés de alta a partir do começo do ano de 2009. Os preços internacionais de produtos agrícolas diretamente ligados à fabricação de alimentos, como arroz, milho, soja e trigo, tendem a apresentar melhor performance do que as cotações do petróleo ou dos metais em 2009. O mercado tende a andar de lado até o final do ano para começar a refletir os fundamentos em 2009 diante de uma possível estabilização da crise. A commodity tem sido relativamente sustentada pela sólida demanda internacional e pela projeção de aperto nos estoques de passagem dos Estados Unidos.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Dezembro/2008



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