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Citros: Tendência de estabilidade no curto prazo e alta no longo prazo

Produção de laranjas A safra brasileira de citros 2008/2009, praticamente restrita ao estado de São Paulo, segue em ritmo lento, com oferta irregular de laranja que tem rendido um suco de baixa qualidade. Com isso, a indústria segue retraída nas compras. Os estoques de suco estão elevados e o consumo mundial de suco de laranja está em queda. Nem mesmo as primeiras previsões de quebra da safra da Flórida, nos Estados Unidos, que começa no final do ano, devem ser suficientes para reverter o cenário negativo para o preço do suco de laranja, que tem no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente, os maiores fornecedores mundiais. Na Flórida, a safra de laranja 2008/2009, que começa a ser colhida em outubro, pode ser 12% menor que a anterior, com volume estimado pela especialista Elisabeth Steger em 150 milhões de caixas de 40,8 Kg. A redução decorreria tanto do menor número de árvores em comparação com o ano passado quanto da diminuição de frutas por árvores. Segundo estimativa da esmagadora Louis Dreyfus, a safra 2008/2009 de laranja da Flórida atingirá 156,0 milhões de caixas de 40,8 Kg, contra 169,7 milhões de caixas de 40,8 Kg na safra 2007/2008. A previsão ficou abaixo das expectativas de outros analistas, segundo os quais a produção ficaria bem acima de 170,0 milhões de caixas de 40,8 Kg. Na ICE Futures US (Bolsa de Nova York), o contrato novembro, principal referência no mercado futuro da commodity, acumula uma queda de 17,8% em 30 dias e de 28,0% no ano.

A safra paulista 2008/2009, estimada oficialmente em 368,2 milhões de caixas, pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), com alta de 1,1% sobre a safra passada, será revista para baixo e os novos números devem ser apresentados em meados de setembro, de acordo com a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. Entre produtores e indústrias, há uma expectativa de quebra de, pelo menos, 20%. Segundo as indústrias, a qualidade da laranja em São Paulo, principalmente das variedades de meia-estação, está abaixo do que deveria ocorrer nesta época do ano. Segundo as indústrias, as variedades precoces que foram processadas desde maio apresentaram uma boa qualidade, mas a seca entre julho e outubro de 2007 provocou uma grande distância entre as floradas e uma oferta irregular da laranja este ano. O primeiro suco produzido na safra brasileira 2008/2009 foi de boa qualidade, mas agora a bebida está amarga, pois as frutas estão muito irregulares. Como o estoque inicial era baixo, a mistura entre as duas produções ficou comprometida. Segundo a Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), o preço pago pela variedade hamlin, a mais precoce, chegou a R$ 12,00 por caixa de 40,8 quilos no início da safra, no primeiro semestre. No entanto, como as variedades de meia-estação ainda não amadureceram, a indústria recuou nas compras e oferece entre R$ 7,00 e R$ 8,00 por caixa de 40,8 quilos. A safra é menor e está atrasada, mas a indústria usa isso para pressionar o produtor a receber menos pela fruta. O aumento da oferta a partir de setembro deve estimular a abertura de mais fábricas para o processamento de suco. Essa menor oferta paulista ainda teve pouco impacto na Bolsa de Nova York, onde é negociado o suco de laranja e que muitos produtores, inclusive, ainda estão com contratos fechados em safras anteriores com preços muito abaixo dos negociados neste ano. O que será o grande diferencial no curto prazo é a demanda no mercado europeu que pode estimular melhores negócios. Além disso, os acordos já estão sendo fixados, em sua maioria, em moeda nacional, visto que o dólar desvalorizou significativamente em relação ao real.

