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Café: Tendência de estabilidade no curto prazo e alta no longo prazo

Trator John Deere em ação Segundo o 4º e último levantamento da safra de café 2008/2009, realizado pela Conab, o efeito da bienalidade positiva, aliada à recuperação das lavouras e aos bons tratos culturais foram os responsáveis pelo aumento da produção de café no Brasil em 2008/2009, anunciada pela Conab em 46 milhões de sacas de 60 quilos. A quantidade é 27,5% maior ou 9,9 milhões de sacas de 60 quilos a mais que a colheita anterior, de 36 milhões de sacas de 60 quilos. A exportação do produto também teve aumento de 2%, saindo de 27,8 milhões de sacas de 60 quilos em 2007, para 28,5 milhões de sacas de 60 quilos. Este é o quarto e último levantamento da cultura realizado pela estatal neste ano e é considerado o segundo maior da história, atrás apenas do registrado no ciclo 2002/2003, quando foram colhidas 48,48 milhões de sacas de 60 quilos. A produção brasileira para o tipo arábica fechou em 35,48 milhões de sacas de 60 quilos. Isso representa 77,2% da produção total. Já a variedade conillon (robusta) foi concluída em 10,51 milhões de sacas de 60 quilos. O volume do café em Minas Gerais, que detém 50% do plantio no país, finalizou em 23,58 milhões de sacas de 60 quilos, sendo 23,54 milhões de sacas de 60 quilos só de café arábica. Em seguida vem o Espírito Santo (10,23 milhões de sacas de 60 quilos) e São Paulo (4,4 milhões de sacas de 60 quilos). A área total ocupada pelo plantio, de 2,362 milhões de hectares, diminuiu em 0,3% (ou 6,5 mil hectares) em relação à safra anterior, de 2,369 milhões de hectares. As exceções são Minas Gerais, Espírito Santo e Rondônia que tiveram os números da área ocupada corrigidos para cima. Deste contingente, cerca de 2.169 hectares, ou mais de 90%, são de áreas em produção.

No Brasil, a meta da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) de chegar ao final de 2008 com um consumo interno de 18,1 milhões de sacas poderá ser atingida, representando um aumento de 5,8% em relação às 17,1 milhões de sacas consumidas em 2007. Em pesquisa realizada pela Abic, no período de maio de 2007 a abril de 2008, registrou-se um consumo de 17,45 milhões de sacas de 60 Kg, um aumento de 3,43% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o consumo per capita foi de 5,64 Kg de café em grão cru ou 4,51 Kg de café torrado, quase 74 litros para cada brasileiro por ano, registrando uma evolução de 2,1% em relação ao mesmo período anterior. Este resultado iguala o consumo per capita do Brasil (5,64 Kg/habitante/ano) ao da Itália (5,63 Kg/habitante/ano), supera o da França (5,07 Kg/habitante/ano), ficando pouco abaixo da Alemanha (5,86 Kg/habitante/ano). A Abic continuará perseguindo a meta de atingir 21 milhões de sacas de 60 Kg até 2010. O consumo per capita de café no México aumentou para 1,2 Kg, elevação de 50% em relação há alguns anos atrás, porém, a situação econômica pode mudar o quadro atual, fato que já ocorre em todos os setores da economia no mundo. O consumo ainda é pequeno se comparado com países como a Finlândia, que tem um consumo per capita de 13 Kg/habitante/ano.

Colheita de café A tendência é de preços firmes para o café no próximo ciclo 2009/2010. Quanto aos fundamentos do mercado de café, segundo relatório da Organização Internacional do Café (OIC), a tendência é de preços relativamente firmes. A produção no ano agrícola 2007/2008 foi de 115,4 milhões de sacas de 60 Kg, para uma demanda de 125,0 milhões de sacas de 60 Kg em 2007. No ano agrícola 2008/2009, agora em andamento, a produção está estimada em cerca de 132,5 milhões de sacas de 60 Kg. Este ano, o consumo global está estimado em 128,0 milhões de sacas de 60 Kg pela OIC. Quanto ao ano agrícola 2009/2010, a primeira estimativa para a produção brasileira, a maior do mundo, deverá ser divulgada nesta segunda-feira (08/12). Espera-se que haverá uma redução na produção brasileira no ano que vem, por causa do ciclo bienal da variedade arábica. Além disso, recentes problemas climáticos na América Central e na Colômbia terão impacto negativo sobre a produção no ano agrícola 2008/2009, especialmente na Colômbia, que foi seriamente atingida. Desse modo, a produção poderá diminuir nesses países, ao passo que a demanda mundial continua a se expandir, segundo a OIC. A expectativa é que os custos com fertilizantes apresentem queda, reduzindo o desembolso de produtores em alguns países exportadores. Mesmo assim, na Colômbia, governo e a federação de cafeicultores entraram em acordo para criar um mecanismo de garantia de preço mínimo. A OIC afirma que a apreciação do dólar tem se refletido em muitos países exportadores. O dólar firme tem permitido uma melhoria da competitividade do setor exportador e também dos cafeicultores. No entanto, a atual taxa cambial também contribui para um aumento dos custos dos insumos e equipamentos agrícolas para que a indústria de café. Isso pode provocar uma redução dos investimentos e ter um efeito negativo sobre o volume e a qualidade da produção futura. A recente queda da cotação do petróleo deve exercer pressão sobre os preços dos fertilizantes. Até agora, porém, o decréscimo dos preços é insuficiente para compensar o impacto da alta do dólar.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Dezembro/2008




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