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| Arroz: Tendência de estabilidade no curto prazo e alta no longo prazo |
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A próxima safra mundial de arroz será recorde, com queda dos preços mundiais do arroz. A oferta de arroz, motivo de distúrbios sociais neste ano, caminha para uma safra recorde e para a alta dos estoques mundiais em 2008/2009. Isso ocorre devido a uma resposta dos produtores, que aumentaram a área de plantio devido aos preços recordes do produto no início do ano. A produção mundial de arroz deve atingir 434,4 milhões de toneladas beneficiadas na safra 2008/2009. A oferta total do produto (incluindo estoques de passagem) subirá para 513 milhões de toneladas beneficiadas, acima do volume da safra anterior, mas ainda 6% inferior ao da safra 2001/2002. Os preços do arroz, após aceleração de novembro do ano passado a maio último, caíram acentuadamente no mercado internacional. Na Ásia, região de grande produção e consumo, o produto já recuou 40% desde maio. A queda se deve à remoção de barreiras às exportações, à elevação de safra, ao dólar forte e ao impacto da crise financeira. Os estoques finais mundiais deverão ser da ordem de 80,6 milhões de toneladas, correspondentes a 18,6% do consumo previsto ou 68 dias de consumo mundial. O nível de produção será levemente superior ao de consumo o que tem aumentado o estoque de passagem, com acréscimo em relação às safras 2006/2007 e 2007/2008. O volume do estoque final global tem se estabilizado ao redor de 77,0 milhões de toneladas, nas últimas quatro safras. O comportamento dos estoques mundiais é fortemente influenciado pelo volume dos estoques chineses, os quais apresentaram um aumento de 4,77% durante os anos safra 2006/2007 e 2007/2008. A produção na China tem se recuperado, com acréscimo acumulado de 15% entre os anos 2003/2004 e 2007/2008, enquanto o consumo teve redução de 3,80% no período. Vale ressaltar que, depois de 5 safras de quedas consecutivas, a China tem retomado a sua produção, devido à utilização cada vez maior de sementes híbridas com forte potencial produtivo. Para o ano safra 2008/2009, as perspectivas de produção mundial são boas, com um incremento de 3,3 milhões de toneladas em relação ao volume produzido na safra passada. O consumo deverá ter incremento de 4,1 milhões de toneladas e os estoques mundiais devem totalizar 80,6 milhões de toneladas. O comércio internacional deve alcançar 29,8 milhões de toneladas beneficiadas, contra um volume de 31,3 milhões de toneladas em 2007/2008.
Segundo o 3º levantamento da safra de grãos 2008/2009, divulgado em dezembro pela Conab, no Estado do Rio Grande do Sul, houve um crescimento de área de 2,0% para 2008/2009, em relação à safra anterior. A razão que levou a este acréscimo de área foi, principalmente, as cotações do produto no mercado, pois mesmo com um custo de produção relativamente maior, estão mais atrativas ao produtor do que em relação ao ano passado. Apesar da falta de chuvas neste último mês, a situação da cultura ainda está se desenvolvendo dentro da normalidade. Mesmo assim, em alguns casos, os produtores poderão antecipar a irrigação uma vez que os mananciais não apresentam problemas de abastecimento até o momento. Vale lembrar que o Rio Grande do Sul é o principal produtor de arroz, responsável por 62,0% da produção nacional. Sendo o Estado de Santa Catarina o segundo maior produtor nacional e devido às recentes ocorrências climáticas nesta região, sobretudo no Vale do Itajaí, onde o grão predominante plantado nesta região é o arroz, apesar de não ser a área mais importante do Estado para esta cultura, poderá vir ocorrer uma quebra na produtividade. Previa-se inicialmente um rendimento em torno de 7.000 kg/ha, mas, neste levantamento, está se prevendo 6.650 kg/ha. É provável que na próxima estimativa venha a ocorrer uma avaliação mais precisa (após o escoamento das águas), pois ainda poderá haver alguns replantios já que áreas importantes não chegaram a serem realmente atingidas pelas enchentes. Na Região Centro-Oeste, o Estado do Mato Grosso terá um aumento de área em 1,4%, maior que a safra 2007/2008 e um aumento de produtividade estimado em 4,3%, isto devido às boas condições das lavouras nas regiões produtoras. Devido ao aumento de área e produtividade média, na Região Centro-Sul, que corresponde a 61,0% do total de área plantada no País, a produção nacional estimada é de 12,25 milhões de toneladas, ficando 1,6% acima da safra passada e próxima ao limite inferior apresentado no último levantamento. O ano de 2008 foi bastante atípico – com a condição normal de oferta e demanda, havia a indicação que se repetiriam os efeitos de depressão de preços no início da safra. Entretanto, tendo em vista a elevação de forma abrupta das cotações internacionais, em que o arroz tailandês 100%B chegou a ser comercializado por US$ 1.028,00 por tonelada, trouxe como reflexo a majoração dos preços internos. Contudo, esse fenômeno não tinha consistência técnica e facilmente se previa que iria sofrer reduções importantes. Atualmente, já está sendo comercializado por volta de US$ 550,00 por tonelada e ainda há sinais de mais reduções principalmente em função dos efeitos recentes da crise no sistema financeiro mundial.
