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Leite: Tendência de baixa no curto prazo e no médio prazo

Produção leiteira A tendência é de recuo gradual dos preços do leite ao produtor, com a queda dos preços dos lácteos no atacado e no varejo. A tendência é de que os preços do leite ao produtor recuem novamente no mês de julho, uma situação atípica considerando a época de entressafra no Sudeste e Centro-Oeste. Os consumidores não absorveram as altas de preços dos lácteos no varejo no início do ano - em especial do leite longa vida -, gerando queda nas vendas do produto, com consequente redução dos preços no atacado. Outro motivo alegado pelas indústrias para redução dos preços foi o aumento da oferta. Segundo a Pesquisa Trimestral do Leite (IBGE), divulgada no final de junho, a captação formal no 1º trimestre de 2010 cresceu 5,7% em relação ao mesmo período de 2009, e 4,6% acima frente ao volume captado no 1º trimestre de 2008. O maior aumento se deu em março, último mês do trimestre, sugerindo que provavelmente os três meses seguintes tenham tido comportamento semelhante, notadamente em função do aumento dos preços ao produtor a partir de janeiro, aliado aos preços menores dos grãos (melhorando a relação de troca e favorecendo a alimentação do rebanho). Caso a produção tenha se mantido crescente nos 3 meses seguintes, é possível que o 1º semestre tenha fechado com um volume consideravelmente maior de leite internamente. Os dados de captação do Cepea, no entanto, apontam queda na oferta no segundo trimestre, de forma que não é possível ainda ter uma ideia clara do comportamento dessa variável no primeiro semestre. Ao analisarmos o volume de leite disponível no mercado interno dividido pela população média do período, nota-se que houve um aumento na disponibilidade per capta no 1º trimestre de 2010 em relação a 2009.

Nos primeiros 3 meses do ano, o consumo aparente de leite pelos brasileiros ficou em 27,4 quilos/habitante/ano, registrando uma disponibilidade 3,8% maior de leite por habitante. Esse valor - 3,8% - é superior ao crescimento médio do mercado em volume nos últimos 10 anos, que ficou ao redor de 3,0% a 3,1% ao ano. Para o produtor, entretanto, os últimos meses não foram negativos. Analisando os dados mensais desde o ano 2000, a Receita Menos Custo de Ração (considerando uma vaca com produção média de 20 Kg de leite/dia) no mês de maio deste ano, corrigida para a inflação, só foi pior do que agosto a setembro de 2007, o que deve ter motivado o aumento da produção. O aumento da oferta, aliado à elevação de preços ao consumidor, resultou em diminuição das vendas e acúmulo de estoques em uma época pouco convencional. Em função disso, no atacado, as cotações do leite longa vida continuam em queda, com negócios desde R$ 1,30 a até R$ 1,50 o litro. Muitas indústrias ainda estão com estoques consideráveis do produto, forçando os preços para baixo. O leite em pó também registra queda, cotado em média entre R$ 6,80 e R$ 7,50/kg no atacado, e formação de estoques. No varejo, a queda do leite longa vida em junho foi mais evidente. No interior de São Paulo, o leite UHT (longa vida) registrou uma queda de 6,6% (-R$ 0,134/litro) no mês de junho em relação à média do mês de maio (em maio, a média ficou praticamente estável frente a abril). Em junho notou-se também um aumento na diferença entre o dia da pesquisa e a data de fabricação (tempo de prateleira) do produto.

A queda nos preços do atacado reflete imediatamente no leite spot e, em um segundo momento, no preço ao produtor. O preço do leite subiu 41,9% de meados de janeiro ao fim de maio. O freio no consumo ajuda a explicar parte da melhora nos preços para o consumidor. Os preços do leite longa vida (UHT) no atacado saíram de, em média, R$ 1,80 há um mês para R$ 1,30 — uma redução de 27,77%. Com isso, os supermercados ampliaram suas ofertas de leite nas prateleiras. Ao contrário do que se espera para a época, os preços caíram. Quando fica frio, o pasto piora a qualidade e, com isso, o gado come menos, afetando a produção de leite. O mercado spot (entre as indústrias) mostra-se bem desaquecido, com negócios na casa dos R$ 0,70 o litro, R$ 0,20 a 0,30 centavos a menos do que os valores de pico. As indústrias exportadoras não estão animadas para fazer negócios no exterior. Os preços no mercado internacional estão instáveis, com tendência de queda, e com o câmbio atual, as indústrias alegam que não é possível viabilizar as exportações. A balança comercial de lácteos brasileira fechou o primeiro semestre de 2010 com déficit de US$ 70,5 milhões, com compras de 54,5 mil toneladas de lácteos, e apenas 28,4 mil toneladas exportadas. Considerando a situação no mercado interno e a falta de estímulos vindos do exterior, o que se espera para os preços ao produtor é de queda média de até 8 centavos no pagamento de julho (leite de junho). Neste cenário, o ritmo da produção interna terá forte impacto na dinâmica das cotações: a queda de preços poderá desestimular a produção, gerando reajuste de preços para cima ainda no segundo semestre de 2010.

