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CANA COM MAIS ENERGIA

Álcool de Celulose

A experiência mais ousada para a utilização da palha ainda está para ser iniciada. O resíduo da cana deve ser incluído em 2004 no projeto de produção de álcool a partir do bagaço conduzido pelo grupo Dedini, proprietário das usinas São Luiz, em Pirassununga, e São Jorge, em São João da Boa Vista, ambas em São Paulo. A transformação da celulose dos resíduos em álcool é obtida por um processo especial de hidrólise. O projeto Dedini Hidrólise Rápida vem sendo desenvolvido em laboratório desde a década de 80, numa parceria do grupo com a Copersucar e a Fapesp – Fundação do Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Hoje uma fábrica piloto está em operação para a produção de 5 mil litros de álcool por dia, informa o vice-presidente de Operações da Dedini Indústria de Base, José Luiz Olivério.


Bagaço e palha são transformados em álcool por novo processo industrial


O sistema consiste em colocar o bagaço, e também a palha, em um reator onde se dá a hidrólise do material celulósico, que se transforma em açúcar. A partir daí se produz o álcool e a vinhaça. “O álcool obtido desta forma poderá chegar a um custo 40% mais baixo que o produzido tradicionalmente”, diz Olivério. Com a mesma quantidade de cana, pode-se obter quase o dobro de álcool, ao aproveitar também o bagaço e a palha.

Com metade da área de cana própria já sendo colhida com máquinas em suas duas usinas o grupo Dedini aposta alto na viabilidade econômica e operacional da nova tecnologia . “O processo com o bagaço está desenvolvido. O material celulósico da palha é muito semelhante e já fizemos testes bem sucedidos”, afirma Olivério. “O que queremos agora é operacionalizar o processo industrial, para aumentar a produção para 50 mil litros diários em 2004, e incluir a palha para produzir mais álcool”.

RESÍDUO MOVE AS USINAS

Resíduo da Cana

Resíduo abundante da produção de açúcar e álcool – são 270 quilos a cada tonelada de cana moída – o bagaço queimado nas caldeiras garante a auto-suficiência energética das usinas e ainda sobra muito para vender. Sua queima produz vapor, utilizado para produzir outros tipos de energia, na chamada co-geração. A energia térmica é usada nos processos de produção de álcool e açúcar, a energia mecânica põe as moendas para funcionar e o vapor ainda aciona turbinas geradoras de eletricidade.

Desde o início dos anos 90, as usinas começaram a vender excedentes da eletricidade que geravam para as concessionárias de energia. Os preços oferecidos, porém, não estimulavam investimentos para aumentar a capacidade de geração, modernizando as caldeiras. A crise energética da virada do milênio valorizou a eletricidade disponível nas usinas. Um estudo da Eletrobrás concluiu que a co-geração com base no bagaço poderia garantir 11% da oferta adicional de energia de que o país necessitaria até 2008. Com o estímulo do governo, muitas usinas iniciaram planos de investimento para aumentar a capacidade de co-geração de eletricidade.

Além de ser queimado nas caldeiras, o bagaço obtido nas usinas também é negociado como combustível para outras indústrias, como fábricas de alimentos e olarias, em substituição à lenha. E consegue boas cotações no mercado: na safra 2002/2003, a tonelada do bagaço alcançava preços em torno de 30 reais em São Paulo, enquanto o valor da tonelada da cana era de cerca de 35 reais. Mas apenas uma parte pequena do resíduo deixa de ser aproveitado na própria usina. No oeste de São Paulo, o cálculo das usinas é de que 93% do bagaço resultante da moagem da cana seja utilizado em suas caldeiras.


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