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Milho: Tendência de estabilidade no curto prazo e alta no longo prazo

Colheita de Milho A tendência de recuperação dos preços do milho no mercado interno, com o início dos leilões de apoio do governo ao escoamento da safrinha, foi confirmada. Mas os preços voltaram a recuar, com a colheita da 2ª safra 2009/2010 e o fraco ritmo das exportações brasileiras de milho esse ano. No mercado interno de milho, na média das principais regiões produtoras do País, os preços acumulam uma baixa de 1,9% em uma semana e de 8,5% nos últimos 30 dias. Os preços devem seguir variando pouco no curto prazo, com oferta elevada, estoques de passagem recordes para 2011 e exportações abaixo das expectativas. Para o ciclo 2010/2011, entretanto, a projeção é de uma redução da área na 1ª safra (verão), o que, associado a uma provável queda da produtividade decorrente dos efeitos negativos do fenômeno La Niña, deve reduzir o volume de produção e colaborar para reduzir os estoques de passagem no Brasil de 2011 para 2012. O resfriamento das águas do Oceano Pacífico equatorial deve aumentar gradualmente no decorrer deste inverno, com o La Niña totalmente configurado durante a Primavera e permanecendo durante o verão 2011. A previsão é de um episódio de intensidade moderada a forte e deve durar pelo menos até o outono de 2011. Lembrando ainda que o último La Niña ocorreu no Verão 2007/2008. Porém, dadas as características como intensidade, rapidez na formação e provavelmente duração, o episódio deste ano está muito semelhante com o observado no segundo semestre de 1998 e verão 1999.

Para o milho da 1ª safra 2010/2011, o cenário climático é muito semelhante às condições da lavoura de soja. O risco aumenta principalmente para as lavouras do Sul do Brasil em virtude das estiagens no verão. As lavouras do norte/noroeste do Rio Grande do Sul e do oeste de Santa Catarina, no entanto, que são plantadas mais cedo (em agosto), ainda podem se beneficiar das chuvas da primavera. Elas poderão escapar assim do risco de estiagem que aumenta a partir de dezembro e durante o verão. Para as lavouras de milho do Nordeste do Brasil, incluindo o agreste e sertão nordestino, a presença do La Niña num primeiro momento indica um bom período de chuvas (“inverno nordestino”) que vai de fevereiro a maio. No entanto, a qualidade do período de chuvas ainda vai depender das condições do Oceano Atlântico que, no momento, ainda não estão definidas. De qualquer forma, o cenário climático para 2011 é bem melhor que o observado na safra deste ano. Para o milho da 2ª safra 2010/2011, o fenômeno La Niña aumenta o risco para as lavouras do Paraná, Mato Grosso do Sul e de São Paulo, que enfrentam período de escassez de chuva durante o outono, assim como, não dá para eliminar o risco de frio (geada) a partir de maio. Já para as lavouras de Milho Safrinha de Mato Grosso e Goiás, o cenário climático é mais favorável, pois o período de chuvas deve se prolongar até abril e meados de maio de 2011.

O Brasil precisaria exportar, pelo menos, 8,5 milhões de toneladas de milho neste ano para equilibrar o mercado do cereal. No entanto, neste ano, entre janeiro e junho, as exportações brasileiras de milho recuaram 35,9%, para 2,067 milhões de toneladas, contra 3,223 milhões de toneladas de janeiro a junho de 2009. Desde maio o governo está realizando leilões em apoio à comercialização de milho para estimular as exportações. Os compradores têm até o dia 31 de dezembro para embarcar o produto. Portanto, o Brasil teria que exportar 6,4 milhões de toneladas entre julho e dezembro – uma média de mais de 1 milhão de toneladas/mês. As estatísticas mais recentes mostram que isso depende essencialmente de Mato Grosso. Maior produtor de milho no inverno, o estado do Centro-Oeste espera produzir 8,2 milhões de toneladas. Assim, o volume a ser escoado é praticamente o mesmo do ano em que a superofeta inundou o mercado. Mato Grosso tem sido a origem de 70% do milho exportado neste ano e espera embarcar pelo menos 5 milhões de toneladas do cereal até dezembro. O estado vem escoando até 600 mil toneladas por leilão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) – de um teto de 1 milhão de toneladas para todo o país. Nos cinco primeiros leilões, 84% da meta nacional de escoamento foi atingida, com investimento de R$ 311 milhões. Esse valor corresponde a 20% do total que o governo estaria disposto a usar para intervir no mercado do milho.

