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Boi: Tendência de estabilidade no curto e de alta no longo prazo

Bois A cotação média do boi gordo no Brasil acumula uma valorização de 46,8% em 12 meses e de 54,1% nos últimos 24 meses. Em dólares, o boi gordo acumula uma expressiva valorização de 109,2% nos últimos 24 meses. Após um primeiro semestre bastante firme, o mercado do boi gordo passou à estabilidade. As cotações sobem e descem, com forte resistência. Entre janeiro e junho os preços do boi gordo, na média de 28 regiões produtoras, subiram 21%, em termos nominais. Os maiores aumentos foram registrados em Rondônia (35%), Mato Grosso (31%), Tocantins (29%) e Pará (29%). Entre junho e agosto, a variação média é de apenas 3%. Foram registrados recuos em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Maranhão e Pará, todos, em média, de 1%. A oferta segue reduzida e houve um curto período, com a chegada do frio e da seca, em que realmente ocorreu um ligeiro aumento na disponibilidade de animais terminados. Neste segundo semestre, o mercado conta com a oferta suplementar de gado de confinamento/semiconfinamento. Mas há a diminuição da oferta de boi de pasto. E é justamente na região Norte, onde praticamente não existe confinamento, que houve a maior expansão da pecuária e das indústrias frigoríficas ao longo dos últimos anos. Além do mais, o confinamento, segundo a última pesquisa da Assocon (Associação Nacional dos Confinadores) como referência, deve ter um crescimento bastante modesto este ano, entre 6% e 7%. Com a redução da oferta, os frigoríficos estão paralisando abates e/ou cancelando investimentos em ampliação das plantas, justamente porque a matéria-prima (boi gordo) está escassa e cara para as indústrias.

A valorização da arroba, nesse segundo semestre, enfrenta às dificuldades de escoamento de carne, frente a um mercado interno saturado de aumentos de preço, com inflação em alta, e mercado externo pouco atrativo, em função do embargo da UE e da frouxidão cambial. Mediante tal cenário, os frigoríficos têm se esforçado ao máximo para segurar a alta do boi, através da implementação de estratégias bastante conhecidas: redução do abate ao estritamente necessário, compra de carne com osso ao invés de boi, ampliação do raio de compra, abate de animais próprios, boi a termo, negócios diferenciados com lotes maiores, dentre outras. E dessa forma o mercado mantém estabilidade no curto prazo. O Brasil deve voltar a exportar carne bovina para o Chile e a União Européia voltou a habilitar novas fazendas. E tanto o governo quanto a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) acreditam que os embarques de carne industrializada para os Estados Unidos sejam normalizados em setembro.

Na reposição, os preços devem se estabilizar. Os preços dos animais para reposição estão firmes. A oferta pequena, basicamente, sustenta as cotações nos patamares atuais. O mercado não está tendo muita força para subir, mas derrubar as cotações também não está fácil. Alguns fatores indicam que talvez os preços dos animais para reposição tenham atingido um teto e que, se ainda continuarem subindo, isso ocorrerá em pequenas proporções. No Mato Grosso do Sul, a diferença entre os valores da arroba do boi gordo e do bezerro está em cerca de 24,0%. Um valor alto se considerarmos que nos últimos quatro anos essa diferença foi, em média, de 9,4%. Além disso, no primeiro trimestre deste ano, a taxa de abate de vacas já diminuiu em relação aos anos anteriores (-9% em relação a 2007). E ainda os frigoríficos estão relatando maior dificuldade na aquisição de vacas, que sumiram em algumas regiões.

Produção de Boi Outro indício de retenção de fêmeas e, conseqüente aumento de oferta de reposição no médio e longo prazo. A taxa de crescimento do abate de vacas no Brasil está caindo desde 2003, quando atingiu o maior patamar do período analisado. O período entre 2000 e 2003 foi o de maior crescimento no abate de vacas do país, em função da pressão nos preços e necessidade de venda do rebanho para a manutenção da atividade. Entre 2002 e 2003, o abate de vacas cresceu mais de 40%. Desde 2006, porém, se observa uma retração no abate de vacas. É difícil mensurar exatamente quanto desse recuo representa de fato uma retenção de matrizes. Existe também o efeito da redução geral dos abates, por conta da oferta mais enxuta. Além da análise dos dados, é importante ressaltar o comportamento do mercado em algumas regiões. Especialmente no Pará e Tocantins, a oferta de fêmeas para o abate está extremamente reduzida. Alguns frigoríficos que geralmente trabalham com vacas, para abastecer o mercado interno, relatam enorme dificuldade para manter as programações de abate. Alguns até pararam de abater. As estatísticas e as informações de mercado indicam realmente que, ao menos em algumas regiões, teve início o processo de retenção de matrizes.

