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Leite: Tendência de baixa dos preços no curto prazo

Produção leiteira A tendência é de baixa dos preços do leite e dos lácteos no mercado interno no curto prazo. Os preços do leite ao produtor seguirão em queda em agosto. O cenário delineado no mês de julho começou a ser confirmado. O preço médio para o pagamento de julho, na média nacional, segundo pesquisa do Cepea - Esalq/USP, foi de R$ 0,7465/litro bruto (sem o desconto de impostos e frete), mostrando recuo de 2,21% em relação à média praticada em junho (R$ 0,7633/litro bruto). Minas Gerais e Goiás foram os estados que mais tiveram diminuição nos preços, com quedas de cerca de R$ 0,03 em Goiás e R$ 0,02 em Minas Gerais. E nada indica que haverá reversão do quadro. Para alguns produtores de Minas Gerais, o pagamento no mês de agosto, referente ao leite entregue em julho, deverá ser ainda menor. Ainda, segundo eles, os preços de vacas leiteiras - que chegaram a patamares altos, principalmente no final de 2007 - estão em queda. Produtores de outros estados também estão preocupados com o cenário atual e do próximo mês, apostando em nova queda dos preços. A tendência é de novas reduções dos preços do leite neste mês de agosto. A redução será de cerca de R$ 0,05 por litro. Caso se confirme, a queda acumulada de junho a agosto será de R$ 0,10 a R$ 0,12 por litro. Várias indústrias já avisam que os preços serão mais baixos no mês de agosto. A previsão coloca os produtores em estado de alerta e muitos consideram que somente a redução da oferta poderá gerar algum resultado no curto prazo. Desaceleração da economia, altos custos de produção, apreciação do real frente ao dólar, possível queda no consumo doméstico de lácteos e aumento da produção de leite são fatores que justificam a queda nos preços. A melhoria da renda familiar está diretamente ligada ao maior consumo de lácteos. No entanto, a demanda por alimentos é afetada pelo aumento do custo de vida das famílias e a escalada nos preços dos alimentos.

O volume captado pelos laticínios no mês de junho ficou estável, com leve aumento de 0,24% em relação a maio (ICAP-L/Cepea), indicando uma possível acomodação da produção. Algumas indústrias alegam estar com os estoques altos, com dificuldade para escoamento dos produtos. Em algumas praças, há promoções de leite longa vida a valores abaixo de R$ 1,10 o litro. É importante salientar que o volume captado pelas indústrias em junho deste ano está 20,38% maior que o do mesmo mês do ano passado, reforçando a idéia da alta produção ser um dos fatores para a queda nos preços. Considerando que o volume do segundo semestre de 2007 foi bastante elevado, o volume nos próximos meses não deve continuar crescendo às taxas do primeiro semestre, o que pode ajudar os preços.

Os preços do leite longa vida seguem em queda ao consumidor. O preço de algumas marcas conhecidas de leite longa vida baixou de R$ 1,60 para R$ 1,40. Por se tratar de um período climático considerado ruim para as pastagens, normalmente se espera uma queda do preço no verão, quando há um aumento na produção, mas nessa época é atípico. O que houve foi um aumento na produção de leite. Com maior oferta, os preços caíram. Por falta de estímulo à exportação, as empresas acabaram se obrigando a vender o leite no mercado interno. Existem grandes cooperativas que não estão conseguindo exportar leite em pó. Com o produto sobrando no mercado, as grandes empresas do país reduzem os preços do leite longa vida. Se para o consumidor a queda no preço do leite e derivados é motivo de comemoração, para os produtores o momento é de preocupação. Os laticínios já estão entrando em margem muito pequena de lucro e isso vai pressionando as margens do produtor de leite. O preço do adubo para pastagens, por exemplo, que no ano passado custava R$ 700,00 a tonelada, hoje custa R$ 1,6 mil. Vários empresários do segmento demonstram surpresa com a queda no preço do leite longa vida, vendido por algumas redes de supermercado a R$ 1,09 em dias de promoção. Com o valor que hoje é pago ao produtor, somados a custos como transporte, embalagem e impostos, por exemplo, o custo chega a pelo menos R$ 1,40. A produção maior é um resultado dos investimentos no setor. O investimento em genética é um dos grandes responsáveis para o aumento da produção de leite.

