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| Algodão: Tendência de baixa no curto prazo e alta no longo prazo |
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Segundo o 3º levantamento da safra de grãos 2008/2009, divulgado em dezembro de 2008, pela Conab, a área plantada com algodão no País sinaliza redução de 20,4% relativamente à safra anterior. Comparada aos dados apurados no levantamento de novembro passado, a redução foi de 10,0%, ou seja, o País sairá de uma área de 1.077,4 mil hectares cultivados, na safra 2007/2008, para uma área de 857,5 mil hectares, na safra 2008/2009, o que, em valores absolutos, significa 219,9 mil hectares a menos. Registram-se reduções de áreas em todas as regiões brasileiras, com destaque para região Centro-Oeste, onde o recuo foi de 27,9%. Na referida região as maiores retrações ocorreram nos Estados de Goiás e Mato Grosso, com recuos de 18,3% e 30,0%, respectivamente. A baixa rentabilidade da cultura, aliada às restrições de crédito, são os principais fatores que estão desestimulando os produtores a investirem na cultura do algodão. O inicio do plantio está previsto para a segunda quinzena de dezembro prolongando-se até meados de fevereiro de 2009, na Região Centro-Sul. No sudoeste e oeste Baiano, o plantio encontra-se em fase de implantação. Configurando-se as atuais estimativas espera-se que o País oferte ao mercado 1.268,6 mil toneladas de pluma, equivalendo a uma redução de 20,8%, em relação ao volume colhido na safra passada (1.602,2 mil toneladas). Na safra 2007/2008, o Brasil colheu 1.602,2 mil toneladas de pluma, recorde absoluto, a soma das exportações também serão recordes no encerramento do exercício, devendo totalizar algo em torno de 520,0 mil toneladas, gerando um montante de receita da ordem de US$ 586,3 milhões. Neste contexto, o consumo estimado é de 1.050,0 mil toneladas e os estoques de passagem deverão totalizar cerca de 454,5 mil toneladas, dando tranqüilidade ao setor têxtil para operar no período de entressafra.
Os preços médios recebidos pelos produtores no período de entressafra (dezembro de 2007 a abril de 2008) situaram-se na faixa de R$ 45,60 por arroba. Com a entrada de produto da nova safra (2007/2008) a partir de maio, o mercado passou a operar em bases inferiores, assim, o valor médio de comercialização para o mercado interno e externo obtido no período de maio a novembro foi de R$ 41,00 por arroba, para o produto posto no pátio da indústria ou porto. Descontando-se despesas de frete e seguro no transporte do produto, significa que o produtor recebeu líquido, algo em torno de R$ 36,00 a R$ 37,00 por arroba, para vendas efetuadas no mercado interno. Entretanto, a este montante, deverão ser adicionados os valores de subvenção (PEPRO), concedidas pelo Governo Federal cuja comprovação até o mês de novembro, apresentou uma média de R$ 7,65 por arroba, totalizando respectivamente R$ 43,65 a R$ 44,65 por arroba. Dessa forma, conclui-se que de uma forma geral o produtor vem recebendo na comercialização do seu produto, valores equivalentes ao preço mínimo estabelecido pelo Governo Federal. Considerando o câmbio médio de janeiro a novembro de 2008 de R$ 1,78 e os valores médios de contrato de exportação de 60,00 cents por libra-peso, constatou-se que o valor líquido médio recebido pelos produtores FOB porto ao longo de 2008, situou-se na faixa de R$ 31,50 por arroba. Fazendo-se a decomposição até a zona produtora, verifica-se que a importância líquida recebida pelo cotonicultor foi de R$ 26,60 por arroba, Adicionando a este os R$ 7,65 por arroba que é a média da subvenção paga no decorrer do período, tem-se o montante final de R$ 34,25 por arroba, valor este, muito aquém do preço mínimo estabelecido pelo Governo Federal. O governo federal afirma que não adotará novas medidas para estimular o plantio de algodão, alegando que não há como intervir além do limite que já foi feito para a safra 2008/2009. O governo afirma que a queda na produção, estimada em 20,8% pela Conab, é reflexo da retração do mercado externo. Segundo a Conab, a retração dos preços da pluma, a elevação dos custos de produção e a concorrência com a soja determinaram a queda. Para a iniciativa privada, a falta de crédito para o plantio também influenciou na decisão dos produtores. Os tempos serão difíceis para os produtores de algodão nos próximos dois anos. Com custos de produção altos e rentabilidade negativa, a área plantada no País deverá cair até 20% na safra 2008/2009 e poderá sofrer novo recuo em 2009/2010. A cultura é muita cara por conta da maior aplicação de insumos. Como os defensivos têm um peso grande nos custos, os produtores tendem a fazer suas apostas em culturas de menor risco. A projeção é de uma rentabilidade negativa para o algodão na próxima safra 2008/2009.
Segundo projeção do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC), a produção mundial de algodão deve cair 6% em 2008/2009, para 24,7 milhões de toneladas, já que os agricultores devem migrar para culturas mais rentáveis para se capitalizar. Menos terras estão sendo usadas para cultivar algodão em todo mundo, uma vez que os fazendeiros migram para o milho, o trigo, a soja, o arroz e a cana-de-açúcar, para se manter no agronegócio. Segundo relatório do ICAC, os preços internacionais da commodity caíram cerca de 30% nos últimos meses. O Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC) previu ainda que a demanda industrial por algodão deve cair 1%, para 26,0 milhões de toneladas, um reflexo da crise econômica e da maior competitividade do poliéster em relação ao algodão. Os estoques mundiais da fibra devem encerrar o ciclo 2008/2009 com 10,9 milhões de toneladas, uma redução de 11% em relação à safra passada. O algodão até teria fortes motivos para encerrar com forte valorização o mês de novembro, uma vez que perderá espaço para os grãos nos Estados Unidos. No entanto, em momentos de crise, a demanda pela pluma desaba, o que fez as cotações da commodity acumular uma baixa de 17,05% em novembro. Em 12 meses, a queda atinge 33,98%.
Os preços futuros do algodão devem ser mais baixos na safra 2008/2009 devido a uma desaceleração mais forte do que o esperado do crescimento econômico mundial, mas devem se recuperar nas temporadas seguintes, especialmente a partir de 2010/2011. A demanda por algodão deteriora-se à medida que os principais consumidores de têxteis do mundo estão em recessão ou a caminho dela. A desaceleração do PIB dos países em desenvolvimento também vai afetar o consumo. Por outro lado, mais agricultores migram do algodão para culturas mais rentáveis, o que deve provocar uma pressão sobre os estoques da pluma quando a demanda retomar fôlego a partir de 2010. A projeção é de preço médio dos futuros de algodão negociados na ICE Futures US, em Nova York, de 54 cents por libra-peso na safra 2008/2009, pouco abaixo dos 55 cents por libra-peso do ciclo anterior. A cotação deve saltar para 64 cents por libra-peso em 2009/2010 e 72 cents por libra-peso em 2010/2011.
Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica
Dezembro/2008
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