As exportações de carne bovina recuaram 16,6% entre janeiro e julho. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), as exportações de carne bovina brasileira atingiram US$ 513,69 milhões no mês de julho, um crescimento de 52,78% em comparação com o mesmo período do ano passado. Os embarques também cresceram em volume, passando de 122,8 mil toneladas, para 124,1 mil toneladas no mês passado, uma alta de 1,04%. No acumulado de janeiro a julho, a receita cambial com as exportações de carne bovina totalizou US$ 3,01 bilhões, resultado que supera em 18,2% o desempenho dos sete primeiros meses do ano passado, quando os embarques somaram US$ 2,55 bilhões. Em volume, no entanto, as vendas externas brasileiras acumulam uma queda de 16,6% no período e somam 826,5 mil toneladas. Entre janeiro e julho do ano passado, os embarques de carne bovina haviam somado 991,3 mil toneladas. Segundo a Abiec, os números de janeiro a julho ainda são um reflexo da pouca oferta de animais para o abate. Além disso, os preços no mercado internacional também contribuíram para uma forte retração no volume exportado. Entre janeiro e julho deste ano, o preço médio da carne bovina brasileira no mercado internacional foi de US$ 3.651 por tonelada, valor 41,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em julho, a tonelada da carne bovina exportada teve um preço médio de US$ 4.137, 51,2% a mais do que em julho de 2007. As expectativas da indústria são de que em 2008 as exportações brasileiras somem US$ 5 bilhões. O otimismo em relação ao desempenho deste ano se deve à habilitação de mais fazendas para exportar para União Européia e também à possibilidade de o Chile voltar a importar do Brasil. Segundo a Abiec, já está programada uma visita de técnicos chilenos ao Brasil. Com relação aos EUA, a Abiec acredita que em setembro as exportações para os norte-americanos estarão normalizadas.

No longo prazo, no Brasil, a expansão da pecuária continuará pela região Norte. As perspectivas do setor até 2017 apontam para a continuidade do País na liderança mundial, aumentando a participação: de 27% para 32%. Em 2017, o rebanho brasileiro será de 183,1 milhões de bovinos, um crescimento de 7,8%. Serão 13,3 milhões de animais a mais. Destes, 9 milhões virão do Norte. A região será a segunda em plantel, com 42,7 milhões (aumento de 27%), atrás apenas do Centro-Oeste (54,2 milhões de animais). Será também a região que perderá menos terras de pastagem para os grãos: 561 mil hectares, contra os 16,6 milhões de hectares em todo o País e que serão incorporados pela agricultura e reflorestamento. Em virtude disso, a estimativa é também de preços de terras mais altos. Teoricamente, a expansão da pecuária no Norte não se dará com o desmatamento da Amazônia. Existem na região entre 30 milhões a 40 milhões de hectares degradados, passíveis de recuperação. Pelas projeções, o aumento da produção brasileira de carne se dará em produtividade. Por isso, estima-se que o confinamento de animais passe de 2,4 milhões para 6,0 milhões em 2017. A previsão é de diminuição da idade média de abate dos animais, de 30 para 24 meses no período. A tendência, na próxima década, é de continuidade da crise dos grãos, uma vez que há dificuldade, em todo o mundo, de expansão das áreas agrícolas, encarecendo os alimentos. O preço do boi gordo, em valor real, deve ficar até 20% superior que o atual, entre 5 e 10 anos. Além disso, nos países produtores, aumentará a disputa entre o mercado interno e o externo. Os grãos encarecem as proteínas animais e, aliado a isso, o boi é o que demanda mais espaço e tem menos conversão em relação à produção de suínos e aves. A expansão da exportação brasileira poderá ser limitada apenas por dois fatores: o protecionismo europeu e os preços altos, que diminuíram as compras nos países emergentes. No entanto, em relação à Europa, a necessidade fará reverter embargos, como o branco imposto ao Brasil por causa da rastreabilidade. A tendência é de continuidade do ciclo de baixa oferta de gado no País até 2010/2011 e, se não houver investimento, a escassez pode se estender até 2012. Mas para 2008 já há melhora no plantel: 2,2 milhões de cabeças a mais. Diante deste cenário, os frigoríficos menores vão ter muitas dificuldades e as indústrias grandes terão de mostrar força, diante das aquisições, sobretudo no exterior. Neste ano, o abate de matrizes continuará em queda. Serão 17,6 milhões de fêmeas, contra 20,5 milhões em 2007 e 23,9 milhões em 2006 (o maior em 10 anos).

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Setembro/2008




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