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Citros: Tendência de alta no curto prazo e baixa no longo prazo

Produção de laranjas As cotações do suco de laranja concentrado e congelado estão firmes na Bolsa de Nova York. A forte alta dos preços futuros do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) na Bolsa de Nova York (ICE) nos últimos meses decorre das quebras na safra 2009/2010 da Flórida/EUA e da safra 2010/2011, em São Paulo, os dois maiores estados produtores de citros para suco no mundo. No entanto, além da projeção de recuperação da safra da Flórida em 2010/2011, a confirmação do fenômeno La Niña deve favorecer também a recuperação da safra paulista de citros em 2011/2012, o que deve voltar a pressionar negativamente os preços da laranja no longo prazo no mercado interno. Os pomares paulistas podem começar a sofrer os efeitos da La Niña a partir de setembro. O fenômeno pode tornar a primavera e o verão mais secos. Dessa forma, a colheita da safra 2010/2011 deve ser acelerada, sobretudo para as laranjas tardias. Quanto à safra 2011/2012, a forte seca pode ser positiva para as plantas em um primeiro momento, mas depois elas precisarão de umidade. A safra do cinturão de laranja brasileiro, o maior do mundo, pode subir em 2011/2012 pela primeira vez em três anos por causa do clima mais seco, segundo projeções das indústrias Sucocítrico Cutrale e a Louis Dreyfus Commodities, responsáveis por 45% da produção mundial. A colheita pode aumentar até 17% no ano que vem, para cerca de 336 milhões de caixas de 40,8 quilos, segundo a Cutrale. A empresa produz 3 de cada 10 copos de suco de laranja consumidos mundialmente. A Louis Dreyfus, 4ª maior produtora mundial, espera um aumento de 11%, para 310 milhões de caixas de 40,8 quilos. Os contratos futuros de suco de laranja saltaram 12% em Nova York este ano, com expectativas de safras menores na Flórida (em 2009/2010) e no Brasil (em 2010/2011).

Em relação aos preços, a laranja pera in natura no mercado interno subiu para a média de R$ 15,26 por caixa de 40,8 quilos, na árvore. Para a laranja indústria no mercado spot, o preço médio pago para as variedades hamlim, westin e pera é de a R$ 14,82 por caixa de 40,8 quilos, posta. A menor oferta de laranja in natura, por conta da quebra na safra paulista 2010/2011 e do aumento de fechamentos de contratos por parte da indústria, tem impulsionado os preços da fruta no mercado interno. Em junho, o preço médio da laranja atingiu o maior valor desde o início do levantamento do Cepea para este mercado, em 1996, em termos nominais. Em relação à colheita de precoces, a atividade terminou em algumas regiões paulistas. Quanto à laranja pera, a colheita está intensificando-se aos poucos. A variedade fechou o mês de junho a R$ 15,13 por caixa de 40,8 quilos, na árvore, também o maior preço médio desde 1995 (quando o Cepea começou o levantamento), em termos nominais. Em relação à lima ácida tahiti, em junho, a cotação média da caixa colhida foi de R$ 18,96, também o maior valor nominal desde 1996, para o mesmo período. As exportações brasileiras de suco de laranja atingiram US$ 111,9 milhões em junho deste ano, uma alta de 6,2% sobre os R$ 105,4 milhões faturados no mesmo mês do ano passado e uma queda de 1,7% ante os US$ 113,9 milhões de maio de 2010. O volume exportado de suco de laranja no mês passado atingiu 128,6 mil toneladas, uma queda de 0,8% ante 129,6 mil toneladas de junho de 2009 e 16,8% inferior às 154,5 mil toneladas de maio de 2010. No entanto, o preço médio por tonelada exportada de suco em junho, de US$ 870,50, foi 7,0% maior que os US$ 813,50 de junho do ano passado e 18,1% mais alto que os US$ 737,40 de maio deste ano.

Produção de laranjas Os produtores de laranja de São Paulo, que colhem 85% da safra brasileira, estão recebendo os melhores valores pagos pela fruta na década. Mas isso num quadro atípico de quebra de safra por problemas climáticos no Estado (em 2010/2011) e também na Flórida (EUA), em 2009/2010, dois dos maiores produtores globais, que vislumbram nos próximos anos um futuro desafiador que inclui controle de doenças mortais aos pomares. Só em São Paulo a incidência da praga mais temida na citricultura, o greening, aumentou 30% de 2008 para 2009, segundo dados do Fundecitrus, causando a erradicação de milhões de pés de laranja no Estado. De outro lado, fatores econômicos globais e a concorrência de outras bebidas mais baratas que o suco de laranja trazem incertezas para um mercado que teria vários motivos para seguramente ser altista. O preço está mais sustentado em função da queda de safra, tanto aqui como na Flórida. Agora, tem que haver mais investimentos em marketing, porque com o preço mais alto, perde-se espaço para outras bebidas. Um estudo aponta uma queda no potencial produtivo de São Paulo, no período de dez anos, para 251 milhões de caixas de 40,8 Kg, contra os atuais potenciais de 340 milhões de caixas de 40,8 Kg, considerando vários fatores que englobam o setor, como doenças, custo de oportunidade, nível tecnológico, lucratividade, etc.

Nesta safra 2010/2011, cuja colheita está começando, a indústria do Brasil - o maior exportador mundial de suco de laranja, estima uma produção para suco industrializado no país de 251 milhões de caixas de 40,8 Kg, uma queda de 13% em relação à temporada anterior, por conta de chuvas excessivas na época da florada que, além de prejudicarem o ciclo normal da planta, causaram uma doença fúngica, conhecida como estrelinha. Uma safra menor em São Paulo e também uma quebra de 20% na última colheita da Flórida elevaram os contratos feitos entre produtores paulistas e a indústria na temporada 2010/2011 para até U$ 7,00 por caixa de 40,8 Kg, o maior valor desde 2000, quando um levantamento começou a ser feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP. Isso representa também uma alta de 44% em relação aos valores contratuais obtidos no ano passado. Em Reais, considerando a inflação nos últimos anos, o preço pago pela indústria é o melhor desde 2004, quando o mercado foi influenciado pelos furacões que prejudicaram os pomares nos EUA.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Especial: Perspectivas para 2010/2011




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