|
|
|
|
|
|  |
| Milho: Tendência de baixa no curto prazo e no longo prazo |
 |
 |
 |
 |
 |
 |

No mercado mundial, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) promoveu uma redução na estimativa de produtividade e, como não alterou a área, a safra norte-americana do cereal 2008/2009 foi reduzida em 305,32 milhões de toneladas. O volume é 0,1% menor do que o estimado em outubro e 0,36% inferior á expectativa média do mercado (306,49 milhões de toneladas). A diminuição na oferta foi pequena e insuficiente para compensar o único corte que o USDA fez do lado da demanda. As exportações foram reduzidas de 49,53 milhões de toneladas, para 48,26 milhões de toneladas. A redução nas vendas externas também foi uma surpresa. Depois da redução de 1,27 milhão de toneladas que o USDA havia feito na correção do final de outubro, o mercado esperava que o volume ficasse inalterado. Com a redução no consumo maior que a diminuição da safra 2008/2009, os estoques finais da safra 2008/2009 cresceram de 27,64 milhões de toneladas, para 28,55 milhões de toneladas. Como contavam com o aumento na estimativa de safra, sem mudanças no lado da demanda, os traders esperavam também estoques maiores, mas de 29,47 milhões de toneladas. Com isso, relação estoques finais/consumo para a safra 208/2009 subiu de 8,6%, para 9,0%. Os problemas com a safra da Argentina provocaram uma redução da produção do país em 2008/2009 de 19,0 milhões de toneladas, para 18,0 milhões de toneladas. O Brasil ficou com a mesma projeção de 55,0 milhões de toneladas de outubro. Para a safra 2007/2008, por outro lado, a safra da Argentina foi elevada de 20,5 milhões de toneladas, para 20,85 milhões de toneladas. A safra da China também cresceu, passando de 151,8 milhões de toneladas, para 152,3 milhões de toneladas. No lado da demanda, o consumo total foi reduzido de 776,8 milhões de toneladas, para 774,18 milhões de toneladas. Portanto, a demanda mundial, agora estimada em 797,7 milhões de toneladas, supera a produção da safra mundial 2008/2009, revisada para 781,3 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais, no entanto, cresceram de 122,8 milhões de toneladas, para 126,5 milhões de toneladas.
A tendência é de baixa dos preços internos do milho no curto e no longo prazo. A recessão que abala as principais economias mundiais derrubou o preço do petróleo, base na formação de preços das commodities, e as cotações dos principais produtos agrícolas na última semana. O milho foi o item que mais perdeu no período, com queda em todos os pregões. Na primeira semana de dezembro, os contratos com entrega em março atingiram o menor nível em dois anos e fecharam em US$ 3,09 por bushel, um recuo de 7,4%. A retração mundial deverá diminuir a demanda por biocombustíveis e carnes. O grão é base para a produção de etanol nos EUA e usado na composição de ração para animais, sendo o mais atingido. O milho caiu de um recorde de US$ 8,00 por bushel no ano de 2008.
Segundo o 3º levantamento da safra de grãos 2008/2009, divulgado em dezembro pela Conab, a área com a 1ª safra de milho 2008/2009 está estimada em 9,3 milhões de milhões de hectares, registrando, assim, uma redução de 3,2%, em comparação à safra anterior. Os principais decréscimos ocorreram na Região Centro–Sul, destacando-se os Estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No Estado do Paraná importante produtor nacional, a área foi reduzida em 7,5% e a produtividade média está estimada em 6.813 kg/ha, refletindo, desta forma, uma redução de 3,5% comparativamente à safra anterior. Naquele Estado correu intenso ataque de lagarta do cartucho, de difícil controle, notadamente nas regiões sudoeste e oeste. A falta de chuva pode ainda comprometer a produtividade das lavouras que se encontram nas fases de floração e frutificação. Outro importante Estado produtor é o Rio Grande do Sul, configurando-se como o maior em extensão de áreas. Neste Estado, o levantamento indica acréscimo de 0,7% na área. Em decorrência da estiagem que vem ocorrendo nas principais regiões produtoras do estado, as lavouras que se encontram na fase de floração e granação começam a sentir a falta de umidade no solo. A produção na 1ª safra de milho 2008/2009 está estimada em 37,023 milhões de toneladas, um recuo de 7,4% em relação à produção de 39,976 milhões de toneladas na 1ª safra 2007/2008. Quanto