As exportações de lácteos cresceram 155% em volume em julho. O saldo da balança comercial de lácteos em julho apresentou superávit de US$ 27 milhões, considerando os produtos do capítulo 04 da Nomenclatura Comum do Mercosul (leite UHT, leite em pó, leite condensado, creme de leite, leite evaporado, iogurte, manteiga, soro de leite e queijos) e as exportações de leite modificado e doce de leite (do capítulo 09 da NCM). No mesmo período do ano passado, o saldo foi de US$ 2,9 milhões. O superávit comercial apresentado pelo setor de lácteos mostram queda de 27,4% em relação ao mês de junho, no qual a balança comercial de leite e de derivados apresentou resultado positivo de US$ 37,2 milhões. Quando comparado a julho de 2007 - quando o saldo foi de US$ 2,9 milhões - o superávit deste mês mostra alta de 828%. Em volume, o aumento nas exportações em comparação a julho de 2007 foi de 155%, alcançando cerca de 14,6 mil toneladas. Em relação a junho, as exportações de leite em pó foram 11,4% menores em volume, o que significa 7,85 mil toneladas. As vendas de leite condensado aumentaram 18%, alcançando 4,91 mil toneladas, com valor de US$ 1.903/t. O preço médio de exportação do leite em pó integral ficou praticamente estável, com leve alta de 0,53% em relação a junho passado apresentando valores próximos a US$ 4.736/t. O leite condensado teve alta de 4,9%, com valor de US$ 1.903/t. Foram exportadas 599 toneladas de queijos, alcançando o valor de US$ 4.995/t, alta de 0,82% no volume exportado, em relação a junho. As importações de lácteos cresceram 59,1% em julho, em volume, quando comparadas a julho de 2007, com compras de 8,5 mil toneladas de lácteos. Em valor, as importações alcançaram US$ 25,7 milhões, uma alta de 94% em relação ao mesmo período do ano passado. O principal produto importado foi o soro de leite, representando 46,3% do total, seguido pela compra de leite em pó integral, com 29,6% do volume total. O leite em pó integral, leite em pó desnatado e o soro de leite, apresentaram, em valor, participações relativas de 42,5%, 15,4% e 21,7% respectivamente nas importações. A importação de queijos foi 55% maior em relação ao mês de junho, com volume total de 646 toneladas. As importações de leite em pó integral aumentaram 22% em comparação a junho e as compras de soro de leite foram 11% menores em relação ao mês anterior.

Os preços dos lácteos estão em queda no mercado internacional. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os preços de exportação de lácteos no Oeste da Europa, na primeira quinzena de agosto, apresentaram nova queda para todos os produtos, comparados à quinzena anterior. Na Oceania, após duas quinzenas de preços estáveis, apenas o queijo cheddar manteve a média anterior, com queda nos valores para os demais produtos exportados. No Oeste da Europa, os preços do leite em pó integral variaram entre US$ 3.950/t e US$ 4.050/t (média de US$ 4.000/t), mostrando queda de 7,0% em relação à quinzena anterior. Para o leite em pó desnatado, os preços ficaram entre US$ 3.250/t e US$ 3.400/t, com queda de 9,5% em relação à média da quinzena anterior. Os valores para o soro de leite oscilaram entre US$ 600/t e US$ 650/t, com média de US$ 625/t, e queda de 7,4% em relação à quinzena anterior. Na Oceania, os preços do leite em pó integral ficaram entre US$ 3.800/t e US$ 4.500/t, e os de leite em pó desnatado ficaram entre US$ 3.350/t e US$ 3.800/t. Comparando-se o valor médio desses produtos em relação à quinzena anterior, houve queda de 4,6% para o preço do leite em pó integral e de 0,7% para o leite em pó desnatado. Os valores médios da manteiga foram de US$ 3.950/t na Oceania, queda de 2,5% em relação à quinzena anterior, e US$ 4.100/t no Oeste da Europa, queda de 5,5%. Na Oceania, os preços do queijo cheddar ficaram estáveis frente à quinzena anterior, com preços entre US$ 4.800/t e US$ 5.200/t.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Setembro/2008




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