Produção leiteira As importações de lácteos recuaram 15,9% no 1º semestre. Em junho de 2010, as importações de lácteos cresceram 26,1% em volume quando comparadas a junho de 2009, com compras de 12,3 mil toneladas de lácteos. Em relação a maio de 2010, o volume importado é 25,6% superior. Em valor, as importações alcançaram US$ 31,2 milhões, 66,7% superior em relação ao mesmo período do ano passado, e 22,7% superior comparado às importações de maio de 2010. O principal produto importado foi o leite em pó integral, representando 35,7% do total, ou seja, 4,39 mil toneladas, seguido pela compra de soro do leite (33,5%, ou 4,1 mil toneladas), de queijos (com 15% do volume total - 1,84 mil toneladas) e do leite UHT (10,6%, ou 1,3 mil toneladas). Do volume total de leite em pó importado - 4,83 mil toneladas - 50,6% é proveniente do Uruguai (ao preço médio de US$ 3.404 a tonelada), 38,5% foi comprado da Argentina (em média, US$ 3.276 a tonelada) e 10,3% importado do Chile (ao preço médio de US$ 3.043 a tonelada). As importações de leite em pó aumentaram 16,7% em comparação a maio. O leite em pó integral, soro do leite, os queijos e o leite UHT, apresentaram, em valor, participações relativas de 46,5%, 16%, 28,6% e 2,5% respectivamente, nas importações. O volume importado de queijos foi 23,4% maior em relação ao mês de maio e as compras de soro de leite aumentaram 32,1%. Em comparação com o mês anterior, as importações de leite UHT foram 71,3% superior - do Uruguai foram importados 1,13 mil toneladas do produto, ou 87% do total - e do leite em pó integral 45,7% superior. No primeiro semestre do ano, foram importadas 54,5 mil toneladas de lácteos, 15,9% abaixo do volume importado no mesmo período de 2009. Em valor, as importação alcançaram US$ 146,5 milhões, 18,2% superior em relação ao 1º semestre de 2009.

Por outro lado, as exportações de lácteos recuaram 28,2% no 1º semestre. A balança comercial de lácteos fechou o primeiro semestre com déficit de US$ 70,5 milhões, uma alta de 164% em relação ao mesmo período de 2009, quando o déficit foi de US$ 26,7 milhões. O déficit comercial apresentado pelo setor foi 50,5% superior ao registrado no mês de maio, quando a balança comercial de leite e derivados apresentou resultado negativo de US$ 12,8 milhões. Quando comparado a junho de 2009 - quando o saldo foi negativo em US$ 6,84 milhões - o aumento foi de 182%. Em volume, a queda nas exportações em comparação a junho de 2009 foi de 19,3%, ficando em 4,7 mil toneladas. Em relação a maio de 2010, as exportações foram 2,86% menores. Em junho, as vendas de leite condensado apresentaram recuo de 22,3% em relação a maio de 2010, totalizando 2,27 mil toneladas. O preço médio do leite condensado exportado teve reajuste negativo de 2,6%, sendo negociado a US$ 1.847 a tonelada. Foram exportadas 253 toneladas de leite em pó integral, ao preço médio de US$ 4.740 a tonelada. Foram enviadas ao mercado externo 264,1 toneladas de queijos, alcançando o valor médio de US$ 4.440 a tonelada, representando um decréscimo de 13,45% no volume exportado em relação ao mês anterior, e apresentando preço médio superior (+10,14%). O total exportado, no 1º semestre, foi de 28,4 mil toneladas, 28,2% a menos quando comparado a 2009. Em valor, as vendas ao exterior caíram 21,9% frente a 2009, com total de US$ 75,9 milhões.

