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Frango: Tendência de estabilidade no curto prazo e no longo prazo

A produção brasileira de carne de frango deve atingir 11 milhões de toneladas em 2008, o que representa um crescimento de 7,55% em relação ao ano passado. Segundo a União Brasileira da Avicultura (UBA), haverá uma diminuição na produção de frango no primeiro trimestre de 2009 e ainda algumas dificuldades até meados do ano. Mas o setor deve retomar a produção no segundo semestre de 2009. A crise financeira ainda não afetou o mercado interno, a exemplo das exportações. A queda nas exportações e a elevação no consumo interno poderão levar a uma redução de 10% no preço do frango para o consumidor brasileiro neste final de ano. No entanto, não será possível chegar aos preços de 2006, quando a crise provocada pela gripe aviária no mundo derrubou os preços do produto. Segundo a UBA, as medidas adotadas pelo governo ainda não chegaram aos produtores. A UBA reclamou especificamente do Banco do Brasil, que garante ter dinheiro disponível, mas coloca dificuldades para liberar os financiamentos. Uma das principais reclamações é de que o banco quer terras e não aceita frango ou abatedouros como garantia. O setor reivindica ainda um reforço no volume de recursos destinado às linhas de crédito em vigor.

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), a projeção da entidade para as exportações do produto em 2009 é de um crescimento de 5% nas vendas, contra os 15% esperados anteriormente. A receita vai depender do comportamento do câmbio. A associação quer investir na aquisição de novos mercados para o frango brasileiro, como, por exemplo, a Índia, a China continental, a Indonésia, a Malásia, o México e a Nigéria. Estes serão os principais alvos no próximo ano. A Abef disse que há uma queixa geral entre os produtores em relação à dificuldade de obtenção de crédito. O crédito ficou mais burocratizado e mais caro. Devido à escassez de crédito internacional, o setor está buscando financiamento nos bancos internos. Segundo a União Brasileira de Avicultura (UBA), as exportações devem atingir 3,8 milhões de toneladas em 2008, um aumento de 16,25% sobre o ano anterior. A receita cambial com as vendas externas deve ser de US$ 7 bilhões, o que corresponde a uma participação de 40% do mercado mundial de frango. Em 2008, os países do Oriente Médio devem ser o principal destino das exportações de frango do Brasil, com 1 milhão de toneladas. Em segundo lugar vêm países asiáticos, com 750 mil toneladas, seguidos da União Européia, com 550 mil toneladas, e da Rússia, com 180 mil toneladas. Ao todo, o Brasil exporta frango para 153 países.

A oferta interna crescente está pressionando os preços do frango no mercado interno. A situação não é tão grave quanto a observada, por exemplo, no primeiro semestre de 2006, ocasião em que, como decorrência da crise externa da Influenza Aviária, a oferta interna de carne de frango chegou a registrar evolução anual superior a 12%. Nem tão preocupante quanto a observada no início deste ano quando – pela combinação de uma alta produção com uma baixa exportação – a disponibilidade aparente do produto registrou evolução próxima dos 10% em relação a idêntico período anterior. Ainda assim, o atual recuo nas exportações volta a elevar o volume de carne de frango internalizado e deve fazer com que, no ano, haja um aumento de quase 7% em relação a 2007. O grande problema para o setor avícola, entretanto, não está no alto índice de variação anual, mesmo sendo este visivelmente superior ao crescimento vegetativo da população (pouco mais de 1% ao ano, segundo os últimos dados do IBGE). O desafio maior, sem dúvida, se encontra no fato de o aumento estar todo concentrado no trimestre final do ano. Demonstrando, basta lembrar que nos 12 meses encerrados em setembro de 2008 a oferta interna de carne de frango apresentava evolução anual de 2,7%, isto significando uma expansão sustentável, pois ligeiramente acima do crescimento vegetativo da população. Já o índice previsto para o final do ano, de quase 7% de expansão, se encontra 150% acima do índice registrado em setembro, denotando a recente concentração de oferta. Além disso, nos 34 meses decorridos entre janeiro de 2006 e outubro de 2008 a oferta interna de carne de frango girou em torno das 575 mil toneladas e o mercado sempre enfrentou sérios problemas nas várias ocasiões em que esse volume foi ultrapassado. Pois o comportamento atual indica que, desta vez, o incremento deve ser ainda maior. E de maior risco se considerada a situação da economia. Altamente dependente do mercado externo, a avicultura brasileira não pode ignorar, como tem feito até agora, a evolução desse mercado. Da mesma forma que precisa perder a meta de definir sua evolução em função das perspectivas externas.

