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O DOCE CHEIRO DA TERRA

Mesmo com os reveses, porém, Dalla Costa acredita que é uma atividade viável para pequenas propriedades, pois os custos por hectare variam de 400 a 600 reais para uma produção média de 430 quilos de matéria seca na mesma área (a flor desidratada representa 20% da produção de massa verde). Com o quilo do tipo 1 ao redor dos 4 reais e do tipo 2 na casa dos 2 reais, e como na maioria das vezes cada 50% da produção recebe uma das classificações, o resultado final é um rendimento bruto de 1.300 reais por hectare. E esses valores não são maiores porque metade do consumo nacional – 900 toneladas por ano – é importada. A outra metade vem de cultivos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e municípios próximos à Mandirituba, que, mesmo com a concorrência, ainda detém o título de Capital Nacional da Camomila. O município responde por 90% da produção brasileira.


Cerca de 60 produtores ocupam 800 hectares no município

com o cultivo da planta usada na fabricação de remédios e cosméticos


Segundo a Emater Paraná, a camomila é a planta medicinal que envolve o maior número de pequenos agricultores em cultivo comercial, com uma área de 950 hectares no estado em 2003 – 800 só em Mandirituba. Apesar dos números, Dalla Costa gosta de frisar que a cultura carece de pesquisa científica e apoio técnico – a única variedade nacional chamada mandirituba foi obtida pelos próprios produtores. “A evolução da camomila se deve à persistência de quem planta”, conta, dando o exemplo do desenvolvimento dos equipamentos de colheita. No início era uma concha com um pente metálico na extremidade de uso manual, depois os agricultores fizeram uma versão desse utensílio para tração animal e recentemente adaptaram uma segadeira à colheita, que é acionada pela tomada de força do trator – o que implica andar com a máquina em marcha à ré o tempo todo. “Mas ainda não existe uma colheitadeira que consiga retirar apenas o capítulo floral, que é a parte nobre da planta”, explica.

 

Qualidade com bons tratos

Por sua fragilidade, a camomila requer uma atenção especial na hora da semeadura, e muito cuidado durante o desenvolvimento. Os produtores mandiritubienses se esmeram nos bons tratos à planta e conseguem obter um produto com qualidade superior ao exigido pelo mercado nacional e internacional. A boa camomila é aquela com teor de óleo essencial maior que 0,4%, sem impurezas. A de Mandirituba alcança os 0,7% facilmente. Nesta situação se encontra a plantação de Teófilo Strughala, um descendente de poloneses que, com os filhos, possui a maior área cultivada do município – são 96 hectares que deverão render cerca de 40 toneladas de matéria seca na safra que está terminando. “Mas o cuidado não é só no campo, é preciso fazer o correto manejo no pós-colheita”, ensina o produtor.

Teófilo Strughala

Strughala: depois de colher, secagem exige cuidados

A camomila de Mandirituba tem como destino final o uso medicinal, que aproveita as propriedades da planta na ação antiinflamatória e adstringente. Além disso, ela também é usada nas indústrias de cosméticos e de alimentos. “A nossa camomila é tão boa, que os gaúchos deram para batizar o chimarrão deles com a nossa flor”, brinca Teófilo com o fato de muitos compradores do Rio Grande buscarem a sua produção para fazer uma mistura de erva-mate com camomila.


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