Os preços dos lácteos estão em alta na Europa e em baixa na Oceania. Os preços de exportação de lácteos, na última quinzena, apresentaram reajustes positivos para quase todos os produtos no Oeste da Europa - única exceção foi o soro de leite. Na Oceania, seguindo a queda no leilão da Fonterra - quando foi registrada queda de 13,7% na média de preços em relação ao leilão anterior -, os preços recuaram quando comparados à quinzena anterior, porém em menor intensidade. No Oeste da Europa, o preço médio do leite em pó integral (US$ 3.587,50 a tonelada) ficou praticamente estável (+0,3%) em relação à quinzena anterior, com valores entre US$ 3.500 e US$ 3.675 a tonelada. O preço médio do leite em pó desnatado foi de US$ 2.937,50 a tonelada, apresentando alta de 2,6% em relação à quinzena anterior, e seus preços variaram entre US$ 2.875 e US$ 3.000 a tonelada. O valor médio do soro de leite foi de US$ 800 a tonelada (-7,2%), sendo cotado entre US$ 750 e US$ 850 a tonelada - foi o único produto exportado do Oeste da Europa que apresentou queda. A estação de produção de leite da Europa está em período de baixa. Processadores de leite afirmam que apesar da produção ter iniciado de forma lenta, os volumes produzidos já estão alcançando os valores do ano anterior, e indicam que a mesma deva ser superior à safra 2009/2010. Muitos comerciantes e processadores ficaram surpresos com o volume de leite em pó desnatado comercializado nas últimas quinzenas, especialmente com a notícia de que os estoques europeus estão aumentando. Os mesmos também questionaram o impacto da queda de preços no último Leilão Fonterra. Para a maioria, a queda acentuada dos preços não terá impacto significativo no mercado, embora seja um sinal de que o mercado está se enfraquecendo. Durante o pico de produção na União Europeia, grande parte do leite foi destinado para a produção de queijo, diminuindo a oferta para outros produtos e fator que também pode explicar a queda no preço do soro de leite - o soro de leite é um subproduto da produção de queijo. Tal efeito, porém, parece ter se reduzido, favorecendo a produção de outros lácteos com maior ênfase.

Na Oceania, o preço médio do leite em pó integral ficou em US$ 3.500 a tonelada, com valores entre US$ 3.100 e US$ 3.900 a tonelada, apresentando recuo de 9,1% frente à quinzena anterior. O valor médio do leite em pó desnatado ficou em US$ 3.150 a tonelada, com queda de 3,1% frente à quinzena anterior, com preços variando entre US$ 3.000 e US$ 3.300 a tonelada. O preço médio do queijo cheddar fechou a US$ 3.950 a tonelada, com valores entre US$ 3.800 e US$ 4.100 a tonelada, e manteve-se estável em relação à quinzena anterior. O valor médio da manteiga foi de US$ 4.050 a tonelada na Oceania, estável em relação à quinzena anterior, e apresentou alta de 5,8% no Oeste Europeu, sendo cotado a US$ 4.475 a tonelada. Na Oceania, a discussão girou em torno do último Leilão da Fonterra. A maioria dos comerciantes e processadores previam uma tendência de baixa. Porém, a queda acentuada foi uma surpresa para muitos. Os agentes do mercado acreditam ser ainda demasiado cedo para perceber qual o impacto que essa significativa queda terá sobre o mercado, porém explicam que por tratar-se de um leilão, nos quais acentuadas variações podem ocorrer positivamente ou negativamente, não deve ocorrer um impacto significativo. A expectativa no mercado é de que em setembro, quando a Fonterra passará a realizar dois leilões por mês, haja redução da volatilidade dos preços. Em se tratando de produção, as expectativas na Oceania para a próxima safra são positivas. Embora a Nova Zelândia tenha adiantado o fim de sua última safra, as perspectivas para a próxima temporada são de crescimento de 14% em relação à safra 2009/2010 - apesar de que muitos acreditam que um aumento entre 9% e 10% seja o mais provável. Na Austrália a estação de leite chegou ao fim no último dia 30 de junho a produção foi 4% maior se comparada à safra 2008/2009. Para a próxima estação a previsão é de aumento de 1% na produção australiana de leite, mas ainda há quem acredite em aumento de até 3%. Produtores neozelandeses e australianos estão confiantes em relação à próxima safra, com a previsão de redução dos preços dos grãos e a possibilidade de recuperar parte das perdas dos últimos anos.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Especial: Perspectivas para 2010/2011




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