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Feijão: Tendência de estabilidade no curto prazo e no médio prazo

Segundo o 3º levantamento da safra de grãos 2008/2009, divulgado em dezembro pela Conab, estima-se para a 1ª safra de feijão uma área de 1,44 milhão de hectares, o que representa um crescimento 9,8% em relação à safra anterior, o que corresponde a uma produção de 1,49 milhão de toneladas, ou seja, superior em 20,1% à colheita passada. O aumento de área, acima mencionado, deveu-se aos bons preços praticados no mercado e ao reajuste de 65,2% no preço mínimo oficial que entrou em vigor no início desta safra, fixado em R$ 80,00 por saca de 60 kg. O feijão, até o mês de outubro, foi disparado o produto com melhor rentabilidade. Se na safra passada perdeu uma expressiva área para o milho no Sul do país, desta vez, os produtores da região voltaram a apostar no produto. O Estado do Paraná é o maior produtor nacional desta primeira safra, com um terço da colheita. O cenário favorável vai permitir aos paranaenses plantar 360,6 mil hectares, 74,2 mil hectares acima do verificado na safra anterior. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, também ocorreram crescimentos, permitindo que as áreas cultivadas crescessem 20,7% em todo o Sul. É importante mencionar que esse expressivo aumento no plantio é quase na totalidade com a variedade comum, com destaque para o feijão carioca. Assim, a elevação da oferta poderá levar o produto a ter seus preços pressionados para baixo. Contudo, tal fato não deverá ocorrer com o feijão preto, em razão da elevação do valor do dólar que garantirá preços elevados para o produto importado.

As elevações de preços de junho do ano passado, até outubro de 2008, e suas flutuações, são motivadas por fatores conjunturais tais como desestímulo ao plantio, em decorrência dos baixos preços dos períodos anteriores e climáticos (frio e estiagens). Só se pode indicar como fator estrutural o aumento do número de pessoas que teve renda, o que leva ao aumento da demanda pelo produto. Mesmo com o mercado passando por um período de entressafra (outubro), vislumbrava-se uma expectativa de que no mínimo as cotações se estabilizariam. Ao contrário do que se previa, os preços despencaram em função da expressiva queda na demanda pelos varejistas, apesar do indicativo de uma oferta ainda pequena. O mercado está operando praticamente com sobras de mercadorias, e com os compradores fazendo reposições mínimas, aguardando um maior recuo das cotações, ocasionado pela entrada da produção da 1ª safra de 2008/2009. A temporada 2007/2008 chegou ao fim praticamente sem estoques, em torno de 110,5 mil toneladas. A produção oriunda dos poucos pivôs que foram colhidos foi colocada de imediato à venda, tendo em vista que a partir deste mês de dezembro começou a entrar no mercado a produção da 1ª safra 2008/2009. Neste período, normalmente ocorre queda da demanda, em função das festividades de fim de ano e férias escolares, época em que o varejo dá preferência às vendas dos produtos de época.

No entanto, o feijão pode voltar a preocupar o governo nos primeiros meses de 2009. Apesar de um aumento de até 15% na área plantada na primeira safra 2008/2009, o clima adverso pode reduzir a colheita em Santa Catarina e no Paraná, dois importantes pólos de produção do País. Se o clima melhorar a partir de agora, não haverá grandes preocupações. Caso contrário, pode se esperar uma nova rodada de reajustes. Devido ao desestímulo ao plantio em anos anteriores, os preços do feijão tiveram fortes altas neste ano, cenário que se manteve firme até poucos dias atrás. No Paraná, em média, a saca de 60 quilos foi vendida por cerca de R$ 158 por saca de 60 quilos no mês de outubro. A proximidade do período da colheita derrubou os preços. No início de dezembro de 2008, o preço caiu para R$ 80 por saca de 60 quilos, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná. Perdas expressivas de produção podem dar novo fôlego aos preços, segundo o próprio Ministério da Agricultura. No Paraná, que historicamente responde por 42% da colheita nacional na primeira safra, a estiagem prejudica a produção e já é possível contabilizar quebra de 5% na produção, que não deve ultrapassar 582 mil toneladas. O potencial era de colheita de 600 mil toneladas na primeira safra. Essa produção abastece boa parte do mercado nacional no primeiro trimestre do ano. O Deral estima que 11% das lavouras já foram colhidas. Algumas lavouras ainda estão sendo plantadas. Em Santa Catarina, segundo a Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado (Faesc), as enchentes provocaram forte queda na produção de feijão. De acordo com a federação, a produção deve somar 75 mil toneladas, metade da estimativa inicial. O governo já começou a se movimentar para garantir o abastecimento interno de feijão, produto que pode ser armazenado por um curto período de tempo. O governo não quer ser surpreendido como foi neste ano. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) começou a comprar, na primeira semana de dezembro, feijão no Paraná e em São Paulo por R$ 80 por saca de 60 quilos. Oficialmente, a Conab nega que o objetivo da compra é garantir o abastecimento interno. Esta é a primeira intervenção do governo federal em 2008 neste mercado para garantir renda aos agricultores, segundo a Conab. O presidente da Conab, Wagner Rossi, disse que a compra é importante para sustentar os preços e manter os agricultores estimulados para o plantio da nova safra. Segundo a Conab, o preço do feijão tem caído nos dois estados desde a segunda quinzena de outubro. No Paraná, os que recebiam até 17 de outubro, em média, R$ 156 por saca de 60 quilos, terminaram o mês de novembro com remuneração abaixo de R$ 100 por saca de 60 quilos. Em São Paulo a queda foi mais acentuada, saindo de R$ 190 por saca de 60 quilos, para menos de R$ 80 por saca de 60 quilos em algumas regiões.

Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

Dezembro/2008




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