Produção de laranjas A safra 2008/2009 também será problemática do ponto de vista fitossanitário e pouco remuneradora para os produtores. O atraso e a quebra previstos para esta temporada 2008/2009 compõem um quadro traçado desde o segundo semestre do ano passado, quando uma prolongada estiagem entre agosto e o fim de outubro afetou a florada das plantas. Tanto que, quando o Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria da Agricultura de São Paulo, divulgou a projeção para a produção, de 368,2 milhões de caixas de 40,8 quilos, superior a do ciclo anterior, causou surpresa e foi recebida com muitas ressalvas. Os produtores e as indústrias acreditam que a produção ficará em torno de 300 milhões de caixas de 40,8 quilos. Como a colheita está atrasada e só deverá chegar ao pico em setembro, as empresas ainda mantêm a maior parte de suas unidades de processamento fechadas. Cerca de 90% das frutas que serão entregues pelos produtores às indústrias em São Paulo nesta safra já estão contratadas, em acordos de entrega fechados de US$ 3,00 a US$ 5,00 por caixa. Com a disparada do preço do adubo e o encarecimento do transporte, entre outros aumentos, o custo dos citricultores estão entre R$ 10,00 e R$ 11,00 por caixa. Em média, as grandes indústrias radicadas em São Paulo - Cutrale, Citrosuco, Citrovita e LD Commodities, que não costumam comentar negociações de preços -, abastecem cerca de 30% de suas necessidades com contratos desse tipo. A produção própria e o mercado spot respondem pela fatia restante. Para quem está sem contrato, nas renegociações atuais os produtores estão conseguindo das indústrias de R$ 8,00 a R$ 13,00 por caixa. Mas poucos acordos estão sendo de fato renovados. No mercado spot, a caixa está em torno de R$ 11,00, com colheita e frete a cargo dos citricultores. Só de colheita, são pelo menos R$ 2,00 por caixa. De transporte, mais R$ 1,00. As indústrias alegam que os preços do suco não mais estão nos elevados níveis de 2006 e 2007. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros da commodity estão em queda em 2008 (25,66%) e nos últimos 12 meses (23,16%). A libra-peso do produto chegou a superar US$ 2,00 em Nova York em 2006 e fechou o mês de julho a US$ 1,0765. Na recém-encerrada safra 2007/2008, os embarques de suco do país somaram 1,27 milhão de toneladas, contra 1,39 milhão de toneladas em 2006/2007. Como a oferta de laranja será menor e a demanda segue retraída em alguns mercados, principalmente nos EUA, ninguém aposta em crescimento significativo. Mas a expectativa de que as cotações do suco subam em Nova York ainda existe, já que a temporada americana de furacões está começando agora. Esse será um fator de influência até novembro. Foi por causa da queda da oferta na Flórida, que reúne o segundo parque citrícola mais importante do mundo, provocada por furacões, que os preços dispararam de meados de 2004 até o fim de 2006. A esta altura, contudo, uma eventual valorização na Bolsa de Nova York tem poucas chances de beneficiar os citricultores paulistas em 2008/2009.

As exportações brasileiras de suco do ciclo 2008/2009 começaram com forte alta. As exportações de suco de laranja não-concentrado (NFC), denominação dada à bebida fresca, puxaram a alta de 15,84% na receita total da exportação brasileira da commodity em julho deste ano, em relação ao mesmo período de 2007. Julho marca o primeiro mês do ano-safra 2008/2009. O faturamento total com as exportações de suco de laranja no mês passado atingiu US$ 163,85 milhões, contra US$ 141,44 milhões em julho de 2007. Enquanto a receita com o suco concentrado e congelado (FCOJ), ainda o principal produto da indústria processadora brasileira, caiu 0,41%, de US$ 105,41 milhões, para US$ 104,98 milhões, se comparados os mesmos períodos, o faturamento com o NFC disparou 63,41%. As exportações de suco de laranja fresco (NFC) em julho movimentaram US$ 58,87 milhões, contra US$ 36,03 milhões no mesmo mês de 2007. Na safra passada, o volume exportado de suco fresco superou 1,1 milhão de toneladas, enquanto as vendas do concentrado e congelado ficaram em 900 mil toneladas, na primeira vez em que o NFC ultrapassou o FCOJ em volume exportado. Como o NFC tem só até 20% de sólidos e muito mais água e o FCOJ tem concentração em 66%, as vendas deste último ainda são maiores quando há uma equivalência nos níveis de concentração. Neste primeiro mês da safra 2008/2009, os volumes dos dois tipos de suco foram praticamente iguais, com 72,18 mil toneladas de FCOJ e 71,71 mil toneladas de NFC. O Brasil é o maior produtor e exportador de suco de laranja do mundo. Na safra passada (julho de 2007 a junho de 2008), a receita com as exportações brasileiras de suco de laranja atingiram US$ 2,031 bilhões, uma alta de 0,7%, em relação aos US$ 2,017 bilhões da safra 2006/2007. Já o volume total atingiu 2,025 milhões de toneladas, uma alta de 3,0% sobre 1,966 milhão de toneladas se comparados os mesmos períodos. A receita obtida com os embarques brasileiros de suco de laranja aumentou nesta safra 2007/2008, em relação à anterior. O incremento deve-se ao maior volume exportado do suco de laranja não concentrado e congelado (NFC). Entre julho de 2007 e junho de 2008, a receita total obtida com todos os tipos de suco foi US$ 2,031 bilhões, um aumento de 0,7% em relação à safra 2006/2007. As exportações do NFC devem continuar sustentando a receita das indústrias brasileiras mesmo na safra 2008/2009, apesar da expectativa que o estado de São Paulo colha cerca de 20% a menos frutas que na safra passada.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Setembro/2008




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