Colheitadeira John Deere em campo de Milho O clima favorável às lavouras de milho dos Estados Unidos deve antecipar a entrada do grão americano no mercado internacional em pelo menos três semanas e diminuir a janela de exportação brasileira, que normalmente acontece entre agosto e novembro. Neste período, a Argentina já não tem mais produto para embarcar e os Estados Unidos ainda estariam colhendo uma nova safra. No entanto, segundo a Somar Meteorologia, as lavouras estão adiantadas e devem estar colhidas já em setembro. Os exportadores brasileiros precisarão correr com as negociações. Já há alguns navios com carregamento de milho brasileiro nos portos - boa parte negociada por meio dos leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) realizados pelo governo. Se os leilões ainda não deram sustentação aos preços no mercado interno, pelo menos aliviam um pouco a pressão sobre as cotações. Sem os leilões e com o avanço da safrinha a situação dos preços poderia ser ainda de mais baixas. Até agora, houve interesse por subsídio para o equivalente a cerca de 5 milhões de toneladas. O objetivo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de exportação de 8,5 milhões de toneladas. A exportação brasileira de milho só deve refletir os leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) a partir de agosto, quando os portos, hoje movimentando, sobretudo soja, estarão voltados para o cereal. As exportações brasileiras de milho em junho atingiram um volume inexpressivo de 1,2 mil de toneladas, um recuo de 99,3% em relação às já fracas 160 mil toneladas exportadas em junho de 2009. Em relação ao mês passado, a queda foi menos expressiva, de 41,4%, quando foram exportadas 93,7 mil toneladas.

No longo prazo, a tendência é de preços futuros sustentados para o milho. Na Bolsa de Chicago, as cotações no contrato setembro de 2010 subiram 2,1% em uma semana e 3,4% nos últimos 30 dias. O clima sobre a safra de soja 2010/2011 nos EUA; a demanda externa; e os indicadores técnicos são os fatores que devem centralizar a atenção do mercado futuro de milho no curto prazo. Os dados do último relatório do USDA contribuíram para pressionar o mercado. O USDA reduziu a estimativa dos estoques finais da safra 2009/2010, mas os números ainda estão acima das estimativas do mercado. No caso do ciclo 2009/2010, a projeção para os estoques de passagem dos EUA caiu de 40,7 milhões de toneladas, para 37,5 milhões de toneladas. A participação da China também deve influenciar nas cotações. Isso porque o mercado chinês também vem enfrentando cenário de oferta ajustada, mesmo com a importação de grãos dos Estados Unidos.

De acordo com o relatório de oferta e demanda de Julho, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção de milho da safra 2010/2011 foi reduzida de 339,6 milhões de toneladas previstas em junho, para 336,42 milhões de toneladas, em julho. A produção mundial de milho está estimada em 832,38 milhões de toneladas (contra 835,77 milhões de toneladas no relatório de Junho), um aumento de 2,9% sobre 809,02 milhões de toneladas da safra 2009/2010. A safra de milho do ciclo 2009/2010 da Argentina foi mantida em 22,5 milhões de toneladas. O USDA manteve a projeção da produção de milho na Argentina em 2010/2011 em 21,0 milhões de toneladas. O consumo mundial está projetado em 830,89 milhões de toneladas em 2010/2011 (contra 831,86 milhões de toneladas no relatório de Junho), um aumento de 1,7% contra a projeção de 816,83 milhões de toneladas em 2009/2010. Com isso, os estoques finais mundiais de milho em 2010/2011 ainda devem crescer, mas para 141,08 milhões de toneladas (contra 154,21 milhões de toneladas previstas em Maio passado, uma forte queda), um leve aumento de 1,1% em relação aos estoques finais projetados em 139,59 milhões de toneladas em 2009/2010. A relação entre estoques finais mundiais de milho e a demanda mundial em 2010/2011 recuará levemente, para 17,0%, contra 17,1% registrados na safra atual 2009/2010.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Especial: Perspectivas para 2010/2011




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