A safra brasileira de arroz 2008/2009 deverá ser reduzida nos próximos levantamentos da Conab. Além disso, o quadro de suprimento (oferta e demanda) ficará ainda mais apertado e a tendência é de preços sustentados em níveis elevados na safra 2008/2009. No acumulado do ano-safra 2007/2008 (março a outubro) foram exportadas 579,5 mil toneladas, ou 83% da projeção de 700 mil toneladas para todo o ciclo atual. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, as exportações apresentaram crescimento superior a 200%, em volume. A receita com as vendas externas cresceram em proporção ainda maior. A valorização dos preços do grão no mercado internacional durante este ano e a mudança do perfil do produto comercializado se refletiu no valor da tonelada exportada que passou de US$ 182 em 2007, para US$ 434 em 2008, um acréscimo em torno de 140%. Em outubro, a Nigéria comprou 16 mil toneladas de arroz parboilizado. O país africano é um dos maiores importadores mundiais do cereal. Atualmente, o arroz beneficiado representa cerca de 60% das exportações brasileiras, e é o parboilizado o principal exemplar do grão a alcançar o mercado externo. Os volumes de embarques registrados em outubro superaram as expectativas do setor, mas este mês a receita com as vendas externas deve ser menor. Atualmente, não estão sendo fechados novos negócios, apenas aqueles já concretizados estão sendo honrados. A importação de arroz atinge apenas 371 mil toneladas de arroz (base casca) no ano-safra 2007/2008, de março a outubro, permitiu ao setor acumular um superávit no período de 208 mil toneladas, marca até então nunca atingida. A balança comercial registra resultado ainda mais relevante. As vendas totalizaram US$ 251,4 milhões e as compras ficaram em US$ 155,9 milhões, gerando um saldo positivo de US$ 95,6 milhões. No referente período de 2007 a balança comercial do setor registrava apenas US$ 33,7 milhões no saldo final. Desde maio, a Conab vem realizando leilões para estabilizar o preço do arroz no mercado interno. Os estoques de arroz da Conab caíram para 629.339 toneladas após a seqüência de leilões interrompida na semana passada. Deste total, 626.915 toneladas estão depositadas no Estado do Rio Grande do Sul, o que corresponde a mais de 99% do total. Pequenos e inexpressivos volumes estão depositados nos Estados de Santa Catarina, Paraná, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Goiás e Ceará. A Conab tomaria uma decisão acertada em interromper em definitivo os leilões até o ingresso da próxima safra 2008/2009, dada a dificuldade que certamente terá em recompor estoques de arroz em 2009, ao contrário da tendência para outros grãos, como o milho e o trigo, sob forte pressão baixista. Caso esteja planejando manter a capacidade mínima de intervir no mercado em 2009, a recomposição de estoques será uma tarefa dificultada pelo cenário de preços muito acima do mínimo de garantia do governo, no caso do arroz.
Para 2009, o preço do arroz deve se manter em patamar elevado, bastante acima da média histórica. Os estoques ajustados no Brasil e no exterior explicam a tendência de sustentação, que este ano teve o incentivo extra das restrições à exportação adotadas por grandes produtores asiáticos como Vietnã e Tailândia. O mercado mundial de arroz é concentrado e relativamente pequeno, ante os demais grãos. O mundo negocia apenas 7% da produção mundial e cujo preço chegou a ultrapassar US$ 1 mil por tonelada beneficiada em abril/maio de 2008, contra US$ 470 a tonelada beneficiada em 2007. Os preços recuaram para uma faixa de US$ 450 a US$ 550 a tonelada beneficiada FOB exportadores asiáticos. As exportações brasileiras devem atingir 700 mil toneladas no ano-safra 2007/2008, superando as importações estimadas em apenas 600 toneladas, contra uma média histórica de 1,1 milhão de toneladas. A projeção é de um estoque de passagem muito baixo para o próximo ciclo 2008/2009, de apenas 1,082 milhão de toneladas, o menor das últimas dez safras. Esse estoque final é suficiente para apenas 1 mês de consumo doméstico. Com esses estoques de passagem (1,082 milhão de toneladas), acrescido de uma safra 2008/2009 de 12,247 milhões de toneladas, mais importações estimadas em 900 mil toneladas, a oferta total em 2008/2009 será de 14,229 milhões de toneladas. Com um consumo interno estimado em 12,900 milhões de toneladas e exportações de, pelo menos, 400 mil toneladas, a projeção é de estoques de passagem no final da safra 2008/2009 de apenas 930 mil toneladas. Esse volume representa menos de um mês de consumo doméstico no Brasil.
Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica
Dezembro/2008
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