ao milho da 2ª safra 2008/2009, foram reduzidas as estimativas de produção em 6,8%, em relação à safra anterior, passando de 18,7 milhões de toneladas, para 17,4 milhões de toneladas, o que reduzirá o volume em aproximadamente 1,3 milhão de toneladas. Na verdade, a Conab ainda não detectou a redução real e expressiva que deve ocorrer na área e na produção da 2ª safra 2008/2009. Segundo o 3ª levantamento de intenção de plantio de milho, realizado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agrícola (Imea), a estimativa é de uma queda de 26% a 31% na área de milho da safrinha em 2008/2009, a ser semeada a partir de fevereiro. Segundo o Imea, órgão ligado à Federação de Agricultura do Mato Grosso (Famato), levando em conta a média histórica de produtividade de 63,3 sacas de 60 kg de milho, por hectare, os produtores de milho mato-grossenses devem colher em 2009 entre 40% a 44% menos que em 2008, quando foram produzidas na safrinha 7,757 milhões de toneladas de milho em 1,656 milhão de hectares cultivados. No levantamento divulgado nesta segunda-feira, sobre a safra 2008/2009, a Companhia Nacional de Abastecimento não trouxe números novos para a área a ser semeada com milho na segunda safra de 2008/2009. Estima apenas a produção, 11% inferior à colhida em 2008, ou seja, 6,2 milhões de toneladas, contra as 7,016 milhões de toneladas apontadas no levantamento do governo federal no último ciclo. A respeito de sua projeção, o Imea ressalta que se trata de uma intenção de plantio, ainda em fase de definição. O Mato Grosso e o Paraná são os principais produtores de milho da safrinha do País. Juntos respondem por 70% do total produzido.
No entanto, segundo o levantamento da Conab, a produção brasileira de milho da 1ª safra 2008/2009 poderá atingir 37,023 milhões de toneladas que, somados ao volume estimado para a 2ª safra 2008/2009, será ofertada ao mercado uma produção de 54,444 milhões de toneladas. Cabe destacar que esse número deverá ser reduzido nos próximos levantamentos, pois em relação ao milho da 2ª safra 2008/2009, foram reduzidas as estimativas de produção em 6,8%, em relação à safra anterior, passando de 18,7 milhões de toneladas, para 17,4 milhões de toneladas, o que reduzirá o volume em aproximadamente 1,3 milhão de toneladas. Quando for detectado o real recuo da área e da produção da 2ª safra 2008/2009, a produção total de milho deve cair mais na safra de milho 2008/2009.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Brasil exportou 775,0 mil toneladas em novembro, contra 398,9 mil toneladas em outubro. As exportações de milho cresceram 94,2% em novembro na comparação com outubro. O crescimento reflete a valorização do dólar sobre o real e a queda nos preços do milho, que tornaram o cereal brasileiro mais competitivo. Apesar da reação das vendas externas de milho, os números de novembro ainda estão abaixo do que foi registrado em novembro de 2007, quando o País exportou 1,274 milhão de toneladas do grão. No acumulado do ano, as vendas externas do cereal somam 5,047 milhões de toneladas, um volume 49,6% menor que o embarcado nos 11 meses de 2007, que foi de 10,018 milhões de toneladas.
A tendência clara é de aprofundamento da pressão baixista sobre os milho nos primeiros meses de 2009. Os estoques de passagem recordes vão pressionar mais as cotações, porque se acumularão como a colheita da 1ª safra 2008/2009 do Centro-Sul. Viemos de um ano (2008) de safra de verão recorde, safrinha recorde e exportações muito abaixo do necessário para reduzir os excedentes. A projeção é de um estoque de passagem muito alto para o próximo ciclo 2008/2009, de 12,814 milhões de toneladas, o maior da história do país. Com esses estoques de passagem (12,814 milhões de toneladas), acrescido de uma safra 2008/2009 de 54,444 milhões de toneladas, mais importações estimadas em 300 mil toneladas, a oferta total em 2008/2009 será de 67,559 milhões de toneladas. Com um consumo interno estimado em 46,725 milhões de toneladas e exportações de 7,5 milhões de toneladas, a projeção é de estoques de passagem no final da safra 2008/2009 de 13,334 milhões de toneladas, o que seria um novo recorde histórico, mantendo pressão baixista sobre os preços internos durante toda a próxima safra brasileira 2008/2009.
Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica
Dezembro/2008
|
 |
|
 |
|
|