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Suíno: Tendência de estabilidade no curto e no longo prazo

Suínos As tendências são favoráveis para a cadeia suinícola em 2009. Mesmo diante das incertezas da economia mundial para 2009, a Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs), se mostra otimista para o que pode acontecer no próximo ano para o mercado de carne suína. As boas perspectivas em relação à abertura do mercado chinês, depois da liberação das exportações de carne de frango, o acesso ao mercado do Japão e o avanço nas conversas com os Estados Unidos são alguns dos pontos considerados fundamentais para o executivo. Não é possível ter muita segurança para falar sobre 2009, mas levando em consideração alguns aspectos o próximo ano pode ser bom para a suinocultura. Além do acesso a mercados que ainda estão fechados para a carne suína brasileira, a valorização do dólar pode fazer com que o Brasil ganhe espaço em alguns países que deixaram de comprar a carne brasileira em 2008. Neste ano, a carne brasileira ficou cara pelo fato de o real estar valorizado, o que deixavam os produtos de exportação do Brasil menos competitivos. Em 2008, perdemos mercado para os Estados Unidos por causa do câmbio. Isso deverá ser revertido em 2009. Apesar de a valorização do dólar ter tornado os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional, a rapidez com que o dólar subiu não é saudável para ninguém. A instabilidade cambial tem adiado negócios, já que tanto compradores quanto vendedores não sabem quanto será o câmbio em poucos dias. Com essa volatilidade não dá para programar as vendas futuras. Isso deve durar ainda durante todo o primeiro trimestre de 2009, para que as coisas voltem ao normal a partir de abril ou maio.

Ainda sobre o mercado externo, a crise financeira provocou redução nas exportações, especialmente sobre a demanda da Rússia, maior importador da carne suína brasileira. Aliado à crise, as recentes chuvas que atingiram Santa Catarina inviabilizaram as exportações pelo Porto de Itajaí, a principal porta de saída da carne suína nacional. Segundo dados da própria Abipecs, as exportações de carne suína somaram 27,47 mil toneladas em novembro, volume 48,6% abaixo das 53,47 mil toneladas embarcadas no mesmo mês do ano passado. A receita das exportações recuou cerca de 37% no período, passando de US$ 124 milhões para US$ 78,24 milhões. Segundo a Abipecs, caso não houvesse ocorrido problemas com escassez de crédito e impossibilidade de embarque por Itajaí as exportações brasileiras de carne suína neste ano atingiram o recorde de 625 mil toneladas, obtido em 2005. O setor deve fechar o ano com embarques em torno das 580 mil toneladas, o terceiro melhor resultado histórico, abaixo das 606,5 mil toneladas embarcadas no ano passado. Mesmo com motivos para manter o otimismo, existem alguns pontos que ainda preocupam e podem atrapalhar a manutenção dos números registrados em 2008 também em 2009. A dependência da Rússia é um deles. Praticamente 40% das exportações brasileiras vão para o mercado russo que tem insistido para rever os preços de negócios já fechados e ainda gera incerteza para o futuro. Ainda não se sabe qual o real efeito da crise sobre a Rússia. Falta transparência nas negociações com aquele mercado, mas também é nosso principal cliente. Outro motivo de preocupação está ligado ao Brasil. As medidas de apoio do governo para não deixar faltar crédito para as empresas exportadoras não estão chegando na ponta fina. O governo tem sido lento e ainda existe muita dificuldade em acessar linhas de crédito, o que tem feito com que as empresas já estão revejam os investimentos que haviam programado para o ano que vem. Faltam políticas anti-cíclicas para o governo e essas medidas precisam ser implantadas agora, pois demoram para ter o resultado esperado.

Produção de Suínos Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), no acumulado de janeiro a novembro deste ano, os embarques brasileiros de carne suína caíram 8,3% em toneladas, mas aumentaram 30,7% em valor. O Brasil exportou, no período, 498,34 mil toneladas no valor de US$ 1,40 bilhão, em relação a 543,51 mil toneladas de janeiro a novembro de 2007, que totalizaram US$ 1,07 bilhão. Nos últimos doze meses, o Brasil exportou um total de 561,34 mil toneladas e contabilizou uma receita de US$ 1,56 bilhão. Na comparação com os 12 meses anteriores (de janeiro de 2006 a novembro de 2007), houve uma queda nas vendas externas de carne suína de 4,44% em toneladas, pois, no período, as exportações atingiram 587,40 mil toneladas, mas houve um aumento de 34,68% em valor, US$ 1,16 bilhão.

Apesar das cotações em queda, o produtor de suínos do Paraná registra neste ano aumento de rentabilidade. O preço recebido, entre janeiro e outubro deste ano, é 57,5% maior, em média, que no mesmo período de 2007, segundo estudo do Departamento de Economia Rural (Deral). Os principais produtos suínos comercializados no atacado paranaense são a carcaça suína e os cortes lombo sem osso, paleta com osso e pernil com osso. De janeiro a outubro de 2008, os preços da carcaça suína no atacado foram, em média, 48,6% maiores que no mesmo período de 2007. O lombo suíno teve aumento de 10,3% em relação ao mesmo período do ano passado. A paleta suína teve aumento de 46,1% e o pernil suíno, de 31,5% sobre os 10 meses de 2007. Segundo o Deral, os custos de produção ainda não estão críticos devido ao baixo preço da saca de milho, em queda desde agosto. Em novembro, o preço recebido pelo milho teve redução de 6,8% em relação a outubro e a média parcial de novembro ficou em R$ 15,82 por saca de 60 Kg. Assim, a relação de troca do produto/insumo de janeiro a outubro foi, em média, 8,1 quilos de suíno/saca de milho, muito melhor que no mesmo período do ano passado quando a relação era de 10,3. Outubro foi a melhor relação de troca entre os meses de 2008 e ficou em 6 quilos de suíno/saca de milho. Nestas semanas de novembro, apesar da redução do preço do suíno, a relação de troca ainda está boa para o suinocultor, em torno de 7,1 quilos de suíno/saca de milho. Os preços no atacado, na média parcial de novembro, também sofreram reduções em relação ao mês de outubro: carcaça suína, R$ 4,77/kg (-14,4%); lombo suíno sem osso, R$ 8,85/kg (-1,9%); paleta.

A produção e consumo de carne suína devem crescer em 2008 e em 2009. A produção de carne suína deve crescer 1,1% em 2008 4,0% em 2009. O consumo interno deve crescer 2,4% em 2008 e 2,0% em 2009 e as exportações de carne suína devem crescer 12,1% em 2009. O consumo per capita de carne suína, em 2008, vai superar em muito os 13,1 quilos demandados em 2007.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Dezembro/2008



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