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MILHO: TENDÊNCIA DE PREÇOS FIRMES

Colheita de Milho O nervosismo relacionado ao clima quente e seco nos Estados Unidos deve dar o tom ao mercado futuro de grãos na Bolsa de Chicago (CBOT) no curto prazo, com alta probabilidade de volatilidade de preços. O foco está no milho, que já se encontra na fase de polinização, momento crucial para a produtividade em que a falta de umidade pode ser prejudicial. Aos poucos, os temores também aumentam para a soja, que entra no período crítico a partir de agosto nos EUA. O padrão é mesmo de clima quente e seco. E isso justamente na fase mais delicada do desenvolvimento do milho, quando ele está mais suscetível a perdas. O mercado está de olho nisso, e deve embutir mais prêmio de risco. E logo essa situação se repetirá para a soja. O preço futuro do milho está se consolidando novamente ao redor dos R$ 7,00 por bushel no contrato dezembro. Nos EUA, pela primeira vez na história a previsão é de que o consumo de milho para a produção de etanol do país será maior do que na de rações.

O USDA estima que 130,8 milhões de toneladas de milho serão consumidos na produção de etanol na temporada 2011/2012, enquanto 128,3 milhões de toneladas devem ser utilizados em rações. O USDA não vê problema na possibilidade de extinção dos subsídios do governo para o etanol nos Estados Unidos e não projeta um risco para a produção de etanol da nova temporada. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa da produção doméstica de milho na temporada 2011/2012 para 342,14 milhões de toneladas, contra 335,28 milhões de toneladas previstos em junho. Apesar da expectativa uma demanda total maior no próximo anosafra, incluindo exportações de 48,26 milhões de toneladas, a previsão dos estoques finais foi aumentada de 17,65 milhões de toneladas, para 870 22,1 milhões de toneladas em 2011/2012. Isso indica que uma relação entre estoques/demanda de 6,4% em 2011/2012, acima dos 5,2% previstos em junho, mas inferior a 6,6% em 2010/2011, amplificando ainda mais a necessidade de uma forte produtividade na safra dos EUA de 2011/2012, para satisfazer a intensa demanda local e mundial.

O avanço do combustível em detrimento dos alimentos explica as dificuldades da produção animal norte-americana. Mas os impactos causados pela indústria do etanol sobre o consumo de milho são bem maiores. E isso é facilmente comprovável quando se compara o mix de utilização do suprimento de milho de 2006 com aquele que está sendo agora previsto para a safra 2011/2012. Em 2006, 46% do suprimento de milho norte-americano (estoque inicial + produção) foi consumido pela indústria de ração. 23% desse total destinaram-se ao consumo restante, aqui inclusa a produção de alimentos humanos e a (então ainda pequena) fabricação de etanol. Os demais 31% foram representados pelas exportações e pelos estoques finais. O chamado “consumo restante” dobrou (46% do total) – não por causa da industrialização ou dos alimentos humanos, mas por conta do etanol. E isso faz com que o volume destinado à fabricação de ração caia para 35% (redução de 24% em relação a 2006), enquanto o volume destinado às exportações retrocede para 13%, tudo culminando em um estoque final equivalente a não mais que 6% do suprimento total.

Colheitadeira John Deere em campo de Milho Os efeitos desse processo não se restringem aos EUA e têm repercussão mundial. Assim, os estoques globais do produto tendem a cair para 115 milhões de toneladas no final da safra 2011/2012, um volume 8% menor que o registrado em 2006. Enquanto o restante do mundo tende a obter estoque final 25% maior que o de 2006, o dos EUA, isoladamente, apresenta redução de 56%. O preço do milho na Bolsa de Chicago perdeu 21% de seu valor desde o recorde de US$ 7,99 por bushel em 10 de junho, após o governo dos EUA ter previsto uma potencial safra recorde. Considerando o preço atrativo, a China aproveitou para comprar bastante nos últimos dias, acumulando um volume de pelo menos 5 milhões de toneladas desde março. A China poderá precisar importar pelo menos 10 milhões de toneladas em 2011/2012. Mesmo com um aumento de área no país, o volume é necessário para cobrir o consumo doméstico, além da necessidade para reconstruir os estoques e esfriar a especulação. Entretanto, após o forte tombo provocado pelos dados divulgados na primeira quinzena de junho, os preços de todos os grãos voltaram a subir. O milho recuou do recorde de USD 7,99 por bushel para US$ 5,96 (-25,4% em menos de 10 dias) por bushel e hoje está cotado entre US$ 6,80 e US$ 7,00 por bushel.

No Porto de Paranaguá, as cotações oscilam entre R$ 28,50 e R$ 29,00 por saca de 60 Kg. Os sinais de uma relação mais ajustada entre oferta e demanda de milho no mercado interno em 2011 sugerem ao mercado preços sustentados para o grão no médio prazo. As cotações devem ceder um pouco com a evolução da colheita, como já se vê em Mato Grosso, mas seguirão em um patamar bem superior ao do ano passado. O plantio atrasado da safrinha levou ao risco evidenciado pela quebra de produção em algumas áreas e pela perda de qualidade por conta do clima desfavorável. A colheita ainda está no início, mas a percepção é de que o volume ofertado cairá enquanto a demanda se mantém ou mesmo cresce, dando sustentação aos preços. Aliado a isso, eventuais problemas para a safra dos Estados Unidos, devido ao clima seco, comprometeriam a oferta no país num cenário de demanda aquecida no mundo, situação que privilegiaria as exportações brasileiras. Atualmente, o preço do milho no Paraná está muito próximo do indicado na região de Campinas (SP). No norte do Paraná, são reportados negócios para granjas entre R$ 27,50 e R$ 28,00 por saca de 60 Kg, mas ainda há vendedor pedindo R$ 29,00 por saca de 60 Kg. Em Campinas, a referência é R$ 30,00 por saca de 60 Kg. Essa pequena diferença é um indicativo da tendência altista dos preços.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Especial: Perspectivas para 2011/2012




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