Neste último bimestre de 2008, com o resultado das exportações de novembro e passível de repetição em dezembro, pode se afirmar que a produção deve superar 2 milhões de toneladas em até 40 mil toneladas. A redução de quase 80 mil toneladas nos embarques de novembro significa que parte das aves originalmente alojadas para exportação foi redirecionada para o mercado interno, procedimento que se traduz por uma produção (peso final) maior que o inicialmente previsto. Assim, a produção efetiva do mês, antes projetada em menos de 1 milhão de toneladas, deve ter superado essa marca em pelo menos 10 mil toneladas. Desde, praticamente, o princípio do ano, todas as projeções para dezembro corrente sempre apontaram produção de carne de frango da ordem de 1 milhão de toneladas. Mas agora, com a produção de pintos alcançada em outubro (496 milhões de cabeças) e o retrocesso enfrentado nas exportações, também essa projeção se encontra defasada. Assim, talvez não haja equívoco em estimar para o mês produção em torno de 1,030 milhão de toneladas. Tudo considerado (produção até outubro de 9,058 milhões de toneladas mais 2,040 milhões de toneladas no bimestre novembro-dezembro), o volume anual de carne de frango produzida pelo Brasil deve ficar muito próximo de 11,1 milhões de toneladas, 7,7% a mais que o produzido em 2007 (10,305 milhões de toneladas).

Na exportação, embora em dezembro possa ser registrada alguma recuperação em relação aos baixos números de novembro último, é quase improvável ir-se muito além das 250 mil toneladas. Inclusive porque o mês, devido às Festas, é operacionalmente mais curto. Assim, os embarques do último bimestre do ano devem girar em torno das 480 mil toneladas, ou seja, ficarão a menos de 75% da média registrada nos dois bimestres passados (650 mil toneladas por bimestre entre julho e setembro). Com isso, as exportações de 2008, que até outubro vinham apresentando expansão de quase 17%, devem registrar incremento não muito superior a 10% e fechar o exercício com volume próximo dos 3,630 milhões de toneladas. Caso esse quadro seja confirmado, o resultado final será uma oferta interna não muito distante dos 7,470 milhões de toneladas, 6,4% a mais que o ofertado em 2007. Esse índice de incremento já foi observado no setor em várias ocasiões e, assim, não chega a surpreender. A questão, apenas, é que, desta vez, está todo concentrado no bimestre final de 2008, pois, até outubro, o aumento era de apenas 2,3%.

A ordem na indústria brasileira de frango é reduzir a produção para ajustar a oferta à queda do consumo global, tendência provocada pela crise econômica. O setor está em franca retração. As exportações somaram apenas 220 mil toneladas em novembro, queda de quase 27% em relação às remessas de 299 mil toneladas, registradas em novembro em 2007, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef). Para promover o ajuste, a União Brasileira de Avicultura (UBA) recomenda que os produtores reduzam rapidamente o alojamento de pintos de corte, dos cerca de 485 milhões mensais para cerca de 400 milhões mensais. O Brasil exporta mais de 30% da carne de frango que produz. Apesar do mau momento, há projeções otimistas para 2009. Brasil deve continuar sendo o maior exportador de frango, pois a crise tem um potencial de efeito benéfico no médio prazo, que é a migração para uma carne mais barata, a carne de aves, em substituição à carne bovina, segundo o presidente da Abef, Francisco Turra.

O crédito, escasso nas duas pontas da cadeia, influencia tanto os importadores de carne quanto os pequenos produtores de aves integrados que prestam serviço para as indústrias. Para evitar que estes entraves criem um excesso de oferta no mercado, os produtores de aves brasileiros começaram a reduzir a produção em cerca de 15% a 20% desde outubro, e a retração deve se acentuar até o final do ano. A última vez que o setor teve a iniciativa de reduzir a produção foi em 2006, quando a gripe aviária inibiu o consumo mundial de aves. Na ocasião, o direcionamento das exportações para o mercado doméstico derrubou os preços internos. O setor quer evitar que o problema se repita, pois o mercado externo representa cerca de 30% a 35% das vendas nacionais. Apesar dos temores, a demanda deve ser uma preocupação secundária para as empresas que, em períodos de crise, tende a se beneficiar da queda de consumo de carne bovina, mais cara. Pode ocorrer uma queda momentânea nas vendas, mas a carne de frango não sofrerá tanto com a crise devido a seu preço baixo. Neste ano, as exportações do setor ainda acumulam um saldo positivo. Entre janeiro e outubro, as vendas cresceram 16,59% em volume, passando de 3,2 milhões de toneladas, para 3,7 milhões de toneladas. Os dados incluem aves inteiras, em cortes e industrializados. A receita foi de US$ 7 bilhões no período, alta de 55% em relação aos US$ 4,5 bilhões obtidos no ano passado, o que indica que a alta de preço foi muito expressiva neste ano. Outro fator positivo para as empresas é a valorização do dólar, que atenua parte dos efeitos da queda de preços. A queda dos custos dos grãos também ajudará as empresas a manterem suas margens. O preço do milho caiu 35% desde janeiro.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Dezembro/2008




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