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| Leite: Tendência de estabilidade no curto prazo e no médio prazo |
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A tendência é de estabilidade dos preços do leite e dos lácteos no mercado interno no curto prazo e no médio prazo, após a seqüência de recuos no segundo semestre de 2008. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que os preços do leite recebidos pelos produtores acumulam queda de 22,2% nos últimos seis meses. Desde junho, a média ponderada nacional (RS, SC, PR, SP, MG, GO e BA) vem caindo sucessivamente, chegando a novembro (valores recebidos pela produção entregue em outubro) a R$ 0,5883/litro (bruto), redução de pouco mais de 2 centavos sobre a média do mês anterior. Nos mesmos seis meses do ano passado, registrava-se alta de 16,9%, com a média de novembro/2007 a R$ 0,697/litro (bruto). A seqüência de baixas somada à relação de troca de leite por grãos desfavorável nos últimos meses limita o incentivo para que a produção fosse retomada, o que tradicionalmente ocorre no segundo semestre. Em novembro, as quedas mais expressivas foram registradas em Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, entre 6% e 8%. O preço médio de Goiás em novembro foi de R$ 0,5775/litro, de Mato Grosso do Sul, R$ 0,4513 e o de MG, de R$ 0,5917 - valores brutos, a serem descontados 2,3% de CESSR e frete. Já nos três estados do Sul e também na Bahia e em São Paulo, a média mensal ficou praticamente estável, com alguns registrando ligeiras altas e São Paulo, pequena queda. Esse comportamento confirma a tendência regional apontada por compradores de leite consultados no mês anterior - naquele período 77,4% dos compradores do Sul acreditavam em estabilidade dos preços para o pagamento atual. No médio prazo, a tendência é de estabilidade nos preços.
De acordo com o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L), de maio para outubro, o volume recebido pelos laticínios/cooperativas aumentou apenas 5,3%, contra 36,2% no mesmo período de 2007. De setembro para outubro, a ampliação foi de 1,36%. Apesar de bastante modesto, pelo menos por enquanto, o crescimento da oferta não pode ser interpretado como sinalização de que o consumidor virá a pagar mais por derivados em médio prazo. Para os agentes do setor - produtor e indústria - pode, na verdade, ser um alívio, tendo em vista que estariam com preços relativamente baixos, devido aos elevados estoques. No segundo semestre do ano passado e no primeiro deste ano, as indústrias intensificaram suas compras para atender às fortes demandas interna e externa. Isso se deu através de estímulos de preços ao produtor que se motivava também com a relação de troca de leite por grãos bastante favorável. O resultado foi crescimento expressivo da oferta de leite e, conseqüentemente, dos estoques de derivados. Analisando-se os preços atuais dos derivados no mercado atacadista, constata-se que os estoques passaram do ponto ideal. Possivelmente, foram programados considerando-se que a demanda seguiria o forte crescimento daquele período. Como se vê neste final de ano, a demanda interna e talvez mesmo a externa continuaram crescentes (positivas), mas não no mesmo ritmo de antes, resultando em escoamento dos estoques mais lentamente que o previsto.
Os estoques de leite em pó somam o equivalente a 1,4 bilhão de litros, um volume elevado que pode derrubar os preços. Os preços do leite em pó vêm apresentando queda no atacado nos últimos meses. Aumento da produção, queda no consumo doméstico, dificuldades para exportação e estoques altos nas indústrias são alguns dos motivos apontados pelo setor para explicar tal situação. De acordo com dados do Cepea-Esalq/USP, o quilo do leite em pó integral, no atacado, ficou em R$ 10,53, queda de 1,5% em relação a julho e 8,3% em relação a junho. No varejo, segundo dados do IEA (Instituto de Economia Agrícola), o quilo do leite em pó no mercado paulista foi comercializado a R$ 17,83, mostrando alta de 3,1% em relação a julho e queda de 1,4% sobre o preço de junho. Todos os valores foram corrigidos pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna). E na ponta desta cadeia está o produtor, que vem sentindo ao longo dos últimos 4 meses quedas contínuas no preço recebido pelo leite. Considerando a relação de equivalência de 8,2 litros de leite fluido para produção de 1 kg de leite em pó, nota-se que a relação entre preços no atacado e preços ao produtor vem decrescendo a partir de junho, o que pode mostrar que a margem das indústrias, para esse produto, ficaram mais reduzidas nesse período. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a Linha Especial de Crédito (LEC) para o leite. O prazo de contratação da linha será até 30 de junho de 2009, com limite de financiamento de R$ 15 milhões. O governo informou que a medida tem o objetivo de garantir aos produtores o Preço Mínimo de Garantia. Além disso, as agroindústrias e cooperativas poderão estocar leite.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os preços de exportação de lácteos na Oceania e no Oeste da Europa, entre 20 de novembro e 04 de dezembro, apresentaram queda para a maioria dos produtos (exceto o leite em pó desnatado e soro de leite no Oeste da Europa, que se mantiveram estáveis) comparados à quinzena anterior. Na Oceania, o leite em pó integral fechou a quinzena com preço médio de US$ 2.225/tonelada. No Oeste da Europa, a pressão de queda parece ter perdido um pouco a força; dois produtos mostraram estabilidade de preços e, para os outros, a variação negativa foi mais suave nesta última quinzena. Os preços do leite em pó integral variaram entre US$ 2.525/tonelada e US$ 2.700/tonelada (média de US$ 2.612,50/tonelada), mostrando queda de 2,8% em relação à quinzena anterior. Para o leite em pó desnatado, os preços permaneceram estáveis em relação à média da quinzena anterior, com valores entre US$ 1.975/tonelada e US$ 2.150/tonelada. Os valores para o soro de leite oscilaram entre US$ 475/tonelada e US$ 600/tonelada, uma média de US$ 537,50/tonelada, se mantendo estáveis em relação à quinzena anterior. Na Oceania, todos os produtos apresentaram queda de preços. O valor médio do leite em pó integral, US$ 2.225/tonelada, apresentou queda de 9,18% em relação à última quinzena, com valores entre US$ 2.050/tonelada e US$ 2.400/tonelada. Os valores do leite em pó desnatado ficaram entre US$ 1.900/tonelada e US$ 2.200/tonelada, uma média de US$ 2.050/tonelada, um recuo de 4,65% em relação à quinzena anterior. Os valores médios da manteiga foram de US$ 2.450/tonelada na Oceania, queda de 10,9% em relação à quinzena anterior, e US$ 2.725/tonelada no Oeste da Europa, queda de 2,24%. Na Oceania, o preço médio do queijo cheddar, US$ 3.150/tonelada, teve queda de 4,55% em relação à quinzena anterior, com valores entre US$ 2.800/tonelada e US$ 3.500/tonelada. Os preços no mercado mundial parecem estar estabilizando, com mais requisições de fornecimento de longo prazo. Contudo, a recuperação dos preços não é esperada até que os estoques se reduzam, respondendo aos baixos preços atualmente praticados, o que provavelmente se dará a partir do segundo semestre de 2009. A queda na relação euro/dólar tem mantido o leite em pó desnatado da Europa competitivo, apesar do contínuo declínio no mercado global. O principal problema do leite em pó desnatado na Europa foi a queda na procura por parte das indústrias de alimentação animal, depois que os subsídios foram abolidos, juntamente com o altos preços de 2007, resultando na escolha por outras fontes de proteína. No caso do leite em pó integral, os preços estão caindo, mas ainda não são considerados competitivos no mercado global. O mercado de queijos está estagnado, principalmente para os exportadores.
Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica
Dezembro/2008
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