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Boi: Tendência de baixa no curto prazo e de alta no longo prazo

Bois Após um primeiro semestre bastante firme, o mercado do boi gordo passou à estabilidade. No entanto, a oferta de gado deve seguir restrita no Brasil em 2009. A oferta de gado gordo para abate continua muito restrita. Os abates dos últimos 12 meses estão 11% abaixo em relação aos 12 meses anteriores. Nos últimos 3 meses, a diferença é ainda maior, 13%. A perspectiva é que nos próximos meses a oferta seja ainda menor. Esse ano, os confinadores reportaram ter comprado garrotes mais caros, de pior qualidade e a uma distância maior. Ou seja, esgotaram ainda mais os estoques de animais, que não sendo terminados na entressafra, seriam engordados e abatidos nessa safra que agora se inicia. Em resumo, haverá menos gado para abate nos próximos meses do que no mesmo período do ano passado. Os altos custos de produção e diminuição do crédito para grandes projetos pecuários também devem diminuir a velocidade com que a produção de bezerros se recupera. Ainda é impossível precisar quanto tempo demorará, para que a produção volte a crescer e derrubar novamente os preços. Com esse cenário de custos mais altos, apenas os mais eficientes, produtivos, conseguirão lucratividade. Com isso, menos investimentos mais pesados devem ocorrer. Antes de investir será preciso se profissionalizar. O preço pode cair por outros fatores (como menor demanda mundial), mas continua sendo propriedades habilitadas a exportar carne bovina in natura para a União Européia (UE) e a reformulação do Sisbov, que devem contribuir para o crescimento dos embarques. Em 2007, as vendas para a UE foram de 380 mil toneladas, volume que caiu para 90 mil toneladas neste ano. Faltam mais áreas habilitadas para a UE. No entanto, a quantidade tem aumentado nos últimos meses. Atualmente, 608 estabelecimentos foram habilitados. Em 2007, eram 10 mil. Para 2009, a meta é recuperação rápida do mercado europeu. No ano que vem, a venda deve continuar aquecida e as exportações crescentes, porque ficou atrativo economicamente. De acordo com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), no acumulado do ano (janeiro a outubro) o Brasil exportou pouco mais de 1,89 milhão de toneladas de equivalente carcaça de carne bovina, com faturamento de US$ 4,67 bilhões. Em relação ao mesmo período do ano passado houve um aumento de 26% em receita, com retração de 13% em volume. As exportações de carne in natura caíram 15% em quantidade, com expansão de 21% em receita. Já para a carne industrializada houve aumento em valor e volume: 59% e 8%, respectivamente. O maior comprador de carne bovina in natura do Brasil tem sido a Rússia, com 38% de participação, seguida de Venezuela (9%), Irã (7%), Hong Kong (5%), Egito (5%), Argélia (4%) e Israel (4%). Outros países, com pouca representatividade individual, ficaram com os 28% restantes. Já com relação à carne industrializada, 20% do total exportado vai para os Estados Unidos, seguidos por Reino Unido (14%), Itália (6%), Países Baixos (6%), Alemanha (2%), Bélgica (1%) e Jamaica (1%). O grupo “outros” fica com os 50% restantes. Este ano, com o aumento das restrições européias a carne in natura do Brasil, houve um crescimento mais expressivo das vendas de carne industrializada (aliás, as vendas de in natura caíram), inclusive para a própria UE. No final de 2008, a crise financeira internacional tem impactado negativamente os embarques, com especial destaque para a Rússia.

Produção de Boi O preço do boi gordo e da carne bovina deve se manter sustentado nesse período de crise. A carne bovina está com valores acima da inflação. O que tem interferido no preço da carne, que se mantém em constante alta, não é a crise financeira atual, mas a questão da febre aftosa, que afetou o setor entre os anos de 2005 e 2006. Há um problema de oferta e demanda no mercado, pois o ciclo da pecuária gira em torno de 3 a 4 anos, e os investimentos na criação de gado que foram feitos depois da crise aftosa só deve se refletir no próximo ano. O mercado está enxuto, há falta gado e falta de carne. Isso tem sustentado os preços em constantes altas. Para 2009, não deve haver retração no consumo interno, nem na exportação. Mas o crescimento nos dois mercados deve ser a passos mais lentos. O País vinha em constante crescimento de exportação, por exemplo. Entre 1998 até agora, o volume exportado cresceu em expressivos 480%. Segundo dados de 2007, o Brasil exporta cerca de 25%, ou seja, 2,4 milhões de toneladas da carne que produz e importa um volume pouco significativo, de cortes mais específicos e nobres. Lembrando, também, que as fêmeas, que sempre dão uma força para as indústrias, estão voltando a serem retidas, graças à valorização do bezerro e a tendência de preços firmes para o boi gordo em 2009.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Dezembro/2008



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